Discurso de Posse de Claucio Ciarlini na Academia Mundial de Letras da Humanidade

Boa noite! Gostaria de agradecer a todos aqui presentes e dizer o quão honrado estou por tomar posse nesta academia que carrega o importante lema da HUMANIDADE junto a três cidadãos que honram qualquer grupo ou entidade que ingressarem, tanto por seus inúmeros serviços prestados nos mais diversos campos, como por seu caráter. Dr. Valdeci Cavalcante, Dr. Denis Cavalcante e o Desembargador José James Gomes Pereira. No que deixo meus cumprimentos aos três confrades, como também minha gratidão por todo o apoio, não só a mim, mas à Cultura e às Artes em nosso Estado. Cumprimento também, e agradeço, ao Presidente da Academia Mundial de Letras da Humanidade: Dr. Camilo Martins e aos amigos e escritores Maria Dilma Ponte de Brito e José Luiz de Carvalho (presidente da seccional de Parnaíba e Região Norte do Piauí da AMLH). Tendo sido, os últimos, Maria Dilma e José Luiz, os maiores incentivadores para o meu ingresso, tanto nesta Instituição de caráter mundial, quanto na Academia Parnaibana de Letras, nossa querida APAL. Cumprimento também a todos os acadêmicos e autoridades aqui presentes na mesa de honra.

           Sentimento de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade, em relação aos desfavorecidos. São características inerentes à palavra Humanidade, que inserida no nome de uma Academia de Letras, e principalmente uma Academia de abrangência mundial, é algo que vem a fortalecer, tanto a base, como as missões deste sodalício.

Humanidade é o que jamais faltou ao meu patrono e tio-avô Clauder Ciarlini, que nasceu em Teresina, no dia 24 de outubro de 1928, mas morou em Parnaíba a maior parte de sua vida.

Clauder Ciarlini

Desde criança foi músico, tocava violão clássico com maestria. Trabalhou em várias empresas da cidade, dentre algumas: Roland Jacob, Banco do Brasil e Delta. Por fim, trabalhou no Grupo Santos – Indústria e Comércio. Foi membro da Maçonaria e da Ordem Rosa da Cruz. Ao falecer, no dia 19 de maio de 2008, deixou sete filhos (Adélia, Clauder, Clauber, Claudete, Claucione, Claudius e Clauciane) além de inúmeros netos e bisnetos. Tio Clauder, como o chamava, irmão de meu avô, tinha, a meu ver, como maior qualidade, a humanidade, bem trabalhada através das suas: simplicidade e a sabedoria. Aprendi muito sobre a vida, sobre o mundo e sobre as pessoas conversando com ele. Era um ser iluminado, em toda a sua essência. E quem diz isso não é apenas um sobrinho-neto que tanto o admirava, mas alguém que conviveu com ele e o tinha como amigo, o escritor Marçal Alves Paixão, que relata em texto publicado no Almanaque da Parnaíba, edição 2019/2020:

“Clauder Ciarlini foi um ser humano verdadeiro. Rico em virtudes morais, cumpriu sua missão com dignidade em todos os setores da vida, com dedicação integral à família e ao trabalho. Era Maçom e tinha como filosofia moral o Espiritismo, procurando ser uma pessoa altamente espiritualizada; gostava de ajudar as pessoas e fazia muitas caridades, além das materiais. Como profissional, deixo sua marca positiva de conhecimento e sabedoria, em todas as empresas onde trabalhou. Como chefe de família, foi exemplar, como esposo, como pai, como avô, bisavô… Preocupava-se com o bem estar de todos. O Ciarlini era um homem realmente preparado, sempre atualizado, fazia questão de dividir os vastos conhecimentos com os demais; era uma verdadeira enciclopédia. Integro, ético, tratável com todos e de uma reputação ilibada.”

           Quando da partida de meu tio-avô, e a partir de agora também Patrono, prestei uma humilde homenagem:

           Nesta segunda feira, o mundo tornou-se um pouco mais escuro, as estrelas intimidaram-se, pois não puderam ouvir a respiração dele… A lua, melancólica, perguntou o porquê de tamanha pressa, não obteve resposta, então fechou os olhos… Por décadas, iluminou o caminho, de quem por ele foi tocado, fosse através de suas sinceras palavras e conselhos, ou através das doces melodias de seu violão… Não há como evitar as lágrimas que deixou, ao partir em busca de descanso, não da vida, pois a adorava… Mas sim do corpo, que já não mais atendia às suas expectativas…  No velório, rostos diversos chegavam de todas as partes, um luto se fez por toda a Parnaíba, e porque não dizer, por todo universo… Se apenas por um nome pudéssemos defini-lo, seria sensibilidade… Ele trazia sempre consigo essa sensação e fazia despertar na gente, a mesma, preenchendo de amor e esperança cada pensar… No último adeus, em seu enterro, homenagens merecidas foram prestadas, e por um momento chegamos a sentir que poderia passar apenas de sonho, que talvez ele não tivesse feito sua derradeira viagem… Então o sol surgindo, em nossa frente, nos fez voltar à realidade… E perceber, que deve ter sido ele, Clauder Ciarlini, criando mais uma boa ilusão pra nos consolar… Como sempre fez!

           Pessoas como o meu saudoso tio-avô Clauder Ciarlini e minha eterna Vomãe Francisca de Oliveira Carvalho, foram grandes exemplos de HUMANIDADE que tive em minha vida e que busco ao máximo seguir os ensinamentos deixados por ambos, tanto em meus trabalhos no campo da educação, como da cultura ou da literatura. Nas salas de aula de escolas e universidades por onde passei nos últimos vinte anos, busquei não apenas repassar conhecimento, mas ensinar valores humanos, de cidadania e de fraternidade. Através do jornal O Piaguí (que já dura 15 anos) e outras obras que editei/ organizei, o lema nunca foi apenas informar, divertir ou fazer refletir… Mas oferecer oportunidades, revelar talentos, trazer felicidade, servir de pontapé, de incentivo. E no que diz respeito aos meus escritos, a maior emoção que já me trouxeram, e para além da alegria de um aplauso ou reconhecimento, foram as vezes em que alguém revelou que minha poesia ou crônica serviu de ajuda, no que destaco, para além de meus poemas que desempenharam esta função, as entrevistas que fiz com personagens de Parnaíba, homenagens literárias sinceras, adaptadas para um livro chamado Parnaíba, por quem também faz por Parnaíba. Meu quarto livro e de qual mais tenho orgulho. Orgulho que só não é maior do que o que tenho das quatro mulheres da minha vida: Rosângela de Oliveira Carvalho (minha mãe), Ana Roberta Campos Ciarlini (minha esposa) e Carolina e Ingrid Ciarlini (minhas filhas). Muito obrigado por todo o amor, carinho e paciência durante esses anos entre tantos trabalhos e projetos.

           No mês em que alcanço 41 anos de vida e 26 como escritor, tendo a alegria de já atuar há 20 anos na Educação e na Cultura, é preciso agradecer a todos que direta ou indiretamente foram responsáveis por minha evolução e amadurecimento até aqui. Inicialmente a Deus, depois minha família; também os amigos leais, os autores que me inspiraram e até hoje os leio e coleciono; os professores que muito me ensinaram, em especial os mestres de literatura e história; os amigos, colegas e escritores da época de escola, da faculdade e dos dias atuais; os amigos que fiz nas escolas por onde já trabalhei, professores e alunos; o amigo e sócio no Piaguí e outros projetos, o diagramador Fábio Bezerra; os irmãos/filhos de Versania; os companheiros de escrita: da coleção Entre Gerações, do Piauí Poético, do Piauí em Letras, da Academia Parnaibana de Letras, do Clube dos Poetas Mortais, do Ateliê Poético, dentre outros. A lista de pessoas com as quais interagi durante esses anos culturais é extensa. Porém irei mencionar alguns: Rodrigo Ciarlini, Leandro Ciarlini, Bernardo Borges Silva, Bruno Carvalho Neves, Francisco Loiola, Israel Machado, Frederico Osanam, Maxwell Martins, Josué Calixto, Carlos Pontes, Marciano Gualberto, Marcello Silva, Luana Silva, Alexandre Cesar, Carvalho Filho, Ana Ferreira, Paulo Couto, Daltro Paiva, Tiago Fontenele, Zilmar Junior, Leonardo Rodrigues, José Luiz de Carvalho, Morgana Sales, Wilton Porto, Antônio Gallas, Maria Dilma Ponte de Brito, Mauro Sousa, Elmar Carvalho e Jailson Junior. Alguns são como pais, outros irmãos e alguns, como se fossem filhos.

           Parnaíba vive um grande momento cultural, onde diversos grupos, e acabo de citar alguns deles, têm atuado de forma democrática e inspiradora, com escritores e artistas de diferentes gerações convivendo num mesmo espaço, interagindo e aprendendo uns com os outros; várias obras sendo lançadas através da bela produção de empresas como: Sieart Gráfica e Editora, Fábio Diagramações e Editora Tremembé; a grande atuação do SESC no que condiz ao cultural, ao histórico, ao social e ao literário; e jamais poderia deixar de mencionar aqui a enorme generosidade daquele que indiscutivelmente é o maior Mecenas que esta cidade já teve: Francisco Valdeci de Sousa Cavalcante.

           E é com suas palavras, caro amigo e confrade, impressas na introdução de A Lei Divina e a Consciência, que concluo minha fala hoje, quando ao lembrar-se dos ensinamentos de seu pai, você disse:

Aprendi (com me pai) a trabalhar muito cedo, sob sua orientação permanente, assim como por meio de seus exemplos e modos de fazer negócios. Sempre com muita humildade, simplicidade, sinceridade, honestidade e respeito para com as pessoas. Também aprendi com meu pai o sentido do amor ao próximo, da fraternidade, da caridade e da religiosidade. Mas o que mais me impressionava nele, era a forma como enfrentava as dificuldades que sempre estiveram presentes em nossas vidas. Ele era de uma fé inabalável.”

           E assim foi construída sua HUMANIDADE, amigo e confrade Valdeci. No que nós, Parnaibanos, só temos a agradecer.

Muito obrigado!

Claucio Ciarlini (18 de março de 2022).

Seguem alguns registros do evento, que além da Cerimônia de Posse dos quatro acadêmicos, também foi o lançamento da nova obra do escritor e empresário Valdeci Cavalcante.

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