Memória Almanaque, por Jailson Júnior (Edição 65, de 1998)

O Almanaque da Parnaíba do ano de 1998 foi o de n° 65 da história do periódico e o quinto lançado sob a égide da Academia Parnaibana de Letras. O conselho editorial continuou a cargo da equipe que esteve na vanguarda da organização das edições anteriores (os acadêmicos Lauro Andrade Correia, Alcenor Candeira Filho, Israel José Nunes Correia e Fernando Basto Ferraz, e o anterior curador e detentor dos direitos da obra, o professor Manoel Domingos Neto).

Mais uma vez, contou com o apoio da Gráfica e Editora da Universidade Federal do Piauí (UFPI), além do suporte dado pela então gestão da Prefeitura Municipal de Parnaíba (PMP). Na capa daquela edição, o imponente monumento construído no Centro Cívico de Parnaíba (com foto de autoria de José Souza), e, na contracapa, trouxe um pouco da beleza das dunas do litoral parnaibano, com foto da Lagoa do Portinho, à época (com foto de autoria de Antônio Vieira Filho).

Após breve apresentação e índice, a primeira matéria trazida foi sobre o Centro Cívico de Parnaíba. Localizado no centro da cidade, o texto traz todos os detalhes que constituíram a obra, desde a idealização, feita por Lauro Correia em 1963, até à autorização, dada pela Lei Municipal n° 303, de 14 de agosto de 1964, seguido da construção (ocorrida nos anos de 1965 e 1966) até sua inauguração, em 7 de setembro de 1966. O texto traz também o responsável pelo projeto, o arquiteto Regis de Athayde Couto, além de muitos detalhes pertinentes ao monumento.

Logo após, o então prefeito, Antônio José de Moraes Souza Filho, trouxe seu discurso de lançamento do Almanaque da Parnaíba do ano anterior, 1997, edição 64. Em VIEIRA E A ORATÓRIA DO SEISCENTOS, o professor universitário e escritor M. Paulo Nunes aborda um pouco da biografia do Pe. Antônio Vieira, o mais importante nome da prosa barroca brasileira.

Como foi de praxe das edições anteriores, o acadêmico Assis Brasil abrilhanta a obra com seu conto TRISTESSE, seguido pelo professor Francisco Filho, que aborda em seu artigo TRAJETÓRIA DO MERCOSUL os embriões que deram origem ao mais importante bloco econômico da América Latina, além de breve histórico e aspectos relevantes como o processo de formação, a estrutura institucional, a união aduaneira, os acordos feitos com Chile e Bolívia, o tamanho do bloco, finalizando com três anexos referentes aos temas citados no corpo do texto.

Elmar Carvalho saudou o poeta H. Dobal, que, em 14 de novembro de 1997, recebeu o título de Cidadão Campomaiorense, na sede da Câmara Municipal de Campo Maior, o palácio Jenipapo. Em DOIS VOCÁBULOS, a saudosa Edmeé Rego Pires de Castro trata sobre a etimologia das palavras Almanaque (trazendo também breve histórico sobre alguns Almanaques ao redor do Brasil) e Parnaíba, fazendo também breve percurso histórico sobre a cidade, abordando temas ainda hoje em voga como o turismo, a economia, o desenvolvimento educacional, os meios de comunicação, entre outros. O texto data de 23 de janeiro de 1998.

A série Memória Fotográfica, assim como nas edições anteriores, traz imagens de uma Parnaíba de outrora, trazendo imagens da Praça Coronel Jonas Correia, da Praça Santo Antônio, da Rua Josias Moraes, da Vila Jonas, do Mercado de Frutas, da Arquibancada do Parnaíba Sport Club, da Praça da Graça, e, mais uma vez, da Praça de Santo Antônio. Todas as fotos foram retiradas e reproduzidas da edição de n° 17 do Almanaque, ao ano de 1940.

Logo a seguir, o conto O AGRADO, de Magalhães da Costa, retorna a obra ao aspecto literário, abordando uma passagem do coronel Trajano de Brito Pessoa, o coronel Tra, com ambientação na freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca.
Em JOSÉ PIRES E O SOBRINHO, Luiz G. F. Menezes, em crônica, traz uma passagem sobre o garoto Luiz, sobrinho do professor e culto José Pires de Lima Rebelo. A passagem traz uma viagem que fizeram de Campo Maior à Parnaíba, tendo, no caminho, contato com as histórias de fundação de Piracuruca, Piripiri, além da Batalha do Jenipapo, até a chegada aqui na cidade.

Em NATAL ONTEM! NATAL HOJE! a professora e acadêmica Lígia Ferraz relata a sua visão sobre a tradicional festa cristã que celebra o nascimento de Jesus Cristo, ao mesmo tempo em que retorna ao passado através de suas memórias, vividas na cidade de Oeiras, onde nasceu. Quem segue o curso da obra é Benjamim Santos, filho de Bembém, fundador do Almanaque, que em seu poema

ROMANCE DE MORTE DE DONA MARIA CAROLINA THOMÁSIA DE SEIXAS DIAS E SILVA (cujo nome escrito em sua lápide na catedral de Nossa Senhora da Graça é Carolina Thomazia Dias de Seixas e Miranda), narra, em primeira pessoa, o assassinato da filha de Simplício Dias da Silva, de autoria de um escravizado da família, de nome Aleixo, em 27 de agosto de 1850.

Em O DESAFIO DA ETERNIDADE, o saudoso professor Iweltman Mendes comenta sobre o dia em que recebeu a notícia do falecimento do Dr. Cândido Athayde, chamado pelo próprio Mendes no texto de David de Tutoia, frente à morte, a qual venceu tantas vezes, na sua condição de médico. Em VAMOS ESCREVER NA AREIA?, Heitor Castelo Branco Filho, da Academia Piauiense de Letras (APL), rememora o prazer de ter conhecido Malba Tahan, pseudônimo de Júlio César Mello e Sousa, autor de clássicos da literatura brasileira como O HOMEM QUE CALCULAVA, MAKTUB, entre outros, com fortes influências da matemática e do mundo árabe em suas produções. No mesmo texto, Filho põe em evidência a história título de seu texto, que conta a história da amizade entre Nagib e Mussa, marcadas por acontecimentos que são verdadeiras lições de vida a todos.

Nesse momento, a obra adentra na seção POESIA PARNAIBANA – POETAS FALECIDOS, trazendo os textos SONETO LVII, de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, MIGUEL ÂNGELO, de Jonas da Silva, CONTRASTE, de Tomaz Catunda, O PARNAÍBA, de Oliveira Neto, COMPREENSÃO, de Vicente Araujo, RENATA, de Renato Castelo Branco e TESTAMENTO DE CACIQUE, de Paulo Veras.

Em REVOLUÇÃO SILENCIOSA, o professor Fernando Ferraz traz o fenômeno da globalização e a integração econômica entre as nações representada pelos blocos como MERCOSUL, NAFTA, PACTO ANDINO, ASEAN, ligando isso à atividade do SEBRAE com o fomento à atividade empresária e produtora. Cita ainda textos de Robert Kurz, Maristela Basso, Fernando Bessa, além do poeta piauiense H. Dobal. O referido texto foi proferido na solenidade de encerramento da 2ª turma da 1ª fase do SEBRAE IDEAL em Parnaíba, no mês de março de 1998.

Em NOSSO PARNAÍBA, o engenheiro Orfila Lima dos Santos traz um rico material sobre vários estudiosos que, ao longo das décadas, teceram trabalhos sobre o Velho Monge, citando nomes de vários desses estudiosos, além das obras escritas pelos citados sobre vários aspectos da estrada líquida mais célebre do Piauí, citando, ao final, iniciativas que poderiam ser implementadas para o melhor aproveitamento de suas águas.

O Almanaque da Parnaíba de 1998 segue com seis poemas do poeta Alcenor Candeira Filho, denominados SONETO INOMINADO, OUTRO SONETO INOMINADO, SONETO DOS QUARENTA ANOS, BURGUÊS, DÍVIDA e

TELEVISÃO. Lauro Correia segue com seu texto JUBILEU E BODAS, onde relata o antigo costume de se celebrar as diversas bodas durante a vida.

Em DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE ÁREAS VERDES EM PARNAÍBA-PI, o arquiteto Régis de Athayde Couto relata seu projeto de arborização e aumento das áreas verdes da cidade, que à época contava com 0,50 m2 por habitante, longe da média ideal de 6,00 m2 por habitante. Na crônica ÓDIO E RANCOR, o saudoso jornalista Batista Leão reflete sobre esses dois sentimentos típicos da natureza humana.

A clássica coluna ENSAIO FOTOGRÁFICO traz algumas imagens terrestres e aéreas de pontos da cidade de Parnaíba, sendo eles a Av. Pinheiro Machado e a antiga UFPI (hoje UFDPar), a Ponte Simplício Dias e a PVP, o Bairro São José e a COBRASIL, o Cajueiro Humberto de Campos, a Igreja do Rosário, o prédio do Banco do Brasil, a Escola Normal Francisco Correia e o Terminal Rodoviário de Parnaíba.

Em SIMPLICIDADE, TEU NOME É MARIANO, o Dr. Carlos Araken relata breve biografia do médico amigo de seu pai, Dr. Mariano
Lucas de Sousa, relatando também a importância do médico para sua própria formação pessoal na Medicina.

Renato Neves Marques traz em seguida um texto que revela dados importantes sobre a CASA GRANDE DE SIMPLÍCIO DIAS, detalhes trazidos pelo autor em robusta pesquisa realizada em documentos idôneos, pertencentes a cartórios e arquivos públicos, principalmente os inventários de Simplício e seus descendentes, esclarecendo também dúvidas sobre a propriedade do suposto Vista Alegre, imóvel que pertenceu ao Coronel Miranda Osório, no Centro de Parnaíba (onde hoje é o Armazém Paraíba). Além disso, também trata do imóvel que existia entre a Casa Grande e a Catedral, que pertenceu ao irmão de Simplício, Raimundo Dias da Silva.

Em seguida, o professor Jorge Falcão Paredes trata sobre AS VIAGENS CIENTÍFICAS QUE ANTECEDERAM E SEGUIRAM O TRATADO DE TORDESILHAS (título do texto), descrevendo algumas das missões dos colonizadores ibéricos à América Pré-Colombiana, no movimento histórico conhecido com As Grandes Navegações, empreendidos principalmente por Portugal e Espanha.

João Evangelista Mendes da Rocha rememora e detalha quatro grandes projetos perseguidos pelo Piauí no último século: a plena navegabilidade do rio Parnaíba, a conclusão do porto de Luís Correia, a ligação férrea do litoral à Teresina e a barragem do rio Piracuruca, sejam eles concluídos, em conclusão, em desenvolvimento, ou sequer iniciados.

A obra segue com o discurso de posse do acadêmico José Wilson Ferreira Sobrinho na APAL, ocorrido no dia 19 de outubro de 1991, assumindo o mesmo a cadeira n° 2 da entidade. Logo em seguida, a série Parnárias traz textos ufânicos de Alarico da Cunha (O Centenário de Parnaíba), R. Petit (Terra Cabocla), Édson Cunha (Pedra do Sal), Alcenor Candeira Filho (Memorial da Cidade Amiga), Jorge Carvalho (Igara… Igaraçu… Igara a Pé), Elmar Carvalho (Marítima), Israel Correia (Parnaíba Apocalíptica), Doralice Craveiro de Carvalho (Porto das Barcas) e Anchieta Mendes (A Morte do Parnaíba).

A obra singra com o texto de Israel sobre os diversos conceitos científicos de gerência, sua função e sua importância, amparado em robusta bibliografia sobre o assunto. Em SANTO ANTONIO CASAMENTEIRO, Anchieta Mendes conta um pouco da origem do conhecido cânone, de origem portuguesa, contando, à partir daí, histórias, anedotas e uma cópia de uma ladainha proferida em nome dele, corroborando a relevância do santo para o folclore e religiosidade da legião de católicos ao redor do mundo.

Rubem Freitas, saudoso jornalista, comunicador, criador da Semana da Imprensa (1962), descreve a situação em que relatou a uma aluna a biografia do Deputado José Pinheiro Machado, de quem foi funcionário e amigo. Freitas detalha em seu texto os primeiros estudos, carreira, cargos e demais detalhes, tanto pessoais quanto memorialísticos da carreira de um dos políticos mais influentes da história do Piauí.

Sólima Genuína dos Santos retorna com o texto MENSAGEM DE ADEUS, contando a breve história de vida da educadora parnaibana Maria do Socorro Alencar. Em A ESCOLA QUE QUEREMOS, Wilton Porto faz um apanhado geral da instituição escola, da importância dos educadores para a sociedade, ao mesmo tempo em que faz um organizado material nos seguintes tópicos: Uma Escola de Qualidade, A Escola Necessária Para os Tempos Modernos, A Escola e o Seu Meio, Democracia nas Escolas, e por último, a conclusão.

O médico Valdir Edson Soares faz uma análise sobre o Cooperativismo Médico, surgido no Brasil em Santos, na segunda metade do século passado, embriões de órgãos como a UNIMED, UNIODONTO, UNICREDS e USIMEDS.

Logo em seguida, um detalhado histórico das origens do Serviço Social do Comércio (SESC), criado em 1946, a criação da primeira Delegacia em Teresina, logo após em Parnaíba (1948), além dos objetivos e da missão da entidade, de importância ímpar para o desenvolvimento e manutenção de diversos setores da sociedade piauiense e brasileira. Finaliza-se o conteúdo com sete fotos de pontos do SESC, sendo o CA Brasílio Machado Neto, em Parnaíba, o CA Roland Jacob, em Floriano, o Centro Integrado Cultural, em Teresina, o CR Ranulpho Torres Raposo, também em Parnaíba, e uma imagem do presidente do CR SESC à época, Lucimar Veiga de Almeida.

A próxima seção do Almanaque se dedica a anunciar as Clínicas Médicas de Parnaíba, importantes no desenvolvimento do setor de saúde da cidade, sendo elas a Pronto Clínica, a Clínica Armando Cajubá, a Pró-Médica, o Pronto Socorro 24 horas, a Endoanálises e a Centro-Clínica. Uma curiosidade interessante do texto é que traz breve histórico sobre as residências e os antigos donos de onde as entidades estavam (estão) situadas. Segue-se a matéria com as fotos das fachadas dos prédios das clínicas. As próximas páginas se dedicam a trazer anúncios particulares de cada uma das entidades citadas, finalizando com uma homenagem da UNIMED aos médicos.

A seguir, a obra traz o quadro da diretoria que dirigiu a APAL entre 01/08/1997 e 31/07/1999, além do quadro social da instituição em 01/08/1998, com as cadeiras e seus até então ocupantes. As próximas seis páginas se dedicam a contar as biografias dos patronos das cadeiras n° 3 e n° 4 da APAL, Benedito dos Santos Lima (criador do Almanaque) e Ademar Neves, respectivamente.

Nesse momento, a obra chega ao Memorial 21/1998 da APAL, dirigido ao já mencionado Orfila Lima dos Santos, que endereçou carta ao prefeito municipal de Parnaíba à época, contendo as assinaturas de 69 parnaibanos residentes no Rio de Janeiro, dentre outras coisas, solicitando a criação de um antigo sonho, o Centro Cultural 19 de outubro. No referido memorial, assinado pelos 16 acadêmicos que moravam na cidade na época, há citados 11 comentários acerca do teor da correspondência vinda do solo carioca, além de demais detalhes sobre as missões da APAL e o estado de funcionamento de algumas entidades ligadas ao setor cultural na época.

Em seguida, o saudoso professor Iweltman Mendes traz o Anuário Parnaibano de 1995, trazendo detalhes atualizados sobre a cidade, em todos os seus aspectos mais relevantes, seguido pela agenda de Realizações da Prefeitura de Parnaíba no ano de 1997, desenvolvidas na então gestão municipal.

Finalizando a edição, o Almanaque de Parnaíba traz o PLANO DE DESENVOLVIMENTO MACROECONÔMICO elaborado pelo professor emérito da UFPI e acadêmico Lauro Andrade Correia, que contemplava os municípios de Parnaíba, Luís Correia e Buriti dos Lopes com 12 propostas de obras que ampliarem o potencial de desenvolvimento em múltiplas áreas da região, além do PLANO DE DESENVOLVIMENTO MACROECONÔMICO INTEGRADO DO ESTADO DO PIAUÍ, com 11 propostas para desenvolver as diversas regiões do estado como um todo.

Jailson Júnior

  • Texto publicado originalmente na edição 163 de O Piaguí, em dezembro de 2021.
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