MEU PAI, MEU AMIGO

Por Roberto Cajubá

                No dia 02 de fevereiro completa um ano do falecimento do meu pai, Dassis Cajubá. Confesso que tenho dificuldades para escrever um texto em sua homenagem, tamanha é a saudade que ainda dói em meu peito.  

                Meu avô paterno faleceu em 1955. Mais de cinquenta anos depois, meu pai me disse que pensava nele diariamente. Hoje compreendo melhor esse sentimento, pois lembrarei de meu pai todos os dias da minha vida. Vou sempre sentir saudade das suas sacadas geniais, sua alma gigante e destemida, que nunca envelheceu e se mantinha renovada a cada dia.

                Sagaz na inteligência, meu pai tinha sempre uma solução para tudo, e isso o tornava um porto seguro. Avesso a exageros, mantinha-se sempre sereno. Gostava de usar a expressão “nem tanto, nem tão pouco” e dizia que seus problemas eram resolvidos “tudo na simetria”, ou seja, com equilíbrio e sem sectarismo.

                Há poucos dias assisti a um vídeo, gravado por mim, em que ele, do alto de seus 93 anos, transmitia o seguinte conselho: “- não podemos deixar que uma notícia não boa, ou ruim, prevaleça no resto das vinte e quatro horas do dia! Porque há certas pessoas que tem uma hora de sacrifício, de mal-estar mental, e inutiliza as vinte e três que sobraram. Cuide das vinte e três e deixe que aquela se resolve”.

                Recordo-me que no início de minha advocacia, agindo com os arroubos próprios da juventude, estive prestes a perder a calma numa audiência. Meu pai me chamou e disse que a profissão deve ser exercida com serenidade, e fundamentada em argumentos. Pediu, então, que eu lesse o livro “Eles os Juízes vistos por nós advogados”, de Piero Calamandrei, no qual o autor defende que “a nobre paixão do advogado deve ser sempre consciente e racionante” e alerta: “perder a cabeça no debate quase sempre significa levar o cliente a perder a causa”.

                Ainda no início de minha profissão, fomos a uma audiência numa Comarca do Estado do Ceará. A parte adversa era uma empresa muito rica, com atuação em todo o país. Minutos antes da audiência, chegaram dois carros possantes, de luxo, com vidro fumê, de onde desceram os sócios, com seus advogados, todos eles engravatados, em paletós de grife e muito bem engomados. Ao notar meu ar de surpresa, meu pai olhou pra mim e disse: “ – Não se preocupe, meu filho, é só encadernação! Mais vale ter razão e argumentos”.

                Enfim, meu pai está vivo, pois estará sempre em mim, nos ensinamentos, exemplos, conselhos e no amor sem limites que sempre vivenciei. Foi o melhor advogado que vi atuar e o maior amigo que tive, a quem rendo todas as homenagens por tudo o que construiu, pela maneira como educou os filhos, pela ilibada conduta profissional e por tudo o que me ensinou.

                No livro “Personalidades atuantes da história de Parnaíba – Ontem e Hoje”, a professora Aldenora Mendes Moreira o descreveu como “uma das maiores expressões da advocacia piauiense, destacando-se pelo seu caráter, pela ética, pela inteligência e determinação profissional, com realizações marcantes, onde deixa um traço indelével de sua operosidade”.   

Memória Almanaque, por Jailson Júnior (Edição 68, de 2006).

A edição de n° 68 do Almanaque da Parnaíba foi lançada no ano de 2006, mais uma com a APAL sob a gestão da impressão do periódico. A capa traz uma ilustração da fachada do prédio onde funciona a sede da instituição, com a contracapa do impresso trazendo a fachada do Colégio Nossa Senhora das Graças, que no ano seguinte completaria seu primeiro centenário de existência.

            Em edição graficamente mais refinada que as anteriores, as orelhas trazem a composição das até então trinta e cinco cadeiras existentes e seus então ocupantes, trazendo a configuração da academia no mês de setembro daquele ano.

            A apresentação ficou por conta do então presidente Antônio de Pádua Ribeiro dos Santos, ocupante da cadeira de n° 01, que exaltou a importância do Almanaque para a história da cidade de Parnaíba e região, seguida da mensagem do então prefeito e acadêmico (não à época, mas sim posteriormente) José Hamilton Furtado Castelo Branco, que corroborou as palavras de Pádua Santos.

            A página doze da obra se dedicou a mostrar o quadro gestor da entidade, que comandou a entidade entre 30/07/2005 e 30/07/2007. Na já pontual seção Poesia Parnaibana: I – Poetas Falecidos, tem-se os textos Agonia do Amor, de Oliveira Neto; Judas, de R. Petit; O Riso, de Luíz Amélia de Queirós; Traços Noturnos, de Paulo Veras; Pesquisa, de Renato Castelo Branco; Inglória Luta, de Raimundo Fonseca Mendes; Madalena, de Berilo Neves; Tu És Pedro, do Monsenhor Antônio Sampaio; Jaçanã, de Francisco Ayres; Mãe, de Vicente Araujo; Soneto XI, de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva; Tudo Azul, de Alarico da Cunha; Judas, de Lily Pery (pseudônimo de Lívio Pacheco); Nos Jardins da Infância, de Jeanete de Moraes Souza; e Terra Mater, de Jonas da Silva.

            Na seção II – Poetas Vivos, os autores homenageados são Wilton Porto, com o poema À Carolina Maria de Jesus; Pádua Santos, com Hierarquia; Chagas Rodrigues, com o texto Nosso Amor; Alcenor Candeira, com Da Sombra Própria a Cova se Cava; Jorge Carvalho, com Canção do Exílio; Elita Araujo, com Meninos de Rua; Pádua Ramos com Renascença da Parnaíba; Maria Christina de Moraes Souza Oliveira, com Prece; Fernando Ferraz, com o poema Vida; Edmeé Rego, com Estrela de Belém; Iweltman Mendes, com o texto Meu Segredo; Anchieta Mendes, com o poema Que Natal é Este?; José Luíz de Carvalho, com o poema Vozes do Mundo; Danilo Melo, com Filhos das Flores; Elmar Carvalho, com seu texto Mulher na Lagoa do Portinho; e Israel Correia, com seu poema Roda e Ampulheta.

            Alcenor Candeira patrocina o primeiro artigo da edição, analisando brevemente a produção dos romances de autoria de Assis Brasil e Renato Castelo Branco, autores nascidos em Parnaíba e com vasta produção literária na citada área de produção literária.

Na sequência, o Prof. Danilo de Melo Souza homenageia seu pai, Seu Alípio Souza, que muito contribuiu na construção pessoal do também poeta, trazendo passagens de sua infância, citando aspectos relativos ao temperamento e caráter do pai. Ato contínuo, o escritor e advogado Anchieta Mendes comenta sobre a lei 6.368, de 21 de outubro de 1976 (Lei Antitóxico), analisando sobre as repercussões do tema na vida em sociedade e suas impressões pessoais.

Em História da Universidade em Parnaíba, o Dr. Francisco Pereira Filho remonta à concepção dos primeiros cursos superiores em Parnaíba, desde a afundada intenção de se instalar o curso de Economia até à efetiva instalação do primeiro curso superior local, o de Administração, incorporado à UFPI em 1971, citando também o período de conclusão do campus Min. Reis Veloso, ocorrido em 1978, e todos os pormenores que acompanharam esse espaço de tempo, abordando a forma como se deu o desenvolvimento do ensino superior na cidade.

Em Estórias Dentro da História, o saudoso acadêmico e médico Carlos Araken conta um pouco sobre a história de figuras proeminentes da medicina local, tais como Dr. Joca Bastos, Mirócles Veras, Candido Athayde, Odival Rezende, além de muitos outros que contribuíram para a área da saúde parnaibana. O advogado Celso Barros Coelho analisa brevemente a veia filosófica de Euclides da Cunha, famoso escritor brasileiro autor de Os Sertões, a partir da obra de autoria de Miguel Reale, intitulada “Face Oculta de Euclides da Cunha”.

Em Parnaíba e Seu Destino, Pádua Santos conta um pouco sobre a história da formação de Parnaíba, e sua ligação eterna com o Velho Monge, apelido histórico do rio que dá nome à cidade, e enfatiza como as pessoas estão não apenas ligadas as suas cidades, mas também aos rios que por elas correm.     

Na crônica Praga!, Edmeé Rego Pires de Castro tece comentários sobre o significado da palavra título, que dá nome também à capital da atual República Tcheca, refletindo sobre o significado do termo nas Sagradas Escrituras, na história e no que era esperado pela sociedade para o Novo Milênio que se abria.

Em Singularidades da Cidade de Parnaíba, Lauro Correia elenca onze fatos/lugares/construções, divididos em quatro tópicos (Turismo, História, Cultura, Religião e Indústria) que fazem parte da história da cidade, como o Cajueiro Humberto de Campos, o nome da cidade, o Almanaque da Parnaíba, entre outros aspectos igualmente relevantes. Já na crônica Zé Henrique, Elmar Carvalho faz bela homenagem ao seu cunhado, de quem também foi amigo. Em Bafômetro, não!, o atual presidente da APAL José Luíz de Carvalho conta uma engraçada passagem ocorrida com o padre Giuseppe Albertini, italiano pároco em Buriti dos Lopes.

A saudosa Lozinha Bezerra conta em sua crônica como as adversidades da vida por vezes afastam as pessoas de Deus, que para ela estavam em coisas básicas da vida, faltando-lhe espiritualidade, que para ela eram o próprio Deus. Finaliza o texto com um poema de sua autoria, de nome Onde Vejo Deus, dividido em sete estrofes.

Marçal Paixão discorre em seu texto sobre a robusta biografia do prof. José Rodrigues e Silva, nascido em Iguatu-CE, tendo como um de seus grandes feitos o fato de ter sido um dos implantadores do Ginásio São Luiz Gonzaga em Parnaíba, além de ter sido seu primeiro diretor, além de ter lecionado naquela entidade por vários anos, vivendo em Parnaíba até sua morte em 06/12/1996.

No texto Conhecendo a Defensoria Pública do Piauí, o defensor público e escritor Marcos Antônio Siqueira da Silva discorre sobre a história de uma das entidades mais importantes para a democracia brasileira, retomando ao Código de Justiniano, às Ordenações Filipinas, chegando até à criação da Defensoria Pública do Piauí.

O saudoso Pádua Ramos relembrou na edição ora analisada Luís de Morais Correia, homem público que deu nome ao antigo povoado de Amarração. Após Aldenora Mendes Moreira ter redigido um texto sobre o preconceito e seus reflexos na sociedade brasileira, a professora Maria Christina de Moraes Souza Oliveira homenageou sua antiga escola, o Colégio das Irmãs, na época completando um século de existência, contando um pouco sobre o início do projeto, elencando o nome de várias irmãs que ao longo da história trabalharam incansavelmente pela causa educacional da instituição.

            No artigo Casarões, Elita Araujo chama a atenção para o estado em que determinados prédios históricos da cidade se encontravam, atentando para a necessidade do tombamento dos mesmos, o que veio a ocorrer cinco anos depois, em 2011. Em seguida, no relato A Turma dos Brotinhos, o saudoso Rubem Freitas conta a história do grupo de jovens que marcou época na década de 1950 em Parnaíba, reunindo-se para a prática de esportes, festas, encontros e passeios, composto por jovens bem empregados nas casas de comércio e indústria da cidade, que deram origem ao bloco carnavalesco Vira-Lata.

            Em Radiestesia, o acadêmico Wilton Porto conta sua experiência com a “ciência que detecta e mede energias sutis através dos instrumentos radiestésicos”. A obra prossegue com o texto Linguagem e Verdade, discurso de posse do Pe. Vicente Gregório, proferido em 26 de novembro de 2004, data de sua assunção no assento de n° 16 da entidade.

A partir da página 127, temos quatro discursos relativos a posses no sodalício. O primeiro é o da professora Maria Dilma Ponte de Brito, que tomou posse na academia em 03 de julho de 2006, seguido do discurso de recepção, proferido na mesma data pela já citada professora Maria Christina de Moraes Souza Oliveira. Em seguida, tem-se o discurso de posse proferido pela acadêmica Maria do Amparo Coelho dos Santos na data de 26 de julho de 2006, dia de sua posse, com o discurso de recepção proferido na mesma data pelo acadêmico José de Anchieta Mendes de Oliveira.  

Após o intimismo de Batista Leão na crônica Tudo Tem o Seu Momento, Fernando Ferraz traz um artigo científico de sua autoria ressaltando a má aplicabilidade dos fundamentos do Estado Democrático de Direito no Brasil, com as suas dificuldades, desigualdades e diferenças, acarretando na permanência do país no estágio de estado emergente. Em Notícia do Boi de São João, o dramaturgo Benjamin Santos questiona o porquê de as primeiras edições do Almanaque não contemplarem as notícias acerca do Boi de São João da época, manifestação popular marcante da região litorânea do Piauí, trazendo um pouco do histórico desses grupos artísticos e das notícias sobre eles de até então, ressaltando a fundação da Sociedade de Bois de Parnaíba, no então ano de 2006.

Em Transporte Ferroviário no Piauí, o saudoso acadêmico, professor e advogado Renato Bacellar traz a pesquisa que fez sobre o tema, desde a instalação da primeira estrada de ferro, em 1871, o auge nas primeiras décadas do século XX, até a instalação do Museu do Trem, que guarda as memórias dessa Parnaíba ferroviária do passado. Em seguida, o Almanaque abriga uma entrevista feita com o saudoso Gilberto Escórcio, que foi dono da antiga escola União Caixeiral, mas que na ocasião comentou sobre sua temporada como presidente do Parnahyba Sport Club durante a década de 1960.

O que se segue são duas homenagens ao já citado centenário do Colégio Nossa Senhora das Graças, com o Discurso da Irmã Amparo, então Supervisora Provincial, além do texto da professora da entidade, Aurineide Souza Aguiar, trazendo breve histórico sobre os 100 anos da instituição. Logo após, algumas páginas são dedicadas a mostrar as obras que a então gestão municipal realizou durante sua gestão, seguida da seção Anúncios Publicitários, com diversos anunciantes, apoiadores e patrocinadores da edição.

A obra se encerra com a ficha técnica de Parnaíba, com informações sobre quantitativo populacional, limites territoriais, quantitativo de eleitores, instituições existentes em geral, entre outras informações relevantes.

Jailson Júnior

Texto publicado originalmente na edição 170 de O Piaguí, em julho de 2022.

Memória Almanaque, por Jailson Júnior (Edição 67, de 2004).

                A edição do Almanaque da Parnaíba de 2004 marcou um momento significativo na história da publicação e da própria Academia Parnaibana de Letras. Naquele ano, a publicação alcançou a marca de oitenta anos de existência, que apesar de não ter sido lançada constantemente – havendo nesse ínterim alguns hiatos – não tornou menos importante a ocorrência de mais uma edição.

                No ano anterior, a APAL havia completado seus vinte anos, existindo desde sua fundação, em julho de 1983. A edição comemorativa do Almanaque de 2004 teve reproduzidas em sua capa algumas das capas de edições anteriores, trazidas em versão colorida (1939, 1955, 1956, 1961, 1964, 1973, 1979 e 1981). Após o índice de textos, o então presidente da entidade, o saudoso prof. Iweltman Mendes fez a apresentação do material, destacando o início da quarta fase do periódico, que atravessou dificuldades materiais, inviabilizando sua execução contínua.

                Logo após, uma foto dos acadêmicos é mostrada e logo abaixo dela o quadro de acadêmicos que exerceram a função de gestão do sodalício entre os dias 13/08/2003 a 31/07/2005. Autor de dezoito edições (1924-1941), o fundador Benedicto dos Santos Lima (1893-1958) tem trazidas sua foto e biografia, ocorrendo o mesmo com o editor Ranulpho Torres Raposo (1900-1980), que patrocinou quarenta edições (1942-1981), até chegar ao seu neto, Manoel Domingos Neto, que encabeçou duas edições (1982-1985), chegando até às edições analisadas na presente coluna, através da gestão de Lauro de Andrade Correia, que comandou seis edições (1994-1999).

                Após a mensagem trazida pelo então presidente da FIEPI, Antônio José de Moraes Souza, o primeiro a figurar na parte literária do Almanaque de 2004 é Fernando Ferraz, com seu texto Do que sentimos saudade?, onde retrata memórias da sua infância, em uma Parnaíba de outrora. Na sequência, há um anúncio da Casa Marc Jacob S.A., que completava 131 anos de existência, seguido da pesquisa de Osvaldo dos Santos Brandão e João Maria Madeira Basto, que trouxeram resumo de seu trabalho sobre o Parnahyba Sport Club, o clube de futebol mais popular da cidade, trazendo a origem da agremiação, os primeiros jogos, a composição do hino, os títulos conquistados até então, finalizando com as fontes consultadas para a elaboração do trabalho.

                Pádua Santos reflete sobre a fidelidade em seu texto (In) Fidelidade Columbófila, trazendo enxertos de jornais, estudos e outras fontes que atestam a não fidelidade integral dos pombos, símbolos do amor e da lealdade, na intenção de divulgar a PAPOCO (Associação Columbófila Parnaíba Pombos-Correios), instituição fundada por ele e demais columbófilos em 09 de setembro de 1998. Em seguida, a professora Maria Christina Moraes Souza relembra seus anos estudantis no Colégio Nossa Senhora das Graças, trazendo aspectos da pedagogia da época e do trato do ensino religioso ministrado pela instituição. Na mesma senda, seguem anúncios do Banco do Nordeste e do próprio Colégio Nossa Senhora das Graças.

                O poeta Elmar Carvalho detalha em pormenores a história do jornal parnaibano considerado um marco do Modernismo e do jornalismo alternativo no Piauí, o Jornal Inovação (1977-1992), onde o mesmo foi membro ativo. O texto comunga a sensibilidade memorialística de Elmar, sem perder de vista os dados fáticos da obra e seus desdobramentos. Em seguida, anunciam na obra a Sorveteria Araújo, a Gráfica e Editora Sieart, além do Serviço Social do Comércio (SESC).

                Em Coincidências Que Unem Gerações, James Celso Clark Nunes faz um passeio pela história da sua família, desde a vinda do patriarca nascido em Cumberland, James Clark (1855-1928) até os descendentes que haviam até então, havendo a passagem por fatos da família que coincidiram com o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Ao final, há um anúncio na Pousada dos Ventos, seguido pelo merchandising da Faculdade de Teologia do Brasil (FATEB).

                Em breves tópicos, o acadêmico Lauro de Andrade Correia apresenta um Plano de Desenvolvimento Macro-Econômico para a região de Parnaíba, Buriti dos Lopes e Luís Correia, resumidos em doze projetos básicos de execução, além de trazer também em doze tópicos um Plano de Desenvolvimento Macro-Econômico a nível de Piauí. O material tem na sequência anúncio da Associação Comercial de Parnaíba.

                Em Cidadão Parnaibano, a professora Lígia Ferraz homenageou D. Joaquim Rufino do Rego (1926-2003), que foi Bispo de Parnaíba entre os anos de 1986 a 2001, homenageado pelo recebimento do título de cidadania local concedido pela Câmara Municipal de Parnaíba.

         Em Ecoar Histórico, a professora Elita Araújo desenvolve um texto onde explica o desenrolar do golpe militar de 1964, e em como isso se refletiu na vida em sociedade, mais especificamente na cidade de Parnaíba. O texto é seguido de anúncio de um dos apoiadores de edição, o Colégio Diocesano.

           O saudoso Rubem Freitas conta a história do barco espanhol “Virgem Del Piño” que trouxe no ano de 1949 cento e dezoito imigrantes espanhóis para Parnaíba que fugiam do regime ditatorial de Francisco Franco, além de citar as trajetórias que alguns deles tomaram durante a nova vida no Brasil.

                O Almanaque, já na página 68, traz um detalhamento de residentes em Parnaíba por faixa etária, relativo ao ano de 2001, sem fonte, seguido por mais um anúncio de patrocinador, a Pró-medica. Seguindo a obra, a saudosa professora e acadêmica Lozinha Bezerra relembra seus tempo de juventude, quando foi cortejada por um desconhecido através de bilhetes durante uma festa, vindo mais tarde a descobrir de quem se travava.

                Nesse momento, a obra traz uma lista com a quantidade de estabelecimentos especializados em saúde.

                O historiador e acadêmico Renato Neves Marques faz uma detalhada genealogia de sua família (Neves), desde os primeiros ascendentes a vir de Portugal no final do séc. XVIII, até o desenvolvimento dos mesmos em municípios maranhenses limítrofes a Parnaíba, como Tutoia e Araioses, até à época da publicação do material.

Nesse momento, a obra traz uma lista com a quantidade de nascimentos, óbitos e divórcios ocorridos em Parnaíba no ano de 2002, tendo como fonte os dados do IBGE e a Estatística do Registro Civil de 2002.

Prosseguindo a parte literária do Almanaque, o dramaturgo Benjamim Santos traz um relato memorialístico sobre sua mãe, dona Neusa. Logo abaixo do texto, segue a logo de propaganda do Parnaíba Palace Hotel, na época, localizado na Av. Getúlio Vargas, 266, Centro.

Trazendo mais dados sobre a cidade, dessa vez, a obra traz o quantitativo da Pecuária local durante o ano de 2003, através de dados do IBGE, que é seguida por mais um patrocinador, a distribuidora de leite Longá.

No texto O Último Encontro, o saudoso acadêmico Antero Cardoso Filho relembra a derradeira vez que esteve na presença do desembargador Salmon de Noronha Lustosa, juiz parnaibano, que também foi membro da APAL. Na oportunidade, Filho aproveitou a deixa e também trouxe breve biografia de Lustosa.

Após anúncio da FIEPI, Israel Nunes Correia reflete sobre a ideia da sucessão dos filhos em relação aos pais nos negócios da família, fazendo analogia com os seres mitológicos Urano, Cronos e Zeus. Em seguida a isso, dois anunciantes figuram nas páginas do Almanaque: o Cartório Bezerra e a Clínica São Lucas.

Em mais uma das vezes em que o Almanaque de 2004 trouxe mais uma de suas marcas, a informação, a obra trouxe um quadro com o quantitativo das Finanças Públicas relativas ao ano de 2002, com dados do então existente Ministério da Fazenda. O quadro é seguido por mais um apoiador da edição, a Granja Ielnia – Ovos Comerciais.

O poeta Alcenor Candeira Filho traz um artigo completo sobre a arte de se escrever poesia, trazendo enxertos de textos da lavra de Aristóteles, Fernando Pessoa, Drummond, Bilac, entre outros. Finalizando o referido artigo, mais um apoiador da obra, o Hospital e Maternidade Marques Basto.

No quadro Parnaíba – Educação, é trazido um panorama geral da citada área, com as quantidades de alunos matriculados nos ensinos fundamental e médio, professores, com dados extraídos do Ministério da Educação. Em seguida, figuram na obra como apoiadores da presente obra o Colégio Dez, a Cooperativa Educacional Ângulo e a Informática Exatus. Na sequência, dados relativos aos óbitos na cidade de Parnaíba durante o ano de 2003 também foram registrados, com dados extraídos dos registros do Ministério da Saúde (SUS).

Após anúncio da funerária Pax União e Paz Eterna (Funeral Prev.), o poeta e acadêmico Wilton Porto traz o texto Sebastiana Sim Senhor, texto em homenagem a sua mãe, a quem relembra em passagens de sua infância, adolescência e vida adulta, com poemas engendrados por parte do autor em homenagem a ela. Ao final, segue-se mais um anúncio extraído de edições passadas do Almanaque, sendo esse o da Casa Marc Jacob S/A. Em seguida, é trazida a frota existente na cidade de Parnaíba no ano de 2003, seguida por mais um dos anúncios extraído de edições anteriores, sendo esse da Franklin Veras & Cia.

Na série Ensaio Fotográfico, algumas imagens de Parnaíba do ano de 1924 são mostradas, além do mesmo local oitenta anos depois, já em 2004. Os locais mostrados nas imagens são a Igreja da Graça, o estádio Petrônio Portela, o antigo e o atual prédio do Banco do Brasil, a Praça da Graça, a rua Duque de Caxias, a Santa Casa de Misercórdia, o Mercado Público, a Casa Grande e o Porto das Barcas.

Após o Poema da Criação, do saudoso acadêmico Iweltman Mendes, o também saudoso Batista Leão traz a crônica Desapreço Insuportável, relatando um pouco do seu descontentamento pela desativação da Estrada de Ferro Central do Piauí (EFCP), onde trabalhou como contador. Logo em seguida, mais dois anúncios de Almanaques antigos foram enxertados na presente obra, sendo da Indústria e Comércio Moraes S.A. (Rua Cel. Ribeiro, 480) e da Loja do Leão (Praça Cel. Jonas, 886).

Em Parnaíba – Lavoura temporária 2002, mais dados extraídos do banco de dados do IBGE relativos ao plantio e colheita de vários produtos agrícolas na região, que se segue com um anúncio da famosa Mercearia Bembem, de propriedade do fundador do Almanaque da Parnaíba, Benedicto dos Santos Lima, que ficava localizada na Rua Duque de Caxias, centro da cidade de Parnaíba.

O acadêmico Francisco Filho traz em seu artigo o processo de abertura econômica pelo qual passou o Brasil durante a década de 1990, após anos de protecionismo e prevalência de investimentos estatais na economia, citando também a entrada em vigor do Código de Defesa do Consumidor. A imagem que se segue ao referido material é uma imagem de acadêmicos da APAL homenageando o IHGGP pela sua instalação.

Após mais um quadro trazendo informações sobre o plantio e a colheita de frutas durante o ano de 2002 e um anúncio do Colégio Cristo Domini e Cristo Baby Kids, temos um poema de autoria de Anchieta Mendes, denominado Opalas de Pedro II, dedicado ao amigo do poeta Mundote Galvão. Logo em seguida, mais uma homenagem aos antigos anunciantes do Almanaque, tendo dessa vez o anúncio da empresa de navegação Poncion Rodrigues & Cia Ltda (Rua São Vicente de Paulo, 182).

Mais uma vez, o caráter informativo do Almanaque vem à tona, quando é posto uma tabela com os dados sobre Extração Vegetal e Silvicultura durante o ano de 2002, relativos à cera de Carnaúba, carvão vegetal e lenha, com dados extraídos da base do IBGE. Logo em seguida, mais uma propaganda dos antigos anunciantes, dessa vez da Lloyd Brasileiro, que ficava localizada na Rua Getúlio Vargas, n° 112/122.

Magalhães da Costa traz uma crônica sobre a vida de José Catarina, morador de Sete Cidades. O anúncio que se segue é de mais um apoiador da edição de 2004, o Siqueira Magazine.

Após uma tabela de Instituições financeiras existentes na cidade e das operações bancárias realizadas em 2003, um anúncio do extinto Banco da Parnaíba S.A. é mostrado, que ficava localizado na Praça da Graça, n° 396.

Em Tem imposto para cachorro?, o acadêmico e professor Danilo de Melo Souza reflete sobre as desigualdades gritantes pelas quais passa o nosso país, com o fantasma da fome e da acumulação de renda assolando o Brasil, dia após dia. Mais dois anunciantes aparecem, sendo eles o Portal Eletronic e a Decopiso – Material para construção.

Finalizando o Almanaque de 2004, tem-se o cômico texto do atual presidente da APAL José Luíz de Carvalho intitulado As três pessoas da Santíssima Trindade, seguido por um quadro geral da academia, contendo todas as cadeiras, patronos, além de extintos e os até então atuais ocupantes das respectivas cadeiras.

Jailson Júnior

Texto publicado originalmente na edição 169 de O Piaguí, em junho de 2022.

Missa de um ano

MISSA DE UM ANO 

do falecimento do acadêmico Francisco de Assis Cajubá de Britto

ACADEMIA PARNAIBANA DE LETRAS – APAL

CASA DE JOÃO CÂNDIDO

    Nesta data, 02 de fevereiro de 2023, completa um ano do falecimento do saudoso e ilustre advogado Dr. Francisco de Assis Cajubá de Britto, o qual ocupou a cadeira de nº 02 desta Academia,  que tem como patrono o jurista, poeta e professor Edson da Paz Cunha.

    Assim sendo convidamos aos acadêmicos a participarem da Missa que a família  mandará celebrar em sua homenagem na Catedral de Nossa Senhora da Graça, no horário de  meio dia  (12:00 horas).

        Antecipadamente agradecemos aos que comparecerem à esta celebração eucarística em homenagem a este cidadão  que durante toda sua vida foi exemplo de honradez,  dedicação ao trabalho e à família.

José Luiz de Carvalho

Presidente

Antonio Gallas Pimentel

Secretário Geral 

O EMPRESÁRIO POR EXCELÊNCIA

Hoje, 02 de Fevereiro de 2023, marca o primeiro aniversário de morte de um homem que na sua passagem por esta vida confiou que a dedicação e o amor ao trabalho seriam as ferramentas necessárias para acreditar que quando se quer tudo se é capaz. Me refiro ao Dr. Francisco de Assis Cajubá de Britto, notável advogado, brilhante tribuno, membro da Academia Parnaibana de Letras e Patrono da Academia Parnaibana de Direito, professor universitário, enfim, o exemplo que deixou podemos olhar para Parnaíba e dizer com lágrimas nos olhos o brilho de aqui ter vivido, constituído família e ter deixado o orgulho para cada um de nós por ter escolhido nossa cidade para viver e para morar.

As homenagens que estão sendo prestadas ao ilustre empresário, quase todas se voltam para o extraordinário jurista que foi. Mas, eu pediria permissão para focar um dos lados importantes da sua vida, que foi a de empresário por excelência por quase 70 anos. Foi Presidente da Associação Comercial de Parnaíba, Vice-Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Piauí, um dos maiores produtores de sal da região, sendo dono de 3 salinas e possuindo 2 navios, chegando a exportar para Estados como Pará e Amazonas. Farmacêutico dos mais prósperos, era proprietário de 5 farmácias em Parnaíba e 2 em Fortaleza. Foi também dono de uma grande loja de ferragens em Parnaíba, localizada na Rua Humberto de Campos, especializada na venda de materiais de construção, sendo ampliada, transformando-a numa das principais da cidade.

Dr. Dassis Cajubá sempre achou meios de superar a si mesmo em cada ato ou ação voltados ao comércio. A prosperidade o tornava cada vez mais um homem de coração bondoso, mais humilde e mais simples, uma humildade verdadeira e amiga.

Sem dúvidas, reconheço, como parnaibano e como filho de um grande amigo que a vida deu para meu pai, que o Dr. Dassis Cajubá deixou a marca do trabalho, como parte de uma contribuição a uma cidade que o acolheu de braços abertos, fez o berço dos seus filhos e que um dia lhe permitiu o descanso eterno e em paz.

Finalizo, lembrando um breve pensamento de um grande poeta francês: “o homem feliz é aquele que ao despertar se reencontra com prazer e se reconhece como aquele que gosta de ser”. Foi assim o nosso inesquecível Dr. Dassis Cajubá.

Arlindo Leão

Superintendente Municipal de Cultura