Meus Incríveis e Angustiantes anos 2000

Estava a assistir uma aula no curso de História. O assunto da disciplina de História do Brasil naquela noite era Ditadura Militar Brasileira. Enquanto minha mente era conduzida ao passado, me jogando mais uma vez na nostálgica teia dos anos 80 e 90 de minha vida, fui despertado por gritos que vinham do corredor da faculdade. Eram exaltações de um professor, que aos berros exclamava de porta em porta nas salas:

            – Venham ver, os Estados Unidos estão retaliando!

            Era 08 de outubro de 2001, e o Jornal Nacional divulgava um ataque das forças armadas dos Estados Unidos e do Reino Unido contra o Afeganistão, ocorrido no dia anterior, ataque esse empreendido com o intuito de rechaçar as forças do Taliban e Al-Qaeda, respondendo dessa forma, aos atentados do dia 11 de setembro.

            Ao mesmo tempo em que os cursos de História e Ciências Sociais do CCH da Universidade Estadual Vale do Acaraú paravam para assistir o festival de bombas lançadas sobre o Oriente, eu me indagava e refletia (com certo teor de ironia) se havia sobrevivido aos desafios das décadas anteriores, apenas para cair nos braços de uma Terceira Guerra Mundial. Algum tempo depois, antes de concluirmos o curso, acabamos por ver que a única guerra que começou foi a dos EUA contra o Iraque, aproveitando-se do choro de milhões de civis, a fim de garantir o tão almejado “Ouro- Liquido- Negro”.

            Na medida em que o mundo amadurecia perante aos acontecimentos da primeira década do novo milênio, me vi tendo que aprender perante os primeiros empregos, seguidos de um casamento, uma formatura e posteriormente, o nascimento de minhas duas filhas. Porém quando pensava que a vida finalmente me traria apenas felicidade, recebi em 2006 um duro golpe: A morte de minha avó (Vomãe).

            Por mais que eu tentasse, e olhe que tentei, não consegui evitar que a melancolia me abatesse. Escutando meu MP3 Player por horas seguidas, buscava canções que me deixassem mais relaxado (porém sem muito sucesso), na tentativa de escapar da cruel angústia que me consumia, me vi tendo que ser mais forte do que as adversidades… Tive que ultrapassar os meus limites, o que era complicado na época, pois já vinha de dias e noites sem dormir devido ao nascimento das minhas gêmeas, somado a uma longa rotina de trabalho e sérios problemas de dívidas.

            Porém nos dois últimos anos as coisas foram melhorando, e às vezes, a tal ponto que fui me permitindo sorrir, baixar a guarda e até mesmo deixar, de vez em quando, meu lado sonhador aparecer… Comecei de fato a lecionar (e o melhor, vi que conseguia!)… Fui lançando os meus livros (mais emoção)… Ainda veio um jornal de cultura (a alegria foi se restabelecendo)… O amor de minha esposa, o carinho das minhas pequenas… Então pensei no Lula, no Obama… lembrei do Papai Noel, pois afinal:

            – O que seria de nós sem um pouco de esperança?

…O futuro é algo incerto, e sempre foi… Porém depois de três décadas, de mortes, nascimentos e renascimentos, vitórias, derrotas e desilusões, o que carregamos em nossas mentes, além de visíveis cicatrizes, são aprendizados… Lições que nos ajudam a entender um pouco do que somos… E que nos ajudam a não ceder nos momentos de maior agonia… E depois de toda a jornada até aqui, paro para pensar o que virá na sequência… É quando a sirene da escola toca, avisando sobre o fim do recreio… Hora de mais um pouco de história!

Claucio Ciarlini (2009/2021)

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