Memória Almanaque, por Jailson Júnior (Edição 64, de 1997).

Memória Almanaque – Edição n° 64 – 1997

Dando continuidade à nossa série Memória Almanaque, dessa vez analisaremos de forma sucinta a edição de 1997, a quarta editada sob a responsabilidade da Academia Parnaibana de Letras. Com a capa trazendo a vista aérea da cidade de Parnaíba em seu encontro com a cidade de Ilha Grande simbolizada pela ponte coronel Simplício Dias da Silva, além da parte de trás trazendo a foto da fachada da Academia na época, essa edição mais uma vez teve o apoio da Gráfica e Editora da UFPI, que também imprimiu os 3 volumes imediatamente anteriores. O Conselho Editorial da edição ficou a cargo dos acadêmicos Lauro Andrade Correia, Alcenor Candeira Filho, Manoel Domingos Neto, Israel José Nunes Correia e Fernando Basto Ferraz, contando também com o apoio da Prefeitura Municipal de Parnaíba.

Logo após breve apresentação e índice, a edição começa com o texto Descrições da Paisagem Parnaibana, onde são trazidos à tona três textos literários que muito bem descrevem o cenário parnaibano sob à sensível ótica de Humberto de Campos, em seu texto Morros, Renato Castelo Branco com o seu Descrição de Parnaíba e o Velho Cais, do enigmático Assis Brasil.

Em Parnaíba Mudou (Para Melhor), o então prefeito Antônio José de Moraes Souza Filho traz diretrizes sobre a filosofia adotada pela sua gestão à frente da cidade de Parnaíba em relação à gestão de recursos e serviços destinados à população.

No texto A Falsa Aceleração do Tempo, o professor Manoel Domingos reflete sobre a velocidade crescente das mudanças que estão ocorrendo na vida em sociedade, e como isso se materializa nas relações humanas, na relação entre sociedade e tradição, na política, nas comunicações, entre outros campos da vida.

Marc Jacob em Portugal e a Epopeia dos Descobrimentos analisa a saga do país lusitano à partir de 1494, quando deu início ao seu processo de expansão das fronteiras durante o fenômeno das Grandes Navegações, iniciado no início do século XV, com a colonização de partes da África, o “descobrimento do Brasil”, e as consequências dessa busca pelo Eldorado para a própria metrópole e suas futuras colônias.

Em professor Wall Ferraz: o Homem, o Político, o Administrador, o professor e jornalista Renato Bacellar traz uma breve biografia do notório prefeito de Teresina, desde a época da juventude, quando foi presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito, vereador (1955-1963), vice-prefeito (1963), Secretário Estadual de Educação (1971-1975), prefeito de Teresina (1975-1979), além de demais atuações como professor e homem público até sua partida, em 22 de março de 1995.

Mário dos Santos Carvalho é homenageado em Lembrança que Permanece, de João Maria Madeira Basto, cidadão parnaibano que atuou firmemente pelo futebol parnaibano, protestou contra a reforma que sofreu a Praça da Graça na década de 1970, sendo também poeta, escritor, além de amigo íntimo do autor, que o homenageou de forma simbólica na presente edição. Na sequência, a jornalista Sólima Genuína traz à tona seu veio sensível, mostrando força poética e leveza em seu poema Mistério do Ser.

A já conhecida série Memória Fotográfica traz um pouco da arquitetura clássica do Centro Histórico de Parnaíba, trazendo logradouros que abrigaram  conhecidos colégios da cidade de outrora, como o Ginásio Parnaibano (atual Colégio Miranda Osório, gerido pelo Sesc Piauí), o antigo prédio do Grupo Escolar Miranda Osório, o prédio do Grupo Escolar José Narciso, o prédio do Colégio Nossa Senhora das Graças (ainda em atividade), do Grupo Escolar Luíz Galhanoni (onde funciona atualmente o Centro Cultural de Línguas), o Instituto São Luiz Gonzaga, o Grupo Escolar João Cândido e a Escola Lima Rebelo, atual Colégio Estadual Lima Rebelo, sendo todas as imagens datadas do ano de 1940.

Em Plano de Desenvolvimento do Piauí, Lauro Correia, acadêmico e ex-prefeito, emite carta pública a diversas autoridades nacionais sobre a situação do estado e à época, a não inclusão do Piauí em diversos projetos de desenvolvimento regional. Pádua Ramos usa seu amplo conhecimento em Economia para buscar os problemas da escassez de emprego e renda no Nordeste, trazendo teorias consagrados de importantes teóricos a nível mundial como John M. Keynes, Eric Fromm, Ruy Barbosa, entre outros.

Anchieta Mendes homenageia um dos grandes homens que Parnaíba teve como filho, o diplomata Frederico de Castelo Branco Clark, desde seu nascimento, em 1887, seu ingresso na Diplomacia em 1908, a passagem por Paris, Genebra, Bolívia, Cuba, Suécia, Japão, entre outras cidades importantes a nível mundial, suas obras deixadas enquanto escritor até sua partida deste mundo no ano de 1971, também em Parnaíba.

Na cômica e reflexiva crônica Vai Já Apanhar…, Rubem Freitas, saudoso pioneiro da comunicação parnaibana e membro da APAL, relembra em uma divertida e irreverente crônica seu amigo e companheiro de trabalho Bernardino da Costa Souza, o Beré, ao mesmo tempo que reflete sobre o velho costume da compra e venda de votos no Brasil. Logo em seguida, o prof. Jorge Falcão Paredes reflete sobre o prognóstico de um Brasil melhor, mas que ainda padece de males como o coronelismo moderno, a falta de instrução da população, a corrupção, entre outros males sociais ainda persistentes e bastante atuais.

O histórico dilema entre ciência e religião, questões éticas, morais, filosóficas, jurídicas, dentre outras, são trazidas pelo professor da UFMG José Wilson Ferreira Sobrinho em seu artigo intitulado A Clonagem de Seres Humanos. O referido tema, altamente em voga no ano de 1997 com a clonagem da ovelha Dolly, serviu de plano de fundo para um texto que caminha por visões múltiplas, abordando várias áreas do conhecimento humano.

O Almanaque também dedica parte de suas páginas a escritores a literatos já saudosos, na seção Poesia Parnaibana – Poetas Falecidos. Na primeira da edição n° 64, temos o Soneto LXVI, de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, Barro Amarelo, de Jonas da Silva, A Virtude Maior, de Alarico da Cunha, Qual dos dois?, de R. Petit, Estância do Amor, de Oliveira Neto, O Terceiro Milênio, de Renato Castelo Branco, Paisagem Natalina, de Fonseca Mendes, Passeio Pela Via Láctea, de Virgínia Lombardi e Aos Quase Trinta, de Paulo Veras.

Fernando Ferraz traça possíveis caminhos que poderiam ser tomados para a melhoria da qualidade de vida da população em Alternativas para Parnaíba, como o melhoramento de serviços públicos, o incentivo à vinda de indústrias e empresas é até mesmo a criação de um Parque Ecológico, aumentando a quantidade de área verde presente na parte urbana da cidade.

Em uma visão metalinguística da própria obra, o poeta Alcenor Candeira Filho faz uma análise sobre as propagandas veiculadas nos Almanaques da Parnaíba das décadas anteriores, em um tempo onde não havia ainda rádio e televisão, destacando a importância desses registros para a posteridade, havendo também a reprodução de alguns desse anúncios em anexo, finalizando com seu poema Soneto Fluvial.

Renato Neves Marques prossegue com o seu discurso de posse na cadeira n° 4 da APAL, proferido em 24 de agosto de 1996, seguido pelo jornalista Batista Leão, que relembra uma crônica escrita em 29 de março de 1977, falando sobre um Brasil já devastado por marasmos sociais de toda sorte, não muito diferente do Brasil logo após 20 anos da referida reflexão.

Em Parnaíba e a Nossa História, Orfila Lima dos Santos detalha ações ocorridas em solo parnaibano, desde as ações do empresário João Carlos Diniz, até a vinda de Domingos Dias da Silva, a consolidação do império de exportação continuado por seu filho Raimundo e principalmente por Simplício Dias da Silva, importante político e empresário que participou ativamente do movimento de independência do Brasil que ocorrera em solo parnaibano em 19 de outubro de 1822.

Em Ave, Brasília!, Fernando Ponte homenageia a capital do Brasil, dedicando o poema também ao amigo Dr. José Adirson Vasconcelos. Em mais uma sessão de imagens, dessa vez intitulada Ensaio Fotográfico, são mostradas várias fotografias de pontos importantes da cidade, tais como a Avenida Álvaro Mendes, o Colégio Diocesano Luiz Gonzaga, o campus universitário da UESPI, o Centro Desportivo Dirceu Arcoverde (Verdinho), a Igreja São Sebastião, a Avenida Coronel Lucas Correia e o Cemitério da Igualdade.

Com sua análise acurada da realidade, o inesquecível Assis Brasil brindou a edição de 1997 com a crônica Os Banhos de Lindalva, retratando uma cidade preconceituosa de décadas anteriores, situada na beira da outrora estrada líquida do Delta. Brasil ainda teria logo em seguida sua obra “Jeová dentro do judaísmo e do cristianismo: sonâmbulos e cegos nas vias tortuosas para a volta ao Paraíso”, editada pela Imago e publicada naquele mesmo ano pelo escritor e crítico literário Jorge Serra, que fez uma análise sobre os pormenores e dos temas que Brasil traz em sua obra.

Em Parnaíba – Velhos Tempos, Belos dias, Paulo Vinicius Madeira Basto relembra a cidade de sua infância, das décadas de 1950 e 1960, citando diversos logradouros da cidade e como era a vida naquela época, ainda embrionária em relação à modernidade da época.

O professor Francisco Pereira Filho em Internautas na Internet reflete sobre a rede mundial de computadores e suas possíveis implicações na vida da humanidade, além de elencar diversas possibilidades que ela já oferecia naquele momento. Em seguida, o historiador Adirson Vasconcelos, já homenageado na mesma edição em poema publicado anteriormente, contribui com o seu poema Exaltação à Brasília, em alusão ao 37° aniversário que a cidade celebrou naquele ano. 

O poeta Wilton Porto relembra um visceral amor da juventude vivido em viagem feita a São Paulo no ano de 1978, durante o mês de Carnaval, terminando o texto com dois poemas, seguido por Lígia Ferraz, trazendo a crônica Desabafo, que retrata a trajetória do casal Severo e Marlene.

Na seção Parnárias, poetas consagrados da literatura local nos brindam com seus textos, sendo os poemas Praça da Graça, de Anchieta Mendes, Bar do Gago, de Alcenor Candeira, Salve São João, de Jorge Carvalho, Multiplicação da Miséria, de Pádua Santos, Paisagem Marinha, de Elmar Carvalho, S. O. S., de Fernando Ferraz e Porto das Barcas, de Carlos Marinho.

A obra prossegue com o discurso do escritor Israel Correia, integrante do Conselho Editorial e que naquele ano assumiu o cargo de diretor do Campus da UFPI em Parnaíba, Ministro Reis Velloso, proferido em 19 de março de 1997. Em Esperança, a saudosa Edmeé Rego Pires de Castro reflete sobre esse que é o motor da humanidade, a crença em dias melhores, baseada em suas experiências próprias e suas leituras.

O Casamento do Futuro Visconde, do escritor Luís G. F. Menezes, relata de forma histórico-romântica o casamento de Né de Sousa (Manuel de Sousa Martins), que mais tarde se tornaria o Visconde da Parnaíba, ao mesmo tempo que dá um breve prelúdio sobre as origens da cidade de Oeiras, primeira capital do Piauí.

A célebre obra Rosa dos Ventos Gerais, do campomaiorense e imortal da APAL e da APL Elmar Carvalho é objeto de resenha crítica da leitora Teresinha Queiroz, que aborda aspectos líricos do Magnum Opus de Carvalho.

O advogado Paulo de Tarso Mendes de Souza toma emprestado o título da obra que inaugura o Naturalismo na literatura mundial (Germinal, do escritor francês Émile Zola) para homenagear em um texto emocionado e de rara beleza poética os trabalhadores sem-terra e todos aqueles que ao longo da história do Brasil, tiveram seus direitos sequestrados e padeceram sob uma pretensão utópica e distante de uma justa Reforma Agrária.

Em Observações Sobre o Piauí, o pesquisador, sociólogo e demógrafo Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar sintetiza, em detalhada análise teórica e numérica as causas do atraso e do subdesenvolvimento do estado, elencando diversos dados que fundamentam sua tese, além de oferecer sugestões sobre como tais problemas poderiam ser atenuados ou mesmo solucionados.

Em Informática e Saúde, o médico Valdir Edson Soares destaca as várias benesses da Informática da vida em sociedade, dando enfoque no uso que a tecnologia tem sido e pode vir ser a usada para avanço também da Medicina, tanto a nível nacional, quanto regional e por último local.

As últimas páginas da edição n° 64 se dedicam a divulgar várias instituições importantes do desenvolvimento do Piauí, com breve histórico, objetivos e metas, sendo elas o SESC – Administração Regional do Piauí, a E. M. Santos Agroindústria Comércio LTDA, qualificada na produção de pasteurizados, entre eles o famoso Leite Longá, a Santos Indústria e Comércio Ltda., dedicada ao ramo dos combustíveis e demais produtos derivados do petróleo para uso automotivo e a Unimed Parnaíba, elencando também sua primeira diretoria local.

Na seção Patronos da APAL há 4 páginas, as duas primeiras destinadas ao patrono da cadeira n° 1 do silogeu, José Pires de Lima Rebelo e as outras duas ao patrono da cadeira n°2, Edison Cunha.

E por fim, concretizando a edição do Almanaque ora esmiuçada, o professor Lauro Correia retorna, dessa vez apresentando dois documentos de sua autoria, o primeiro intitulado Plano de Desenvolvimento Macro-Econômico – (Síntese) e o segundo denominado Plano de Desenvolvimento Macro-Econômico Integrado do Estado do Piauí – (Síntese).

Jailson Júnior

  • Texto publicado originalmente na edição 159 de O Piaguí, em agosto de 2021.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s