Memória Almanaque, por Jailson Júnior (Edição 64, de 1997).

Memória Almanaque – Edição n° 64 – 1997

Dando continuidade à nossa série Memória Almanaque, dessa vez analisaremos de forma sucinta a edição de 1997, a quarta editada sob a responsabilidade da Academia Parnaibana de Letras. Com a capa trazendo a vista aérea da cidade de Parnaíba em seu encontro com a cidade de Ilha Grande simbolizada pela ponte coronel Simplício Dias da Silva, além da parte de trás trazendo a foto da fachada da Academia na época, essa edição mais uma vez teve o apoio da Gráfica e Editora da UFPI, que também imprimiu os 3 volumes imediatamente anteriores. O Conselho Editorial da edição ficou a cargo dos acadêmicos Lauro Andrade Correia, Alcenor Candeira Filho, Manoel Domingos Neto, Israel José Nunes Correia e Fernando Basto Ferraz, contando também com o apoio da Prefeitura Municipal de Parnaíba.

Logo após breve apresentação e índice, a edição começa com o texto Descrições da Paisagem Parnaibana, onde são trazidos à tona três textos literários que muito bem descrevem o cenário parnaibano sob à sensível ótica de Humberto de Campos, em seu texto Morros, Renato Castelo Branco com o seu Descrição de Parnaíba e o Velho Cais, do enigmático Assis Brasil.

Em Parnaíba Mudou (Para Melhor), o então prefeito Antônio José de Moraes Souza Filho traz diretrizes sobre a filosofia adotada pela sua gestão à frente da cidade de Parnaíba em relação à gestão de recursos e serviços destinados à população.

No texto A Falsa Aceleração do Tempo, o professor Manoel Domingos reflete sobre a velocidade crescente das mudanças que estão ocorrendo na vida em sociedade, e como isso se materializa nas relações humanas, na relação entre sociedade e tradição, na política, nas comunicações, entre outros campos da vida.

Marc Jacob em Portugal e a Epopeia dos Descobrimentos analisa a saga do país lusitano à partir de 1494, quando deu início ao seu processo de expansão das fronteiras durante o fenômeno das Grandes Navegações, iniciado no início do século XV, com a colonização de partes da África, o “descobrimento do Brasil”, e as consequências dessa busca pelo Eldorado para a própria metrópole e suas futuras colônias.

Em professor Wall Ferraz: o Homem, o Político, o Administrador, o professor e jornalista Renato Bacellar traz uma breve biografia do notório prefeito de Teresina, desde a época da juventude, quando foi presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito, vereador (1955-1963), vice-prefeito (1963), Secretário Estadual de Educação (1971-1975), prefeito de Teresina (1975-1979), além de demais atuações como professor e homem público até sua partida, em 22 de março de 1995.

Mário dos Santos Carvalho é homenageado em Lembrança que Permanece, de João Maria Madeira Basto, cidadão parnaibano que atuou firmemente pelo futebol parnaibano, protestou contra a reforma que sofreu a Praça da Graça na década de 1970, sendo também poeta, escritor, além de amigo íntimo do autor, que o homenageou de forma simbólica na presente edição. Na sequência, a jornalista Sólima Genuína traz à tona seu veio sensível, mostrando força poética e leveza em seu poema Mistério do Ser.

A já conhecida série Memória Fotográfica traz um pouco da arquitetura clássica do Centro Histórico de Parnaíba, trazendo logradouros que abrigaram  conhecidos colégios da cidade de outrora, como o Ginásio Parnaibano (atual Colégio Miranda Osório, gerido pelo Sesc Piauí), o antigo prédio do Grupo Escolar Miranda Osório, o prédio do Grupo Escolar José Narciso, o prédio do Colégio Nossa Senhora das Graças (ainda em atividade), do Grupo Escolar Luíz Galhanoni (onde funciona atualmente o Centro Cultural de Línguas), o Instituto São Luiz Gonzaga, o Grupo Escolar João Cândido e a Escola Lima Rebelo, atual Colégio Estadual Lima Rebelo, sendo todas as imagens datadas do ano de 1940.

Em Plano de Desenvolvimento do Piauí, Lauro Correia, acadêmico e ex-prefeito, emite carta pública a diversas autoridades nacionais sobre a situação do estado e à época, a não inclusão do Piauí em diversos projetos de desenvolvimento regional. Pádua Ramos usa seu amplo conhecimento em Economia para buscar os problemas da escassez de emprego e renda no Nordeste, trazendo teorias consagrados de importantes teóricos a nível mundial como John M. Keynes, Eric Fromm, Ruy Barbosa, entre outros.

Anchieta Mendes homenageia um dos grandes homens que Parnaíba teve como filho, o diplomata Frederico de Castelo Branco Clark, desde seu nascimento, em 1887, seu ingresso na Diplomacia em 1908, a passagem por Paris, Genebra, Bolívia, Cuba, Suécia, Japão, entre outras cidades importantes a nível mundial, suas obras deixadas enquanto escritor até sua partida deste mundo no ano de 1971, também em Parnaíba.

Na cômica e reflexiva crônica Vai Já Apanhar…, Rubem Freitas, saudoso pioneiro da comunicação parnaibana e membro da APAL, relembra em uma divertida e irreverente crônica seu amigo e companheiro de trabalho Bernardino da Costa Souza, o Beré, ao mesmo tempo que reflete sobre o velho costume da compra e venda de votos no Brasil. Logo em seguida, o prof. Jorge Falcão Paredes reflete sobre o prognóstico de um Brasil melhor, mas que ainda padece de males como o coronelismo moderno, a falta de instrução da população, a corrupção, entre outros males sociais ainda persistentes e bastante atuais.

O histórico dilema entre ciência e religião, questões éticas, morais, filosóficas, jurídicas, dentre outras, são trazidas pelo professor da UFMG José Wilson Ferreira Sobrinho em seu artigo intitulado A Clonagem de Seres Humanos. O referido tema, altamente em voga no ano de 1997 com a clonagem da ovelha Dolly, serviu de plano de fundo para um texto que caminha por visões múltiplas, abordando várias áreas do conhecimento humano.

O Almanaque também dedica parte de suas páginas a escritores a literatos já saudosos, na seção Poesia Parnaibana – Poetas Falecidos. Na primeira da edição n° 64, temos o Soneto LXVI, de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, Barro Amarelo, de Jonas da Silva, A Virtude Maior, de Alarico da Cunha, Qual dos dois?, de R. Petit, Estância do Amor, de Oliveira Neto, O Terceiro Milênio, de Renato Castelo Branco, Paisagem Natalina, de Fonseca Mendes, Passeio Pela Via Láctea, de Virgínia Lombardi e Aos Quase Trinta, de Paulo Veras.

Fernando Ferraz traça possíveis caminhos que poderiam ser tomados para a melhoria da qualidade de vida da população em Alternativas para Parnaíba, como o melhoramento de serviços públicos, o incentivo à vinda de indústrias e empresas é até mesmo a criação de um Parque Ecológico, aumentando a quantidade de área verde presente na parte urbana da cidade.

Em uma visão metalinguística da própria obra, o poeta Alcenor Candeira Filho faz uma análise sobre as propagandas veiculadas nos Almanaques da Parnaíba das décadas anteriores, em um tempo onde não havia ainda rádio e televisão, destacando a importância desses registros para a posteridade, havendo também a reprodução de alguns desse anúncios em anexo, finalizando com seu poema Soneto Fluvial.

Renato Neves Marques prossegue com o seu discurso de posse na cadeira n° 4 da APAL, proferido em 24 de agosto de 1996, seguido pelo jornalista Batista Leão, que relembra uma crônica escrita em 29 de março de 1977, falando sobre um Brasil já devastado por marasmos sociais de toda sorte, não muito diferente do Brasil logo após 20 anos da referida reflexão.

Em Parnaíba e a Nossa História, Orfila Lima dos Santos detalha ações ocorridas em solo parnaibano, desde as ações do empresário João Carlos Diniz, até a vinda de Domingos Dias da Silva, a consolidação do império de exportação continuado por seu filho Raimundo e principalmente por Simplício Dias da Silva, importante político e empresário que participou ativamente do movimento de independência do Brasil que ocorrera em solo parnaibano em 19 de outubro de 1822.

Em Ave, Brasília!, Fernando Ponte homenageia a capital do Brasil, dedicando o poema também ao amigo Dr. José Adirson Vasconcelos. Em mais uma sessão de imagens, dessa vez intitulada Ensaio Fotográfico, são mostradas várias fotografias de pontos importantes da cidade, tais como a Avenida Álvaro Mendes, o Colégio Diocesano Luiz Gonzaga, o campus universitário da UESPI, o Centro Desportivo Dirceu Arcoverde (Verdinho), a Igreja São Sebastião, a Avenida Coronel Lucas Correia e o Cemitério da Igualdade.

Com sua análise acurada da realidade, o inesquecível Assis Brasil brindou a edição de 1997 com a crônica Os Banhos de Lindalva, retratando uma cidade preconceituosa de décadas anteriores, situada na beira da outrora estrada líquida do Delta. Brasil ainda teria logo em seguida sua obra “Jeová dentro do judaísmo e do cristianismo: sonâmbulos e cegos nas vias tortuosas para a volta ao Paraíso”, editada pela Imago e publicada naquele mesmo ano pelo escritor e crítico literário Jorge Serra, que fez uma análise sobre os pormenores e dos temas que Brasil traz em sua obra.

Em Parnaíba – Velhos Tempos, Belos dias, Paulo Vinicius Madeira Basto relembra a cidade de sua infância, das décadas de 1950 e 1960, citando diversos logradouros da cidade e como era a vida naquela época, ainda embrionária em relação à modernidade da época.

O professor Francisco Pereira Filho em Internautas na Internet reflete sobre a rede mundial de computadores e suas possíveis implicações na vida da humanidade, além de elencar diversas possibilidades que ela já oferecia naquele momento. Em seguida, o historiador Adirson Vasconcelos, já homenageado na mesma edição em poema publicado anteriormente, contribui com o seu poema Exaltação à Brasília, em alusão ao 37° aniversário que a cidade celebrou naquele ano. 

O poeta Wilton Porto relembra um visceral amor da juventude vivido em viagem feita a São Paulo no ano de 1978, durante o mês de Carnaval, terminando o texto com dois poemas, seguido por Lígia Ferraz, trazendo a crônica Desabafo, que retrata a trajetória do casal Severo e Marlene.

Na seção Parnárias, poetas consagrados da literatura local nos brindam com seus textos, sendo os poemas Praça da Graça, de Anchieta Mendes, Bar do Gago, de Alcenor Candeira, Salve São João, de Jorge Carvalho, Multiplicação da Miséria, de Pádua Santos, Paisagem Marinha, de Elmar Carvalho, S. O. S., de Fernando Ferraz e Porto das Barcas, de Carlos Marinho.

A obra prossegue com o discurso do escritor Israel Correia, integrante do Conselho Editorial e que naquele ano assumiu o cargo de diretor do Campus da UFPI em Parnaíba, Ministro Reis Velloso, proferido em 19 de março de 1997. Em Esperança, a saudosa Edmeé Rego Pires de Castro reflete sobre esse que é o motor da humanidade, a crença em dias melhores, baseada em suas experiências próprias e suas leituras.

O Casamento do Futuro Visconde, do escritor Luís G. F. Menezes, relata de forma histórico-romântica o casamento de Né de Sousa (Manuel de Sousa Martins), que mais tarde se tornaria o Visconde da Parnaíba, ao mesmo tempo que dá um breve prelúdio sobre as origens da cidade de Oeiras, primeira capital do Piauí.

A célebre obra Rosa dos Ventos Gerais, do campomaiorense e imortal da APAL e da APL Elmar Carvalho é objeto de resenha crítica da leitora Teresinha Queiroz, que aborda aspectos líricos do Magnum Opus de Carvalho.

O advogado Paulo de Tarso Mendes de Souza toma emprestado o título da obra que inaugura o Naturalismo na literatura mundial (Germinal, do escritor francês Émile Zola) para homenagear em um texto emocionado e de rara beleza poética os trabalhadores sem-terra e todos aqueles que ao longo da história do Brasil, tiveram seus direitos sequestrados e padeceram sob uma pretensão utópica e distante de uma justa Reforma Agrária.

Em Observações Sobre o Piauí, o pesquisador, sociólogo e demógrafo Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar sintetiza, em detalhada análise teórica e numérica as causas do atraso e do subdesenvolvimento do estado, elencando diversos dados que fundamentam sua tese, além de oferecer sugestões sobre como tais problemas poderiam ser atenuados ou mesmo solucionados.

Em Informática e Saúde, o médico Valdir Edson Soares destaca as várias benesses da Informática da vida em sociedade, dando enfoque no uso que a tecnologia tem sido e pode vir ser a usada para avanço também da Medicina, tanto a nível nacional, quanto regional e por último local.

As últimas páginas da edição n° 64 se dedicam a divulgar várias instituições importantes do desenvolvimento do Piauí, com breve histórico, objetivos e metas, sendo elas o SESC – Administração Regional do Piauí, a E. M. Santos Agroindústria Comércio LTDA, qualificada na produção de pasteurizados, entre eles o famoso Leite Longá, a Santos Indústria e Comércio Ltda., dedicada ao ramo dos combustíveis e demais produtos derivados do petróleo para uso automotivo e a Unimed Parnaíba, elencando também sua primeira diretoria local.

Na seção Patronos da APAL há 4 páginas, as duas primeiras destinadas ao patrono da cadeira n° 1 do silogeu, José Pires de Lima Rebelo e as outras duas ao patrono da cadeira n°2, Edison Cunha.

E por fim, concretizando a edição do Almanaque ora esmiuçada, o professor Lauro Correia retorna, dessa vez apresentando dois documentos de sua autoria, o primeiro intitulado Plano de Desenvolvimento Macro-Econômico – (Síntese) e o segundo denominado Plano de Desenvolvimento Macro-Econômico Integrado do Estado do Piauí – (Síntese).

Jailson Júnior

  • Texto publicado originalmente na edição 159 de O Piaguí, em agosto de 2021.

Memória Almanaque, por Jailson Júnior (Edição 63, de 1996).

ALMANAQUE N° 63 – 1996

Na edição 63 do Almanaque da Parnaíba, a qualidade e a riqueza de conteúdo se mantiveram como os objetos de desejo da equipe do Conselho Editorial, que foi a mesma das duas edições anteriores. O anuário da cidade de Parnaíba continuou contando com o apoio da Prefeitura e da Universidade Federal do Piauí (UFPI), contando com as fotos antigas do acervo particular da Fundação Raul Bacelar e as mais atuais do acervo do acadêmico Danilo Melo Souza. A capa privilegiou o emblemático Cajueiro Humberto de Campos, amigo de infância do inesquecível filho de Miritiba, que viveu em Parnaíba, e na capa de trás, a histórica Santa Casa de Misericórdia de Parnaíba, ambos completando naquele ano um centenário de existência.

A obra já se inicia com a crônica “Um amigo de infância”, capítulo do livro Memórias, de Humberto de Campos, que imortalizou o “cajueiro mais famoso da literatura brasileira”. Plantado no ano de 1896, a árvore gozava de seus frondosos 100 anos em 1996, e foi para sempre guardada na memória do terceiro ocupante da cadeira 20 da Academia Brasileira de Letras. Em seguida, Assis Brasil relata em seu conto “A Receita” a saga da jovem Maria do Socorro, costureira que buscava comprar em alguma das diversas farmácias de seu bairro vários remédios que lera em um romance com a “esperança” de fazer um veneno para encurtar sua pobre vida já minada pela avançada tuberculose. No artigo “Missão cumprida”, o então prefeito José Hamilton Furtado Castelo Branco faz várias observações sobre a cidade e as conquistas provenientes de seu mandato, que se encerrou ao fim daquele corrente ano.

Em “A paisagem física e espiritual da Parnaíba – página de saudade”, o metafísico Pádua Ramos contribui para a edição com o texto proferido no lançamento do livro Estórias de uma Cidade Muito Amada, do saudoso médico e escritor Carlos Araken, ocorrido em agosto de 1995 na sede do Náutico Atlético Clube, em Fortaleza. No texto “Cuba resistirá?”, o professor Manoel Domingos Neto faz uma análise apurada da ilha localizada na América Central, que depois da Revolução de 1959, adotou/adota o sistema socialista de mercado como predominante até hoje. Domingos Neto analisa os prós, os contras, as sucessivas crises, a forte oposição norte-americana, o apoio recebido da URSS até sua dissolução em 1991 e parâmetros para o futuro do país. O professor e jornalista Renato Araribóia Bacelar faz alusão ao já mencionado centenário do célebre Hospital Santa Casa de Parnaíba, registrado em 26 de abril de 1996, como consta em sua fachada. Fazendo um breve histórico sobre os anos de existência do prédio, Bacelar também menciona a escritora parnaibana e professora Maria da Penha Fonte e Silva e suas referências ao lugar, citando também diversas pessoas que ao longo da história, ajudaram a construir o legado da instituição.

Em “Mesmo vivendo…” o saudoso jornalista Batista Leão reflete sobre a vida, seus desdobramentos, dilemas e problemas, e em como podemos refletir sobre ela e suas particularidades, citando o poema de sua autoria Saudade e Amor. Na galeria de imagens intitulada “Memórias Fotográficas”, temos oito imagens referentes a prédios ainda existentes no cenário histórico de Parnaíba como o prédio da Santa Casa de Misericórdia, do Cine Teatro Éden, da União Caixeiral e da firma Morais e Cia, e os prédios da Administração Parnaibana e do Banco do Brasil, ambos já demolidos, atualmente com novas edificações em seu lugar.

Seguindo a senda literária, o próximo texto é o discurso de recepção proferido quando o poeta Alcenor Candeira assumiu a cadeira de n° 06 da APAL pelo escritor M. Paulo Nunes. A saudosa acadêmica Edmeé Rego Pires de Castro segue com um minucioso texto sobre o Delta do Parnaíba, desde sua definição, passeando por detalhes geográficos indo até o processo de ocupação da região pelo movimento pecuarista que desbravou o atual território do Piauí, trazendo também croquis da região do Delta produzidos no início do século XX, concluindo com o movimento Ecoturista no qual a região está até hoje se especializando.

João Evangelista Mendes da Rocha relembra em um texto memorialístico o Dr. Luiz Correia, homem culto e profícuo de seu tempo, poeta, magistrado, orador e político, nascido em Amarração, cidade que hoje leva seu nome, amigo de casa, íntimo de seu pai e que o auxiliou a viver na capital cearense dos anos 1930. Em “Ações ambientais em Parnaíba”, o professor e acadêmico Francisco Filho relata o trabalho feito pela então gestão municipal, criadora da Secretaria de Turismo e Meio Ambiente, que geriu a cidade entre 1993 e 1996, sendo o autor do texto o primeiro a ocupar o Departamento de Meio Ambiente, trazendo de forma detalhada o que ocorreram de atividades em cada um dos anos de mandato (1993, 1994, 1995 e 1996).

O Dr. Cândido Athayde, em “Parnaíba merece”, traz a importância da preservação da história e da memória de Parnaíba com a criação da Secretaria de Cultura, trazendo também breve histórico da ocupação e das influências europeias nos costumes, na língua, na história e na arquitetura da cidade. Dona Lígia Ferraz representa o universo feminino ao escrever um texto homenageando as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher, citando prodigiosas mulheres da época como Carlota Freitas de Queiroz e Hortênsia Mendes. Na galeria “Poesia parnaibana”, poemas de cânones de nossa literatura local são lembrados: Ode, de Ovídio Saraiva, Ausência Eterna, de Luiza Amélia de Queirós Brandão, Anátema, de Jonas da Silva, Meus Oitentões, de Alarico da Cunha, Nortadas, de R. Petit, Olho D’água da Ilha, de Thomaz Catunda, O Flamboyant, de Oliveira Neto, Em Memória de Clarice Lispector, de Paulo Veras, e Caminheiro, de Renato Castelo Branco.

Lauro Correia contribuiu para o Almanaque de 1996 com o seu discurso “União desmembramento do estado do Piauí”, proferido em Simpósio na presença de autoridades, juízes e desembargadores naquele ano. No texto, Correia faz um apanhado histórico de todos os projetos que o Brasil já teve para compor a divisão de sua extensa composição geográfica, afunilando para os projetos que o Piauí também já teve para tal intento. Em “Um novo corifeu das letras”, Cláudio de Albuquerque Bastos faz alusão a algumas obras historiográficas da Literatura Piauiense, como Literatura Piauiense – Escorço Histórico (1937) de João Pinheiro, Visão Histórica da Literatura Piauiense, de Herculano Moraes (1976, 1982 e 1991), dando específico destaque ao Dicionário Biográfico – Escritores Piauienses de Todos os Tempos (1993) do escritor Adrião Neto.

O poeta Alcenor Candeira traz em sua produção aspectos sobre a fundação da literatura parnaibana, citando como marco inicial o livro Poemas, de Ovídio Saraiva, lançado no longínquo ano de 1808, trazendo pensamentos e divergências existentes sobre os reais marcos iniciais da literatura parnaibana e também da brasileira. Vitor de Athayde Couto traz em seguida três capítulos de seu livro Ushtar, intitulados “Kaeri-mona”, “Amecari” e “Lud”. Em “Uma cidade com história para contar”, o então secretário de cultura Danilo de Melo Souza faz um passeio sobre as origens do que é hoje a cidade de Parnaíba. Complementa ainda a série Benjamim Santos com a crônica “Os Banhistas” e em “Um pé de valsa chamado João”, o saudoso médico Carlos Araken homenageia uma das grandes figuras de Parnaíba, o médico Dr. João Tavares da Silva Filho.

Em “Ensaio fotográfico”, vários pontos da cidade são mostrados, sendo eles a Praça da Graça, a Av. Presidente Vargas, a Praça Santo Antônio, a Capitania dos Portos, o cais da Marinha do Brasil, o Balão da Guarita e a Av. Pinheiro Machado.

Em “A Morte”, o advogado Paulo de Tarso traceja de forma real, mas ao mesmo tempo poética o mal irremediável que a todos os vivos acomete. Em “Saudação ao professor emérito Lauro Correia”, novamente o poeta Alcenor Candeira utiliza sua cunhagem particular de palavras para homenagear o atual decano da Academia Parnaibana de Letras, quando convidado pelo então reitor da UFPI, Charles Camilo da Silveira, para o proferir no evento que o contemplou com o título de professor emérito daquela instituição. Pádua Santos, em seu conto “Hipócrates, hipócrita”, conta a história de um jovem acometido por uma doença até então misteriosa e desconhecida, que morre antes do Carnaval. O saudoso poeta Jorge Carvalho completa com seu poema crítico Escravos de “Job”.

O poeta Elmar Carvalho, em seu artigo “Mestre Ageu – mago ou demiurgo?”, homenageia o funcionário público da extinta SUCAM e premiado escultor Ageu Alves de Melo. Paulo Vinícius Madeira Basto em “A Música em Parnaíba” faz um trajeto pelos eventos musicais na cidade de 1958 até aquela data, destacando momentos de grandes intérpretes da música brasileira até a criação e disseminação de bandas locais, tendo ele mesmo participado como baterista em um dos grupos da época, denominado Os Bárbaros.

Em “Palavras que eu já deveria ter dito a meu pai”, Wilton Porto homenageia seu genitor pelo aniversário de 70 anos de idade em uma crônica, citando a própria experiência em ser pai, compreendida, segundo ele, somente quando se passa a ser um.

Na série “Parnárias”, oito poemas homenageiam a Princesa do Igaraçu, sendo os textos Progressos, de Lívio Castelo Branco, Faróis, de Jonas da Silva, Parnaíba, de Francisco Ayres, Rio Igaraçu, de V. de Araujo, Um Rio, de Zezo Carvalho, Soneto Fluvial, de Alcenor Candeira Filho, Mar(ulho) no Tabocal, de Elmar Carvalho, e O Éden, do já citado poeta Jorge Carvalho.

Israel Correia traça os planos da “Gestão estratégica da UFPI”, título de seu texto, apoiado em robusta literatura teórica e Filosofia. Fernando Ferraz, em “Tabuleiros litorâneos de Parnaíba”, detalha o ousado projeto de instalação da indústria de fomento que veio com o objetivo de alavancar a produção de alimentos na região. Rubem Freitas usa de seu humor apurado para descrever, em um misto de ficção e realidade, a sua Tutóia da infância e da sua juventude, em crônica intitulada “Tá doida, tá doida, tá doida…”.

Em mais um texto alusivo aos 100 anos da Santa Casa de Misericórdia de Parnaíba, o acadêmico Renato Neves Marques retoma de forma fiel desde o início de onde se tem documentado o movimento de busca por serviços de saúde na então vila e depois cidade de Parnaíba, até a criação da Santa Casa, mais uma entre tantas em nosso país, construída para atender as necessidades da população de nossa região, citando colaboradores, doadores, mesas administrativas, médicos que atenderam no prédio, entre outros personagens muito importantes na construção dessa instituição importantíssima na história de Parnaíba e do Piauí, pesquisa feita de forma bastante detalhada, analítica, ancorada em robusta bibliografia disponível.

Em “Conselheiro Saraiva, baiano e piauiense”, Orfila Lima dos Santos homenageia aquele que em 1850 se tornou o Presidente da Província do Piauí, durante o período do Segundo Reinado (1840-1889), detalhando em seu artigo vida e obra desse “ilustre brasileiro”, que, após seu mandato, findado em 1852, exerceu vários cargos de nível político pelo Brasil, mas que durante seus dois anos de gestão intermediou os trâmites para a transferência da capital da província para o município de Poti, às margens do rio de mesmo nome, atual cidade de Teresina. Em seguida, a jornalista Sólima Genuína dos Santos faz uma imagética sobre a importância da alegria na crônica “A apologia do riso”.

Em “Diagnóstico de saúde de Parnaíba”, o médico Valdir Edson Soares faz uma análise numérica detalhada de Parnaíba daquela época, com dados do total da população, suas caraterísticas, mortalidade infantil e adulta, quantidade de pessoas a aspectos básicos de saneamento básico, além de dados de infecções de animais em relação a doenças endêmicas e unidades de saúde básicas e hospitais disponíveis até então.

Logo após, há um histórico da Unimed em Parnaíba, com a equipe de direção fundadora da filial na cidade, além de considerações a respeito do compromisso da empresa com o povo parnaibano. Segue-se com o histórico do Serviço Social do Comércio (SESC), com sua origem no Brasil, iniciado em 1945 e oficializado em 1946 pelo decreto-lei n° 9.853, além de sua vinda para o Piauí, no ano de 1948, com a instalação de uma Delegacia em Teresina, vindo a implantar sua primeira Administração Regional no estado em 1954, em Parnaíba. Logo após, segue breve histórico de fundação e atividades da Cooperativa Agropecuária do Baixo Parnaíba Ltda. (Cooperativa Delta).

Seguindo o Almanaque, das páginas 253 a 256 têm-se o quadro social da APAL daquele ano, que ainda contava com 35 assentos, detalhando seus patronos e ocupantes, e finalizando a obra, como de praxe, com o “Anuário parnaibano de 1995”, de autoria e organização do saudoso acadêmico, político e professor Iweltman Mendes, trazendo a ficha técnica da cidade durante o ano anterior.

Jailson Júnior

  • Texto publicado originalmente na edição 156 de O Piaguí, em maio de 2021.

ANA SARAH MACHADO

Foto Blog do Pessoa

A cidade de Parnaíba recebeu com profundo pesar na noite da segunda-feira a triste notícia do falecimento da  jovem Ana Sarah Machado,  ocorrido em São Paulo.

Ana Sarah,  filha de Nilda Machado e Carlos Edaurdo Gentil, neta do casal Virgílio Neres Machado (já falecido) e Elzeny Machado.  

            Ana Sarah  era advogada e bastante estimada em Parnaíba, assim como todos os membros da família. Estava em São Paulo em tratamento de saúde. Na data de ontem, 20, segundo informações a jovem foi submetida a uma intervenção cirúrgica vindo a falecer durante o ato.

            A cidade de Parnaíba ficou de luto!! A sociedade, empresários, instituições de classe, todos, enfim, manifestaram solidariedade  e apoio à família enlutada, inclusive a Academia Parnaibana de letras com a seguinte nota: 

ACADEMIA PARNAIBANA DE LETRAS

CASA DE JOÃO CÂNDIDO 

NOTA DE PESAR

        A Academia Parnaibana de Letras lamenta profundamente o falecimento prematuro da jovem Ana Sarah Machado ocorrido na noite de segunda-feira, dia 20,  em São Paulo -SP e envia votos de pesar  à família  enlutada ao tempo em que roga ao Deus Criador que a receba na Santa Glória Eterna.

        A família Machado, composta por empresários parnaibanos, sempre apoiou as ações da Academia Parnaibana de Letras, portanto, nessa hora de tristeza e dor, temos o dever de manifestar nosso apoio espiritual.

Parnaíba (PI), 21 de junho de 2022.

Antonio Gallas Pimentel

Presidente em Exercício

APAL RECEBERÁ RECURSOS MUNICIPAIS PARA REFORMA DE SEU PRÉDIO

          Por proposição do vereador João Batista Oliveira dos Santos o “Joãozinho do Trânsito” a Câmara Municipal d Parnaíba aprovou através do Ajuste das Emendas Impositivas,  em data de 22 de maio do corrente ano,  recursos no valor de R$ 32.500,00  (trinta e dois mil e quinhentos reais) destinados à Academia Parnaibana de Letras – APAL  para reforma e pintura do prédio da instituição sito à Rua Alcenor Candeira, 662 no Centro de Parnaíba.

        A emenda que tramitava naquela casa legislativa parnaibana desde o ano passado (2021) foi aprovada com base na Lei Orçamentária Anual (LOA 2022) e agora segue para a sanção do prefeito Francisco de Assis de Moraes Souza – o Mão Santa, que também é membro da Academia onde ocupa a cadeira de nº 10 que teve como primeira ocupante a poetisa,  escritora e professora Jeanete de Moraes Souza, mãe de Mão Santa,  Prefeito de Parnaíba.

Vereador “Joãozinho do Trânsito” entregando ao professor Antonio Gallas
presidente em exercício da APAL,  cópia do projeto que destinou recursos
de R$ 32.500,00 à Academia Parnaibana de Letras.

        Na manhã desta segunda-feira, dia 20, o presidente em exercício da APAL, professor Antonio Gallas e o presidente licenciado para concorrer a um cargo eletivo, jornalista José Luiz de Carvalho,  foram recebidos pelo vereador “Joãozinho do Trânsito” em seu gabinete na Câmara Municipal de Parnaíba,  ocasião em que o nobre edil entregou aos representantes da Academia,  cópia da aprovação do referido projeto. 

Eis o projeto em sua íntegra:

Memória Almanaque, por Jailson Júnior (Edição 62, de 1995)

Almanaque 1995 – n° 62

Olá, Piaguienses, tudo bem?

Para o mês de março de 2021, o Memória Almanaque traz a segunda edição do Almanaque da Parnaíba, editado pela Academia Parnaibana de Letras e a sexagésima segunda da história do periódico, que contemplou todo o ano de 1995. Assim como na impressão anterior, a Editora Gráfica da UFPI foi a responsável pela materialização do livro, que ao final resultou em 238 páginas de uma obra robusta e que continuou mantendo o sucesso e a qualidade dos volumes anteriores.

Patrocinada pela Prefeitura de Parnaíba e apoiada pela Universidade Federal do Piauí, a obra teve em seu Conselho Editorial o então presidente da APAL Lauro de Andrade Correia, Alcenor Candeira Filho, Israel Nunes Correia, Danilo Melo Souza e Manoel Domingos Neto.

As primeiras 16 páginas são dedicadas a homenagear os Intendentes e Prefeitos Municipais que Parnaíba havia tido até então, no período compreendido entre 1893 a 1995. Na sequência, em Histórias de Graciliano, o então presidente da Academia Piauiense de Letras M. Paulo Nunes faz uma breve passagem sobre obras e histórias do grande literato brasileiro Graciliano Ramos, dividindo o tema em quatro tópicos: Graciliano e o Ministério, Graciliano e os militares, Graciliano e Getúlio (Vargas) e Cartas de Amor de Graciliano.

Em A Diáspora, Renato Castelo Branco faz um roteiro por todas as divisões que o Brasil já teve, desde as geográficas até mesmo às imaginárias, utilizadas pelas diferentes épocas para facilitar o processo de situar-se dentro do território nacional. Fala um pouco sobre os ciclos áureos da economia de cada um desses eixos territoriais, ressaltando, por último, o êxodo urbano do Norte e Nordeste para o Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil. Elmar Carvalho segue a obra com seu discurso de posse na APAL, ocorrido em 09 de abril de 1994, quando passou a ocupar a cadeira 07 da instituição.

No conto Um Especialista, Assis Brasil relata a saga de Herodes, homem bem trajado, redator de publicidade, entendido de tudo um pouco e que ostentava seus conhecimentos aos amigos e também a suas cinco mulheres. Em A partir de Alice, Benjamim Santos relata a história de uma moça que morreu nas águas das praias de Amarração.A seguir, Pádua Ramos faz um leve esboço dos problemas sociais que assolam o Brasil, de como a sociedade acaba participando desse fenômeno, fazendo um estudo sobretudo filosófico, sociológico e também histórico sobre toda a questão que envolve a condução da máquina pública e da vida em conjunto.

Em Lendas dos Revoltosos, Manoel Domingos faz um apanhado do legado deixado pela Coluna Prestes, tanto no Piauí como no restante do Brasil, quando da sua atuação, ocorrida durante a década de 1920. Em seguida, na série Memórias Fotográficas, oito imagens de diferentes ângulos mostram a Praça da Graça e a Praça Landri Sales nas décadas de 1920 e 1930, praças hoje que são unificadas, com o célebre nome da padroeira de nossa cidade.

 Em Palavras aos Universitários, o já ex-reitor da UFPI, Charles Camilo da Silveira, endereça seu texto a todos os alunos da instituição, como uma carta aberta, mostrando a importância da educação na construção de uma nação mais justa e desenvolvida, abordando também aspectos éticos e filosóficos. Orfila Lima dos Santos, em Historiador e Professor, traz uma breve biografia de Odilon Nunes, nascido em Amarante, e que foi um douto em História do Piauí. Fundou várias escolas em vários estados do Brasil, escreveu vários livros sobre a história do estado, vindo a falecer em 1989.

Renato Neves Marques  em O Apóstolo dos Tremembés, faz um apanhado geral dos primeiros contatos do povo nativo da costa do Piauí com os portugueses, dos confrontos pelo domínio do território e sobre a figura do padre carioca João Tavares, um religioso que dedicou sua vida à causa indígena, tendo recebido a alcunha que intitulou o texto de Marques.

Já em Observações Preliminares sobre a Economia Parnaibana, Olavo Ivanhoé de Brito Bacelar faz o mesmo caminho de outros pesquisadores ao passar por todos os períodos econômicos vividos pela Princesa do Igaraçu, ao passo que, na segunda parte do texto, buscou trazer alternativas que viabilizassem a retomada desse desenvolvimento de outrora aos dias atuais, não só em Parnaíba, mas também de toda a mesorregião do norte do Piauí.

Israel Correia traceja os caminhos da poesia dentro das diferentes épocas, delimitando a atuação poética dentro da linguagem musical e da linguagem verbal. O economista Vitor de Athayde Couto problematiza a questão do desemprego estrutural e como isso afeta a vida do nordestino na questão do emprego e do trabalho, associando uma análise sobre o Welfare State (Estado de bem-estar social) e o Terceiro Setor. Entre as páginas 101 a 105, há singelas citações a poetas parnaibanos falecidos e um poema de cada, a saber: Soneto LXII, de Ovídio Saraiva, A Deus, de Luiza Amélia de Queiroz Brandão, As duas cidades, de Jonas da Silva, A virgem da graça, de Alarico da Cunha, Nortadas, de R. Petit, Saudade, de Jesus Martins, O Parnaíba, de Oliveira Neto, Acalanto, de Vicente Araújo e Arsenal, de Paulo Veras.

O professor e ex-prefeito de Parnaíba Lauro Correia faz, em Ensino Universitário em Parnaíba, uma trajetória histórica na educação da cidade, desde a criação do Curso Ginasial (atual Ensino Médio), na década de 1920, até a implementação dos primeiros cursos de nível superior. João Evangelista da Rocha faz um retorno ao passado de sua cidade natal Piracuruca e a sua relação com Parnaíba na crônica Parnaíba da Minha Infância Piracuruquense. Em Busca Mística, o poeta Adrião Neto viaja até o seu labirinto interior munido da vascular melancolia típica dos poetas.

O saudoso Rubem Freitas faz um trajeto pela biografia do empresário Pedro Machado, que, no ano de 1995, completava seus 100 anos de idade. João Maria Madeira Basto, em seu artigo Um Reparo, faz uma passagem pelo histórico do futebol parnaibano. Em Lendas? Histórias? Edmeé Rego faz um retorno à sua infância e adolescência e relata diversas curiosidades sobre sua família.

Em Berilo Neves, Notável Patrono, Bernardo Leão fez uma síntese biográfica do seu patrono na APAL, exaltando seus feitos literários como escritor. Na sequência, o então vereador e professor Antonio de Pádua Santos, ao rememorar a sua proposição do projeto para dar à rua da cidade o nome do agrimensor Alprim Silva Arri, relembra obras feitas com o objetivo de levar ao conhecimento geral do povo vida e obra de pessoas que dão nome a logradouros públicos, obras estas referentes a Teresina, São Luis, Caxias, indo até ao clássico local Cada Rua – Sua História, do cearense Caio Passos.

Na coluna Ensaio Fotográfico, a Pedra do Sal, a Lagoa do Portinho, o Porto das Barcas e a Av. São Sebastião são mostradas em duas fotos cada de diferentes pontos e ângulos.

No texto Só Realiza Quem é Capaz de Sonhar, Marc Jacob relembra sua missão em criar a escola Roland Jacob, fazendo comentários sobre a educação parnaibana e sobre o andamento que se estava dando a ela de uma forma geral. Logo após, Jorge Carvalho traz o poema protesto Reconstrução, seguido por Daniel Melo Souza, com seu poema Edifício.

Em Parnaíba, Lugares Por Onde Se Vê, Manoel Ricardo de Lima volta a uma detalhada e movimentada Parnaíba de seus primeiros anos de vida, mescladas às conversas e memórias do velho Jeremias. Já no artigo intitulado Origem e Evolução da Indústria Parnaibana, Francisco Filho faz um trajeto pelas diversas fases industriais de nossa cidade, desde a primeira, com Domingos e Simplício Dias da Silva, passando pela segunda, vinda com a Revolução Industrial e chegando até a terceira, iniciada por volta dos anos 1930 até o decaimento com o fim da Segunda Guerra Mundial, até os dias atuais.

Duas tabelas com o número de indústrias e empregados por gênero de atividade segue a série, tendo como fonte o Cadastro Industrial do Piauí – FIEPI, ano de 1981 para a tabela I e 1990-1991 para a tabela II. Em Homenagem a Minha Mãe, Lígia Ferraz exalta os 89 anos que sua mãe Iolanda havia completado naquele ano de 1995.

Em Do “Homem Sapo” ao “Homo Erectus”, Norma de Athayde Couto relata a ocasião em que ela e “um grupo de artistas, intelectuais com espírito de aventura, ou simplesmente pessoas curiosas”, se deslocaram de Salvador até São Raimundo Nonato, sul do Piauí, para uma excursão até o local onde está encontrado o vestígio mais antigo da presença do homem nas Américas.

Na seção Parnárias, nove poemas continuam a glorificar a bucólica Parnaíba, sendo eles Terra Natal, de Jonas da Silva, Parnaíba, de Jesus Martins, Pedra do Sal, de Edson Cunha, Pedra do Sal, de Alcenor Candeira Filho, Parnaíba, de Fernando Ponte, Parnaíba, de Oliveira Neto, Parnaíba, de Fernando Ferraz, Lagoa do Portinho, de Elmar Carvalho e Portinho, de autoria do poeta Jorge Carvalho.

Logo em seguida, Sólima Genuína faz um apanhado geral do histórico católico do Piauí, afunilando sua pesquisa especificamente em Parnaíba, desde o início, antes mesmo de ser vila, até a criação da Diocese em 1944, alcançando até àquela data. A saudosa acadêmica Maria Luiza Menezes homenageou seu irmão mais novo, Walter de Almeida Motta, fazendo uma linha do tempo de toda a sua vida, desde sua infância até a ida para o Rio de Janeiro, seus cargos, funções, honrarias, publicações, até sua partida desse plano, no ano de 1994.

Maria Christina de Moraes Souza faz um caminho linear desde o início da formação dos professores normalistas, a labuta dos que iam buscar formação superior em outros estados nas férias do trabalho, até a instalação do curso superior de Pedagogia em Parnaíba, tendo o primeiro vestibular aberto no ano de 1985, ressaltando, logo após, todo o legado e a importância do curso para a educação da cidade.

Fernando Ferraz expõe, em seu texto Parnaíba e o Novo, o histórico da primeira escola do Piauí fundada sob o método de ensino Montessoriano, a Escola Arco-íris, em Parnaíba, co-fundada por ele próprio no início da década de 1990, detalhando um pouco mais sobre a filosofia envolvida nessa metodologia e o pioneirismo dessa didática importada de São Paulo para o distante Piauí. Prossegue Flamarion Cunha com seu poema de clara inspiração concretista intitulado Casa Própria.

Prosseguindo a senda, a Loja Maçônica Alarico da Cunha homenageou o seu patrono, tracejando vida e obra desse maranhense que adotou Parnaíba como casa, onde trabalhou como administrador de duas empresas europeias, sendo fluente em várias línguas, além de espírita, maçom e literato.

Wilton Porto segue a veia biográfica do Almanaque falando sobre a obra do Dr. Marques Basto, considerado o segundo médico de Parnaíba. Porto detalha os passos do médico e visionário, além do homem que não à toa estampa nome do hospital-maternidade da cidade. Logo após, um anúncio do Banco do Brasil prossegue, nas páginas 188 e 189.

O funcionário da Caixa Econômica Federal, Bartolomeu Martins dos Santos, traz um histórico sobre a fundação da primeira agência da Empresa Pública em Parnaíba, desde quando era funcionário da Federação do Comércio Atacadista, até o ingresso como bancário efetivo, e finaliza a crônica com uma engraçada lembrança com um dos clientes do banco.

Logo após, mais anúncios de bancos figuram nas próximas páginas do Almanaque. O extinto Banco do Estado do Piauí (BEP) anuncia uma de suas formas de investimento. A Credi-Delta, primeira Cooperativa de Crédito Rural do Piauí, anuncia a inauguração de sua sede, que teve presentes figuras como o então governador Alberto Silva, o então prefeito Francisco de Assis Moraes Souza, entre outros. Em seguida, um pequeno histórico do banco paranaense Bamerindus, que esteve presente em Parnaíba na época. A Casa Marc Jacob anunciava logo após as 6 empresas que estavam em seu controle, figurando com pequeno histórico e o endereço de sua sede social.

Seguindo a seção de anúncios, a Curtume Cobrasil também traz seu histórico a conhecimento da sociedade, desde a localização de sua sede em Barcelona até seus objetivos nos diversos países onde possui filiais. E para finalizar, a Merck S/A Indústrias Químicas segue o mesmo padrão das empresas anteriores.

O apogeu dessa edição, sem desmerecer jamais as outras produções, mas destacando especialmente essa, é o discurso de Inauguração da Sede da APAL proferido pelo então presidente Lauro de Andrade Correia, fazendo o conhecido percurso desde a Academus de Platão até a Academia Francesa, fundada em 1635, que serviu de molde para a imensa maioria das academias de letras pelo mundo, até chegar à Parnaibana, fundada e instalada no ano de 1983. Foi feita homenagem a todos os fundadores, listados todos os acadêmicos presentes, ausentes e os que na data da solenidade já eram falecidos. A sede da APAL fica localizada na Rua Alcenor Candeira, número 662, Centro de Parnaíba, atrás da Câmara de Vereadores.

A obra prossegue com a ficha técnica da então Administração Municipal, que ocupou o executivo local entre os anos de 1993 e 1996, mostrando o quadro de prefeito e secretários, além de seguir detalhando todas as Realizações Municipais da gestão. E, por último, o Anuário Parnaibano de 1994, organizado pelo saudoso professor Iweltman Mendes, constando também como ficha técnica, mas dessa vez, de tudo o que possuía a cidade de Parnaíba até então, em múltiplos aspectos.

Jailson Júnior

  • Texto publicado originalmente na edição 154 de O Piaguí, em março de 2021.

Lançamento do 73° Almanaque da Parnaíba

	Na noite de ontem (27), foi lançada a 73° edição do Almanaque da Parnaíba. O evento, ocorrido no SENAC (BR-343), teve início às 19 horas, reunindo membros da Academia Parnaibana de Letras (APAL), vencedores do Concurso Literário promovido pela academia e convidados.
        Na mesa de honra, estavam: O presidente da Academia Parnaibana de Letras, jornalista José Luiz de Carvalho; Arlindo Ferreira Gomes Neto, o Arlindo Leão, Superintendente Municipal de Cultura da Parnaíba, representando o Prefeito da Parnaíba, Acadêmico Francisco de Assis de Moraes Souza; Carlson Pessoa, Presidente da Câmara Municipal da Parnaíba; Primeira Tenente Maira Silva, da Capitania dos Portos do Piauí, representando o Capitão de Mar e Guerra, Maxwell Denigres; Acadêmico Claucio Ciarlini, Antônio Gallas Pimentel, Antônio de Pádua Marques Silva, Maria Dilma Ponte de Brito e Roberto Cajubá da Costa Britto; Além da Doutora Maria Fernanda Brito do Amaral, representando a Ordem dos Advogados do Brasil do Piauí (OAB-PI).
	A solenidade teve início com as palavras do presidente da APAL, o jornalista e escritor, José Luiz de Carvalho, que agradeceu a todos que apoiaram e os que se faziam presentes. Na sequência, o poeta e também acadêmico Diego Mendes Sousa (*) discursou sobre a história do Almanaque e prestou bela homenagem a Assis Brasil (capa da edição) e Mestre Ageu. Em seguida, houve a apresentação do Almanaque em questão, pelo acadêmico e escritor Claucio Ciarlini. O jornalista e membro da APAL, Antonio Gallas Pimentel também fez uso da fala, onde discursou sobre o Projeto Academia Viva.
	Por fim, os vencedores do Concurso foram chamados por categoria para receberem o diploma de mérito literário, como também os merecidos aplausos da plateia que contou com mais de 150 pessoas, que, concluída a solenidade, puderam apreciar um farto coquetel regado a fotos e confraternização.

	Abaixo, segue a apresentação do 73° Almanaque da Parnaíba, por Claucio Ciarlini:

Boa noite, confrades e amigos! E a todos aqui presentes!

	Cumprimento os componentes da mesa de honra, através de nosso Presidente José Luiz de Carvalho e já inicio agradecendo a Deus, que nos concedeu a dádiva de estarmos todos aqui, principalmente depois de dois anos de pandemia, que nos levaram tantos amigos, escritores, jornalistas, músicos, professores, dentre muitas outras categorias igualmente importantes para nossa cidade.
	 Em segundo, gostaria de agradecer em nome da comissão organizadora do nosso almanaque, àquele, que algumas vezes já falei, mas aqui novamente repito... Nosso apoiador, o maior Mecenas que a Parnaíba já viu: o confrade e amigo, Francisco Valdeci Cavalcante! 
	Agradecemos também nosso presidente da APAL, José Luiz de Carvalho, um incansável na batalha pela cultura, que me fez o convite no princípio de 2020, para que eu fizesse parte desta importante comissão organizadora composta por grandes nomes da Literatura Piauiense: Antonio Gallas, Diego Mendes Sousa, José Wilton Porto e Maria Dilma Ponte de Brito. Além de nosso presidente, José Luiz de Carvalho, que apesar de não constar o seu nome entre os organizadores, está sempre ali, nos ajudando. 
	Agradeço também em nome da comissão, a todos acadêmicos que colaboraram nesta edição, abrilhantando-a com sua escrita e arte.
	Aos vencedores do Concurso Literário, nosso acalorado aplauso, além de nossa profunda gratidão! Saibam que os vossos textos vieram somar, e muito, para com esta edição. E não falo apenas em termos de volume, mas principalmente de extrema qualidade! A poesia, o conto, a crônica e o artigo, tudo em grande excelência. Agradecemos à comissão julgadora do concurso, composta por Maria Dilma Ponte de Brito, Maria do Rosário Pessoa Nascimento, Altevir Esteves, Antônio de Pádua Ribeiro dos Santos, Antônio de Pádua Marques, Wilton Porto, Elmar Carvalho e Diego Mendes Sousa.
	Uma edição mais que especial, e que, infelizmente, só não será totalmente festiva, por conta do luto que nós, acadêmicos, e toda a cidade de Parnaíba ficamos, devido à perda de grandes cidadãos que muito fizeram por nossa sociedade, por nossa história, por nossa escrita, dentre outros aspectos, no que inicio uma afetiva homenagem, um tanto poética, porém humilde, no instante em que digo que...

Tem algo de diferente neste Almanaque.
As cores azul e branca estão aqui, como de costume, 
Porém carregam certo tom nostálgico, 
Misto de saudade e silêncio. Ainda que em celebração e ternura.

A poesia foi forte neste Almanaque. 
A prosa não fez por menos. 
24 acadêmicos emprestaram sua escrita. 
Somados aos 18 do Concurso Literário, 
Quarenta e dois talentos.
Todavia, um deles nos deixou.
Confrade Renato Bacellar. Um enorme coração, 
Em meio a estas páginas que agora pulsam.
Ele representava o melhor de nós. A Parnaíba em luto.
Assim como em luto ficou, diante da partida de outro importante filho: 
Dr. Francisco de Assis Cajubá. Homem dos mais íntegros deste estado.

Homenagens merecidas foram feitas neste Almanaque.
O núcleo gestor escolheu Assis Brasil como capa.
Confrade Diego Mendes Sousa foi escalado para tão nobre missão.
Para nossa tristeza, o autor de Beira Rio, Beira Vida abandonou este plano. 
Uma homenagem em vida se tornou póstuma. 
O mesmo ocorreu com o Mestre Ageu. 
Diego o homenageou em vida,mas não houve tempo. 
Tornou-se história, antes que a sua fosse impressa.
Alguns já tinham nos deixado, 
o amigo Canindé Correia e o poeta Jorge Carvalho.
Que receberam importante homenagem, 
vinda de nosso confrade e amigo Elmar Carvalho.
Cidadãos que a nossa cidade perdeu, 
Em meio a um período tão tenebroso.

Porém entre as homenagens, 
há uma que carrega apenas a leveza da alegria,

A de Maria Dilma Ponte de Brito e seus filhos, Dante e Breno, 
Que construíram um passeio literário à Parnaíba. E dos mais felizes.

Também falei de nossa cidade, 
mas através dos meus lugares de memória.

Artigos também foram inseridos neste Almanaque. 
Pesquisas que percorreram pontos de cultura e memória,
registros de diferentes cidades do nosso Piauí.
Os eventos de uma Academia cada vez mais viva
a atualização de membros e suas respectivas cadeiras
numa revisão bem mais minuciosa
organização sempre muito comprometida
diagramação e impressão 
de extrema qualidade. 
Obra prima da Sieart.

No que é preciso declarar a minha imensa gratidão
por mais essa oportunidade, 
de estar entre aqueles 

que atuam na produção deste, 
que é o mais importante periódico 
de nossa história e da nossa literatura
Obra cuja existência desta, 
e de edições anteriores, 
se deve a ao nosso mecenas: Valdeci Cavalcante.

E gostaria de encerrar minha fala, 
homenageando as produções 
que venceram um concurso, 
pra lá de disputado, quando:

Eu digo que a literatura venceu
E a história também
No momento em que nasceu
Um Almanaque

Onde se visita 
Serra do Morcego, 
Com suas pinturas e lendas
A nos encantar
Vila dos Morenos 
Seu povo e suas histórias
A se eternizar
Templo de Frecheiras
De fé, natureza e mistérios
A se registrar

Em seguida, de um banco sem banco
Logo passar a observar
Amor à primeira vista
Da Espinha Dorsal da Cidade
Vislumbrar, 
Junto dos vizinhos
A megalomania de um famigeraldo

Para depois, entre vozes e passos da Graça
Com o braço direito erguido
Profundo amor à vida
Tenta-se sobreviver, ao clima, consumo e ego
Em meio àquela saudade... Com gosto de vó!

E por fim... Ou melhor, depois do fim
Se encontrar
Com a boa e amiga poesia
Para se contar 
As lendas de um bairro, 
Que costuma se dizer, que com um sopro
Consegue-se revelar, 
Tudo! Até mesmo a geografia de Vênus!

E por último, sim, a literatura venceu!
E a história também!
É hora de celebrar... 
O nascimento de um Almanaque
Que com certeza, jamais será esquecido!

Muito obrigado!

Claucio Ciarlini, 27 de maio de 2022.

(*) Para conferir discurso do poeta Diego Mendes Sousa, basta clicar em: https://www.portalentretextos.com.br/post/lancamento-do-almanaque-da-parnaiba-discurso-de-diego-mendes-sousa

ESPECIAL: Ajosé Fontinelle, por Claucio Ciarlini

Teatro 4 de Setembro: aula-espetáculo.
Um pouco da essência daquele que inspirou milhares
(e ao som de November Rain, dos Guns and Roses)

      "Uma tempestade seca, terrível e medonha, como as há frequentemente nas faldas das serranias, desabava sobre a terra. O vento mugindo açoitava as grossas árvores que vergavam os troncos seculares; o trovão ribombava no bojo das grossas nuvens desgarradas pelo céu; o relâmpago amiudava com tanta velocidade, que as florestas, os montes, toda a natureza nadava num oceano de fogo. (ALENCAR)”

Olhos, repletos de emoção
As mãos a gesticular
Corpo a bailar, saltar
Enquanto palavra era ação

	A sala de aula há muito já não existia... A mata era o ambiente, e por detrás das árvores ao invés de carteiras, espiávamos toda a aventura existente no romance O Guarani... Os desafios que Peri enfrentava... No que fomos conhecendo cada personagem, todos eles habilmente interpretados por um homem... O narrador, ao mesmo tempo ator, nosso eterno professor Antonio José Fontenele da Silva, que não ministrava aula, nos oferecia um espetáculo a cada dia:

Gigante na sua inspiração
Sala inteira a encantar
Entregue a falar, cantar
A arte de encenar era lição

	Era época do ensino médio, primeiro ano, da década mais inesquecível e conturbada de nossas vidas. Dúvidas, inquietações, decepções, surpresas, conquistas, tropeços, tudo ali misturado e nos causando, muitas vezes, um desligamento do que acontecia à nossa frente, a citar: professor(a) e lousa. Porém, quando a aula era do Antonio José, problemas e dilemas sumiam... Tudo era deixado de lado... Até as paixões platônicas eram guardadas na gaveta... 

Atingia-nos com profundidade
Mente e coração abertos
Armado de grande criatividade

	E dessa forma, aprendíamos, não apenas o conteúdo, mas que poderíamos ser bem mais que estudantes... Poxa, o que quiséssemos! Minha escrita nasceu ali. De alguns amigos também. E veio depois o Teatro (via SESC). Também o Cinema (Festival). O Impresso Cultural (Boca do Povo). Tudo isso ocorrendo num pequeno intervalo de tempo em Parnaíba, Colégio Delta, 1996 a 1999, e Antonio José tendo a ver, fosse direta ou indiretamente, com tudo isso.

Nas aulas de mil aprendizados
Deixando-nos despertos
Seus atos já muito eternizados

	E nem ao menos suspeitávamos, devido ao grande talento e conhecimento que Antonio José nos demonstrava, que aqueles eram os primeiros anos da carreira como professor. Hoje em dia mais conhecido como Ajosé Fontinelle, nascido em 03 de janeiro de 1975 aqui mesmo, em Parnaíba, de onde teclo, enquanto sigo a repetir a canção do Guns (tão épica quanto ele) e me permitindo nesse momento até mesmo roubar do site Geleia Total (os amigos Noé e Alisson que me perdoem) alguns trechos da matéria especial e merecida sobre aquele que inspirou milhares:

	Filho de Edimar Pacheco da Silva, comerciante, e Maria Helena Fontinele da Silva, dona de casa, Ajosé Fontinelle relembra com carinho como os pais investiram na educação do filho mesmo sem terem concluído o ensino fundamental. Apesar de vir de uma família humilde, Ajosé relembra que os pais se sacrificaram para que ele estudasse no Colégio das Irmãs de Parnaíba onde estudou dos três anos de idade até o final do ensino fundamental. Essas experiências vivenciadas e proporcionadas pelos pais foram imprescindíveis para que Ajosé acumulasse boas referências. Além do incentivo familiar a literatura brotou como uma vocação, pois desde cedo ele foi um frequentador da Biblioteca do Sesc, local onde conheceu os clássicos da literatura.

	Ainda da excelente matéria escrita por Alisson Carvalho para o site Geleia Total:

	Ajosé Fontinelle passou a infância e adolescência em Parnaíba e nesse período vivenciou a efervescência dos eventos e cursos promovidos pelo Sesc da Rua Grande. Lá era o centro de encontro para os diversos workshops com profissionais vindos de várias partes do país com destaque para as artes cênicas. Ajosé experimentou um pouco de direção, atuação, circo e confecção de máscaras de teatro. O seu tempo se dividia entre a escola e as atividades do Sesc e de tanto frequentar o lugar um dia ele foi convidado para atuar na Via Sacra quando tinha apenas treze anos de idade. Desde então ele não largou mais os palcos, aproveitou todas as oportunidades que pode de interpretar os papeis oferecidos e foi galgando um caminho no teatro. Ajosé dedicou-se aos papeis interpretados com a mesma entrega, pois, segundo o artista, não importa o status em cena e sim a entrega do intérprete já que o papel não deve determinar o esforço do ator. 

	Essa mesma entrega aos palcos, Ajosé dedicou ao trabalho como professor, muitas vezes unindo as paixões, tornando assim suas aulas pra lá de empolgantes e inspiradoras. 
	A repercussão de seus feitos foi tamanha, que resultou na mudança para Teresina em 1997. De lá pra cá, seguiu a continuar batalhando pela Educação, pela Cultura e pela Literatura, conquistando diplomas, reconhecimentos e certamente o coração das inúmeras turmas que, assim como a nossa, tiveram o privilégio de conhecer esse sensível que transmite arte em tudo que faz. Atualmente, professor do Educandário Santa Maria Goretti, Instituto Educacional São José e diretor e apresentador do programa Enem para todos, na Rede Meio Norte.

	E se já há algum tempo, tenho a coragem para me aventurar na escrita e no magistério, muito devo a esse mestre, no que tento seguir o seu extraordinário exemplo, buscando ser, quem sabe, ao menos metade do que ele é e do que representa para tanta gente. Todas as vezes que Ajosé entra numa sala de aula ou sobe num palco, aparecendo num vídeo ou publicando suas letras, seja como for, uma coisa é certa: alguém será atingido e transformado, e da forma mais positiva que se possa imaginar, porque...

Ajosé é um herói feito Peri 
Que inspira a tantos e tantas
Resistindo às muitas tragédias
Na busca de salvar a quem ama
Se tornando, a cada dia, uma lenda
Biografia a ser admirada e reconhecida
Neste nosso Brasil, tão repleto de vilões.

Claucio Ciarlini (2022)

Foto: Ícaro Uther

Sobre Ajosé Fontinelle: Escritor, ator, cineasta e professor de literatura e interpretação textual (desde 1997) é Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Piauí. Autor das obras “Concílio dos Deuses” (premiada no Concurso Novos Autores de Teresina de 2008 na categoria Peça Teatral), “Cabeça de Cuia – o homem” (peça teatral publicada na antologia Dramaturgia piauiense, organizada por Ací Campelo, 1998) e “Caminhos por onde andei: as telecomunicações nos séculos XX e XXI” (2015). Autor dos livros inéditos “Jurupari” (premiada com o segundo lugar nos Concursos Literários do Piauí em 2006 na categoria novela, prêmio O. G. Rêgo de Carvalho), O louco e a imperatriz (poesia), Auto da divina traição (peça teatral), Complexo de Jeosá (contos) e Ulisses entre a literatura e o cinema (adaptação da dissertação de mestrado). Nas artes visuais Ajosé dirigiu o longa “O confidente” (2006), além das análises de obras literárias “Leitura obrigatória” (2010) e “CPI da literatura” (2011). Dirigiu e elaborou o roteiro dos curtas “O Assassinador” (2016) e “O Clube dos Sete” (2017). Também idealizou e coordenou o Festival de curtas-metragens “Curta CPI” (de 2008 a 2017). Ajosé também dirigiu e apresentou o programa semanal no canal Band Piauí “Então prova, professor!”. (Fonte: Geleia Total)

Confira mais sobre Ajosé Fontinelle, clicando:

Aula Magna: https://www.youtube.com/watch?v=4A7_R-ckGMI

Blog: ajose1150.blogspot.com

Abaixo, algumas imagens do acervo de Ajosé Fontinelle:

Vencedores do Concurso Literário Almanaque da Parnaíba serão homenageados!

A 73° edição do Almanaque da Parnaíba, além das produções de membros da Academia Parnaibana de Letras e uma homenagem ao saudoso escritor Assis Brasil, traz os textos dos vencedores do Concurso Literário promovido pelo periódico e que abrangeu as categorias: Contos, Crônicas, Poesias e Artigos. 

O concurso teve ampla participação e os cinco primeiros de cada categoria tiveram seus textos publicados. A Comissão Julgadora foi composta pelos seguintes acadêmicos:  Maria Dilma Ponte de Brito, Maria do Rosário Pessoa Nascimento, Altevir Esteves, Antonio de Pádua Ribeiro dos Santos, Antonio de Pádua Marques,  Wilton Porto, Elmar Carvalho e Diego Mendes Sousa; e na organização do concurso o presidente José Luiz de Carvalho, o secretário-geral Antonio Gallas e o acadêmico Claucio Ciarlini.

O Almanaque da Parnaíba 2021 será lançado no dia 27 deste mês, às 19:30, no SENAC (BR – 343). Na ocasião, haverá homenagem aos vencedores do concurso literário através da entrega de diplomas e exemplares aos participantes.

Abaixo segue a relação de modalidades e escritores:

VENCEDORES DO CONCURSO LITERÁRIO ALMANAQUE DA PARNAÍBA - 2021

Artigos (*):

F Gerson Meneses
João Araújo Passos
Marciano Gualberto

Contos:

1° - Licurgo Montenegro Neto
2° - Antonio José S. Sales
3° - Paulo Costa
4° - Marcello Silva
5° - Daniel Souza Braga

Crônicas:

1° - José Marcelo Costa dos Santos
2° - Benedito de Lima
3° - Edna Maria Silva Santos
4° - Karoline de Carvalho
5° - Rodrigo C. Ciarlini

Poesias:

1° - Jailson Junior
2° - George da Silva
3° - Vivianne de Oliveira Costa
4° - Thaís Fontenele Barros
5° - Luan Machado de Oliveira


(*) O concurso objetivou classificar cinco candidatos do primeiro ao quinto lugar, entretanto apenas três artigos foram enviados, o que impossibilitou constituir uma Comissão Julgadora para a modalidade, todavia, os artigos recebidos estão publicados no Almanaque e os escritores também receberão seus diplomas.

ANTÔNIO CABELIM: CORAÇÃO E BRAÇOS DO BAIXÃO DO UMBUZEIRO (PI)

ANTÔNIO CABELIM: CORAÇÃO E BRAÇOS DO BAIXÃO DO UMBUZEIRO (PI)


Por Eduardo Pontin
Fotos: Francisca Sousa

Quando perguntado em que Era havia nascido, Antônio Raimundo Torres, popularmente conhecido por Antóim Cabelim, costumava responder: “Na Era da fome”. Uma maneira de dizer que havia nascido em 1932, ano das mais severas secas do Piauí, retratado inclusive no conto “32” do grande escritor picoense Fontes Ibiapina. Cabelim foi homem pra tudo. Não foi rei porque pelas bandas do interior do Piauí todos são senhor de seu próprio destino, mas foi muito mais que rei. Foi braços, mãos, mente e coração do povoado que ainda hoje é conhecido pelo poético nome de Baixão do Umbuzeiro, município de Wall Ferraz, antiga localidade chamada de Ilha Estadual, no Centro-Sul do Piauí.

Antônio Cabelim nasceu no povoado Riacho, que hoje faz parte do município de Floresta do Piauí. Foi o primeiro de muitos filhos de José Raimundo Torres e Izabel Vicença da Conceição, a Belinha. Para escapar da fome, com pouco tempo o casal se mudou com Antônio Cabelim ainda criança mais outros filhos para o povoado Cajazeiras, município de Picos. De lá, conforme a família ia aumentando, a peregrinação continuava para outros povoados da região, como Baixi, em Paquetá.


O apelido Cabelim vem de seu avô, o cearense Raimundo José Torres, o primeiro da família a bater em retirada rumo ao Piauí em busca de terras onde a chuva fosse mais clemente. Com cabelo ralinho, não tardou para o povo o sair chamando Raimundo Cabelim. Com o povo é assim, o defeito mais vistoso se transforma no apelido da pessoa. O apelido “Cabelim”, Raimundo passou para o filho, que passou para o neto que já passou para o seu bisneto.
Ainda jovem, Antônio Cabelim encontrou o amor de sua vida, Dona Pequena, e botou na telha que ia se casar, mesmo sem um tostão furado. Peitou família, e, assim como na quadra da Lezeira, dança mais popular da região, disse a tua mulher: “Minina, tu qué, eu quero/Tua família num qué/ Ti assustenta a tchia palavra/Se arrebenta quem quisé”.

E assim foi feito! O casal morou 4 meses no povoado Cajazeiras e 8 anos no povoado Carnaúba, mas quando Cabelim deu pra conhecer o Baixão do Umbuzeiro, se encantou como se tivesse encontrado a terra prometida. Num negócio louco que envolvia entrada e prestações, comprou um terreno e arrochou o pau, brocando e limpando o lugar para construir a casa que seria o lar da sua família.
Ao chegar com Dona Pequena no Baixão do Umbuzeiro em fins dos anos 1950, o povoado era algo como Fontes Ibiapina descreveu no romance “Tombador” (1971): “Quando ali chegaram, não havia vivalmas para remédio por aquelas bibocas. (…) era um mundão folote de terras. Mas inculto, seco de tinir durante o verão. E desabitado. Só aquele chapadão sem fim, e pronto”. Mas Antônio Cabelim não esmoreceu, assim como o personagem Bernardino do romance de Fontes: “Aquilo era que era ser homem de sangue no olho! Estudou o problema com gosto e carinho. Mediu, palmo a palmo, circunstâncias e possibilidades. Adereçou os apetrechos. E meteu os peitos”.

Por esse período, enquanto construía a casa, morou de julho a outubro debaixo de um grande pé de juazeiro junto com a esposa, a filha primogênita Inácia e o filho que haviam pego pra criar, Zé Cabelim. Dormiam em rede. Dona Pequena relata que certa noite viu um movimento ziguezagueado num dos troncos do pau e avisou Antônio Cabelim, que pediu que ela aquietasse e dormisse. Eram cobras. Nada aconteceu a ninguém.
Pouco depois, já com um cômodo da casa construído, Antônio Cabelim se mudou com a família e firmou residência no Baixão do Umbuzeiro, terra que com inverno bom chegava a dar 40 quartas de feijão.

Cabelim trabalhou duro na roça e foi adquirindo pedaços de terra. Protegia suas propriedades com cercas feitas de pedras. Com suas mãos, ia pegar as pedras no mato, que eram transportadas no lombo de jumento e depois as colocava, uma por uma. Ainda hoje as cercas de pedra estão lá, de pé.

Cabelim trabalhou de sol a sol e passou a dominar todas as etapas de produção do que sua família necessita para viver. Sua casa foi construída com adobes que ele mesmo fazia, retirando barro da natureza, o misturando com estrume de gado e os juntando com os pés. Depois de ganhar consistência, colocava o barro em formas para adquirir o formato de tijolo e o botava para secar ao ar livre. As vigas de sua casa são de árvore de carnaúba. As telhas são de barro e ele mesmo as fez. Não comprou nada, fez tudo com as próprias mãos.

Com o entendimento que adquiriu fazendo sua própria casa, Cabelim começou a receber empeleitas para construir casas no Baixão do Umbuzeiro, o que fazia com extremo cuidado e competência, a um preço justo.

Também não comprava nada do que ele e sua família comiam. Plantava o arroz e o feijão. Da plantação de macaxeira, produzia farinha de goma em sua casa de desmancha para ter beiju o restante do ano. Quando a situação apertava, Cabelim ia buscar caça do mato: tatu; peba; lambu; rolinha etc. Aos poucos, foi adquirindo pequeno criatório de gado, bode, porco e galinha.
Produzia o currulepe que ele, sua mulher e filhos calçavam. Também confeccionava o surrão de couro para armazenar os legumes dos invernos bons e ruins. Em tropa, ia tangendo animais e percorria grandes distâncias para vender e comprar mercadorias como farinha e feijão. Muitas foram as viagens até os Picos de pés.


Antônio Cabelim foi um dos primeiros homens a movimentar a economia local do Baixão do Umbuzeiro, contratando trabalhadores para roça. Pessoas hoje com pouco mais de 40 anos contam que davam um jeito da enxada quebrar para terminar o trabalho do dia, pois ninguém segurava o rojão do velho Cabelim, que trabalhava até o sol dar seu último suspiro do dia.
Antônio Cabelim tinha um coração enorme. Quantas não foram as pessoas que iam lhe tomar dinheiro emprestado para tentar a sorte em São Paulo sem nenhum juros. Inclusive, muitas dessas pessoas lhe davam o calote, o que era sempre perdoado por ele. Cabelim e Dona Pequena tiveram uma filha, Inácia, e criaram mais dois, Zé Cabelim e Toinha. Sem contar os inúmeros agregados, a casa vivia cheia com muitas bocas para alimentar.


Mas sua casa era lugar de fartura, pois com o seu trabalho na roça conseguia tudo o que precisava para sustentar os seus. Antônio Cabelim, além de ser humano sem igual, foi um homem de visão. Pensou e amou o seu Baixão do Umbuzeiro, terra de onde nunca saiu nem imaginou deixar para viver as ilusões da cidade grande.
Na mesma casa que construiu em fins de 1950, hoje em 2022 ainda não há televisão ou internet. Assim, mesmo nos dias atuais quase todas as noites filhos, netos e bisnetos de Cabelim e Pequena se reuniam na ponta de terreiro de sua casa para conversar e ouvir as estórias de trancoso que o velho sabia contar como ninguém.

Seu Cabelim e Dona Pequena ainda hoje preferiam dormir em redes paralelas, sustentadas nos troncos de carnaúba, na sala. Mesmo com geladeira em casa, nunca se desfez do pote de barro, que vive devidamente abastecido para quando a energia acabar não faltar água fresquinha.

Mesmo com fogão a gás, nunca dispensou o fogão a lenha, que inclusive era muito mais utilizado.

Já com idade avançada, gostava de ficar sentado no alpendre de sua casa nos finais de tarde, esperando as poucas cabeças de gado que lhe restavam pra remédio chegarem. Elas pareciam reconhecer o seu dono, pois ficavam ali na cerca, à espreita. Quando alguém brincava que queria comprar o seu gado, ele dizia que não vendia, e justificava: “o gado é a corda do meu coração”.

Cabelim viveu para os seus e para o Baixão. Aos 80 anos foi acometido pelo Mal de Alzheimer. Não largou o trabalho, o trabalho é que largou ele.
Cabelim tinha um bom-humor contagiante, era um contador de histórias fino. Embora sem estudo, possuía vocabulário rico, vivíssimo, com imagens poéticas de dar inveja a poetas eruditos. Tudo o que fez aprendeu vivendo, na prática, observando e tentando fazer.

A história de Antônio Cabelim não é única, ela é um retrato de boa parte do povo piauiense e nordestino de outrora, que com grande coragem e disposição, enfrentou a vida com gosto de gás e transformou o mundo ao seu redor com as suas próprias mãos.
Antônio Raimundo Cabelim partiu desse plano aos 89 anos, no dia 27 de março de 2022, mas está vivo em seu amado Baixão do Umbuzeiro, povoado que pode ser definido pelos versos poéticos do grande Cantador de Viola picoense Barrazul, que ele tanto admirava:

“Orgulhoso eu sou por ter nascido
A três léguas de Picos, a Oeste
Clima quente, distante do agreste
Entre os morros da Data Boqueirão
No recanto mais pobre do sertão
Nos carrascos mais secos do Nordeste”.

Discurso de Posse de Claucio Ciarlini na Academia Mundial de Letras da Humanidade

Boa noite! Gostaria de agradecer a todos aqui presentes e dizer o quão honrado estou por tomar posse nesta academia que carrega o importante lema da HUMANIDADE junto a três cidadãos que honram qualquer grupo ou entidade que ingressarem, tanto por seus inúmeros serviços prestados nos mais diversos campos, como por seu caráter. Dr. Valdeci Cavalcante, Dr. Denis Cavalcante e o Desembargador José James Gomes Pereira. No que deixo meus cumprimentos aos três confrades, como também minha gratidão por todo o apoio, não só a mim, mas à Cultura e às Artes em nosso Estado. Cumprimento também, e agradeço, ao Presidente da Academia Mundial de Letras da Humanidade: Dr. Camilo Martins e aos amigos e escritores Maria Dilma Ponte de Brito e José Luiz de Carvalho (presidente da seccional de Parnaíba e Região Norte do Piauí da AMLH). Tendo sido, os últimos, Maria Dilma e José Luiz, os maiores incentivadores para o meu ingresso, tanto nesta Instituição de caráter mundial, quanto na Academia Parnaibana de Letras, nossa querida APAL. Cumprimento também a todos os acadêmicos e autoridades aqui presentes na mesa de honra.

           Sentimento de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade, em relação aos desfavorecidos. São características inerentes à palavra Humanidade, que inserida no nome de uma Academia de Letras, e principalmente uma Academia de abrangência mundial, é algo que vem a fortalecer, tanto a base, como as missões deste sodalício.

Humanidade é o que jamais faltou ao meu patrono e tio-avô Clauder Ciarlini, que nasceu em Teresina, no dia 24 de outubro de 1928, mas morou em Parnaíba a maior parte de sua vida.

Clauder Ciarlini

Desde criança foi músico, tocava violão clássico com maestria. Trabalhou em várias empresas da cidade, dentre algumas: Roland Jacob, Banco do Brasil e Delta. Por fim, trabalhou no Grupo Santos – Indústria e Comércio. Foi membro da Maçonaria e da Ordem Rosa da Cruz. Ao falecer, no dia 19 de maio de 2008, deixou sete filhos (Adélia, Clauder, Clauber, Claudete, Claucione, Claudius e Clauciane) além de inúmeros netos e bisnetos. Tio Clauder, como o chamava, irmão de meu avô, tinha, a meu ver, como maior qualidade, a humanidade, bem trabalhada através das suas: simplicidade e a sabedoria. Aprendi muito sobre a vida, sobre o mundo e sobre as pessoas conversando com ele. Era um ser iluminado, em toda a sua essência. E quem diz isso não é apenas um sobrinho-neto que tanto o admirava, mas alguém que conviveu com ele e o tinha como amigo, o escritor Marçal Alves Paixão, que relata em texto publicado no Almanaque da Parnaíba, edição 2019/2020:

“Clauder Ciarlini foi um ser humano verdadeiro. Rico em virtudes morais, cumpriu sua missão com dignidade em todos os setores da vida, com dedicação integral à família e ao trabalho. Era Maçom e tinha como filosofia moral o Espiritismo, procurando ser uma pessoa altamente espiritualizada; gostava de ajudar as pessoas e fazia muitas caridades, além das materiais. Como profissional, deixo sua marca positiva de conhecimento e sabedoria, em todas as empresas onde trabalhou. Como chefe de família, foi exemplar, como esposo, como pai, como avô, bisavô… Preocupava-se com o bem estar de todos. O Ciarlini era um homem realmente preparado, sempre atualizado, fazia questão de dividir os vastos conhecimentos com os demais; era uma verdadeira enciclopédia. Integro, ético, tratável com todos e de uma reputação ilibada.”

           Quando da partida de meu tio-avô, e a partir de agora também Patrono, prestei uma humilde homenagem:

           Nesta segunda feira, o mundo tornou-se um pouco mais escuro, as estrelas intimidaram-se, pois não puderam ouvir a respiração dele… A lua, melancólica, perguntou o porquê de tamanha pressa, não obteve resposta, então fechou os olhos… Por décadas, iluminou o caminho, de quem por ele foi tocado, fosse através de suas sinceras palavras e conselhos, ou através das doces melodias de seu violão… Não há como evitar as lágrimas que deixou, ao partir em busca de descanso, não da vida, pois a adorava… Mas sim do corpo, que já não mais atendia às suas expectativas…  No velório, rostos diversos chegavam de todas as partes, um luto se fez por toda a Parnaíba, e porque não dizer, por todo universo… Se apenas por um nome pudéssemos defini-lo, seria sensibilidade… Ele trazia sempre consigo essa sensação e fazia despertar na gente, a mesma, preenchendo de amor e esperança cada pensar… No último adeus, em seu enterro, homenagens merecidas foram prestadas, e por um momento chegamos a sentir que poderia passar apenas de sonho, que talvez ele não tivesse feito sua derradeira viagem… Então o sol surgindo, em nossa frente, nos fez voltar à realidade… E perceber, que deve ter sido ele, Clauder Ciarlini, criando mais uma boa ilusão pra nos consolar… Como sempre fez!

           Pessoas como o meu saudoso tio-avô Clauder Ciarlini e minha eterna Vomãe Francisca de Oliveira Carvalho, foram grandes exemplos de HUMANIDADE que tive em minha vida e que busco ao máximo seguir os ensinamentos deixados por ambos, tanto em meus trabalhos no campo da educação, como da cultura ou da literatura. Nas salas de aula de escolas e universidades por onde passei nos últimos vinte anos, busquei não apenas repassar conhecimento, mas ensinar valores humanos, de cidadania e de fraternidade. Através do jornal O Piaguí (que já dura 15 anos) e outras obras que editei/ organizei, o lema nunca foi apenas informar, divertir ou fazer refletir… Mas oferecer oportunidades, revelar talentos, trazer felicidade, servir de pontapé, de incentivo. E no que diz respeito aos meus escritos, a maior emoção que já me trouxeram, e para além da alegria de um aplauso ou reconhecimento, foram as vezes em que alguém revelou que minha poesia ou crônica serviu de ajuda, no que destaco, para além de meus poemas que desempenharam esta função, as entrevistas que fiz com personagens de Parnaíba, homenagens literárias sinceras, adaptadas para um livro chamado Parnaíba, por quem também faz por Parnaíba. Meu quarto livro e de qual mais tenho orgulho. Orgulho que só não é maior do que o que tenho das quatro mulheres da minha vida: Rosângela de Oliveira Carvalho (minha mãe), Ana Roberta Campos Ciarlini (minha esposa) e Carolina e Ingrid Ciarlini (minhas filhas). Muito obrigado por todo o amor, carinho e paciência durante esses anos entre tantos trabalhos e projetos.

           No mês em que alcanço 41 anos de vida e 26 como escritor, tendo a alegria de já atuar há 20 anos na Educação e na Cultura, é preciso agradecer a todos que direta ou indiretamente foram responsáveis por minha evolução e amadurecimento até aqui. Inicialmente a Deus, depois minha família; também os amigos leais, os autores que me inspiraram e até hoje os leio e coleciono; os professores que muito me ensinaram, em especial os mestres de literatura e história; os amigos, colegas e escritores da época de escola, da faculdade e dos dias atuais; os amigos que fiz nas escolas por onde já trabalhei, professores e alunos; o amigo e sócio no Piaguí e outros projetos, o diagramador Fábio Bezerra; os irmãos/filhos de Versania; os companheiros de escrita: da coleção Entre Gerações, do Piauí Poético, do Piauí em Letras, da Academia Parnaibana de Letras, do Clube dos Poetas Mortais, do Ateliê Poético, dentre outros. A lista de pessoas com as quais interagi durante esses anos culturais é extensa. Porém irei mencionar alguns: Rodrigo Ciarlini, Leandro Ciarlini, Bernardo Borges Silva, Bruno Carvalho Neves, Francisco Loiola, Israel Machado, Frederico Osanam, Maxwell Martins, Josué Calixto, Carlos Pontes, Marciano Gualberto, Marcello Silva, Luana Silva, Alexandre Cesar, Carvalho Filho, Ana Ferreira, Paulo Couto, Daltro Paiva, Tiago Fontenele, Zilmar Junior, Leonardo Rodrigues, José Luiz de Carvalho, Morgana Sales, Wilton Porto, Antônio Gallas, Maria Dilma Ponte de Brito, Mauro Sousa, Elmar Carvalho e Jailson Junior. Alguns são como pais, outros irmãos e alguns, como se fossem filhos.

           Parnaíba vive um grande momento cultural, onde diversos grupos, e acabo de citar alguns deles, têm atuado de forma democrática e inspiradora, com escritores e artistas de diferentes gerações convivendo num mesmo espaço, interagindo e aprendendo uns com os outros; várias obras sendo lançadas através da bela produção de empresas como: Sieart Gráfica e Editora, Fábio Diagramações e Editora Tremembé; a grande atuação do SESC no que condiz ao cultural, ao histórico, ao social e ao literário; e jamais poderia deixar de mencionar aqui a enorme generosidade daquele que indiscutivelmente é o maior Mecenas que esta cidade já teve: Francisco Valdeci de Sousa Cavalcante.

           E é com suas palavras, caro amigo e confrade, impressas na introdução de A Lei Divina e a Consciência, que concluo minha fala hoje, quando ao lembrar-se dos ensinamentos de seu pai, você disse:

Aprendi (com me pai) a trabalhar muito cedo, sob sua orientação permanente, assim como por meio de seus exemplos e modos de fazer negócios. Sempre com muita humildade, simplicidade, sinceridade, honestidade e respeito para com as pessoas. Também aprendi com meu pai o sentido do amor ao próximo, da fraternidade, da caridade e da religiosidade. Mas o que mais me impressionava nele, era a forma como enfrentava as dificuldades que sempre estiveram presentes em nossas vidas. Ele era de uma fé inabalável.”

           E assim foi construída sua HUMANIDADE, amigo e confrade Valdeci. No que nós, Parnaibanos, só temos a agradecer.

Muito obrigado!

Claucio Ciarlini (18 de março de 2022).

Seguem alguns registros do evento, que além da Cerimônia de Posse dos quatro acadêmicos, também foi o lançamento da nova obra do escritor e empresário Valdeci Cavalcante.