Do Piaguí às Coletâneas: O Diálogo entre Gerações, por Claucio Ciarlini

            Quando O Piaguí nasceu, em cinco de novembro de 2007, além de logo se mostrar um espaço democrático e gratuito, que valorizava a história, a literatura e a cultura de nosso estado, ainda proporcionou algo nunca antes visto em publicações na cidade ou até em muitas outras do estado e afora. Trata-se do dialogo entre Gerações! Desde o primeiro número, escritores, artistas e pesquisadores de várias idades/tempos, desde aqueles que ainda estavam iniciando até os mais experientes e reconhecidos, dividiram espaço em pé de igualdade. E embora a maioria não se conhecesse pessoalmente (ou via internet), acabavam por ler, admirar e aplaudir as criações uns dos outros, fosse poemas, contos, caricaturas, crônicas e muito mais… Reunidos que estavam neste veículo de cultura que certamente marcou os últimos 14 anos de Parnaíba e ainda continua atuante, hoje não apenas limitado às páginas mensais que os seus leitores e apreciadores degustam e colecionam, mas tendo espaços virtuais nas plataformas Youtube, Facebook, WordPress e Instagram.

            Os anos foram avançando e os mesmos trouxeram o reconhecimento da atuação do Piaguí por parte de jornalistas, literatos e historiadores, a citar alguns prêmios que o jornal conquistou e também textos dedicados ao impresso como o do poeta Elmar Carvalho, quando em sua publicação O Piaguí – Um jornal Culuralista, mencionou: “Admiro a sua linha editorial. Noto que é desprovida de interesses menores, alheia a ciúmes de grupo, e, sobretudo tenho observado que os seus diretores não são obsessivamente ciosos de suas próprias produções; ao contrário, sabem reconhecer o valor dos outros, sem importar a que gerações pertençam. Até mesmo escritores já falecidos e um tanto esquecidos tem sido lembrados em suas páginas. Tenho visto o esforço desse órgão de comunicação em preservar a memória histórica do Piauí, através de matérias que sintetizam a história de vários municípios, assim como outras que tem divulgado os sítios arqueológicos e espaços culturais de nosso estado. Em suas folhas tem sido estampados contos, crônicas e poemas, além de pequenos ensaios e entrevistas (…), no que complementa: Considero os que fazem O Piagüí, tanto o jornal impresso como o portal de mesmo nome, como jovens idealistas, despojados de mesquinhas vaidades, egoísmos e egolatrias, que através da arte e da cultura buscam um mundo melhor, mais justo e mais fraterno”.

            Durante os 10 primeiros anos, O Piaguí seguiu cumprindo as suas missões, sempre trabalhando com a humildade e a sensibilidade do início e, com o tempo, diversos estudantes de escolas e faculdades que participaram do movimento (e que até estrearam no jornal) foram se formando, alguns lançando livros, ganhando reconhecimento, assim como fazendo amizades e parcerias com os escritores de gerações que vieram muito antes deles. Contudo ainda restava incentivar/conscientizar uma parcela dos mais experientes de que essa interação entre gerações era algo benéfico (e para ambas as partes). E o ano de 2017 foi bem significativo para isso, pois no mês de setembro organizei a coletânea poética Versania que trazia em suas páginas 22 poetas que estrearam no jornal desde sua criação até ali. A diagramação da obra ficou por conta de Fábio Bezerra, que também diagramava O Piaguí e foi um dos fundadores. No mês seguinte, o escritor e jornalista Pádua Marques (de uma geração anterior, mas muito atuante no impresso piaguiense), que havia tomado posse na Academia Parnaibana de Letras pouco tempo antes, no mês de maio, depois de conversas com o presidente da APAL José Luiz de Carvalho, que por sua vez já vinha desenvolvendo um belo Projeto chamado Academia Viva, visando promover a aproximação da APAL com os jovens literatos e comunidade em geral, publicou: Vamos Dialogar com a nova Geração?No texto, Pádua propõe aos membros da APAL que convidem para uma roda de conversa os jovens escritores, pois apenas benefícios poderiam surgir desta aproximação. Reforçando então o que já estava nos planos de José Luiz e o que o Piaguí já vinha fazendo desde a sua criação.

            Seis meses haviam se passado desde o lançamento de Versania. Era o mês de abril de 2018 e em meio à produção da segunda edição da coletânea (mais revisada e com nova capa) e inspirado em tudo que foi dito acima, tive a ideia de uma coleção de coletâneas literárias que trouxessem os gêneros: Conto, Poema e Crônica. Diferente do projeto de 2017, que era voltado para dar mais visibilidade aos escritores que ainda não tinham livros publicados, o objetivo principal desta seria a interação entre Gerações. Por ter conhecimento do  já citado projeto Academia Viva, convidei o amigo José Luiz de Carvalho, para organizar comigo esta nova empreitada, no que resolvi deixar para começar no ano seguinte, ou seja, em 2019, por conta da produção e lançamento da segunda edição da já citada Versania.

            A partir daí, e como dizem, é história! Tivemos a produção e lançamento de Contos entre Gerações em 2019 (30 contistas), com uma interação maravilhosa entre autores de diferentes épocas (algumas até gerando parcerias); em 2020 da mesma forma, mas com Poemas entre Gerações (60 poetas), no que devido ao isolamento causado pelo Covid19 não tivemos um evento presencial e sim uma gravação via Zoom, mediada por Dilson Lages, escritor e editor do Portal/Canal Entretextos. Já nesse ano de 2021, com Crônicas entre Gerações (40 cronistas), o convívio virtual entre os autores foi mantido, além da grande qualidade das produções, assim como nos livros anteriores. Como sempre, com igualdade de páginas, por ordem alfabética, com previsão para um grande lançamento no fim do ano e não só valendo para esta obra, mas para toda a coleção. No que torço, caro leitor e desde já, que quando este livro chegue às suas mãos, já tenhamos vencido esta pandemia que até agora tem nos assolado.

            Os frutos diretos e indiretos do(a) Movimento/Geração O Piaguí surgem a todo o momento. O Diálogo entre Gerações literárias é uma realidade. O que até alguns anos seria impensável, hoje já se tornou comum. Diversos são os grupos e entidades que promovem essa interação entre gerações. Além desta coleção, tem-se a Academia Parnaibana de Letras, o Sesc Literatura, o Piauí em Letras, o Clube dos Poetas Mortais, o Piauí Poético, o Geleia Total e certamente inúmeros outros que ainda não tenho notícia, mas que estão aí, assim como muitos que ainda irão surgir, ambos no intuito de fortalecer, não só a cena literária, mas da cultura em geral. O céu é o limite.

Claucio Ciarlini

Editor e um dos criadores de O Piaguí

Idealizador e um dos organizadores desta Coleção

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