ALGODÃO DOCE

MARIA DILMA PONTE DE BRITO
ACADEMIA PARNAIBANA DE LETRAS APAL CADEIRA 28
PATRONO LÍVIO LOPES CASTELO BRANCO
1 º OCUPANTE HUMBERTO TELES MACHADO DE SOUSA

Algodão doce colorido, espetado numa vara longa para ficar mais pertinho do céu. Traz alegria e brilho aos olhos das crianças e em muitos adultos também. Na minha infância os vendedores circulavam nos logradouros anunciando: olha o algodão doce. Quem vai querer? Naquela época nas ruas residenciais também se comprava a pipoca, o pirulito, o sorvete, as balas no tabuleiro, a cana rodelada.

Todos eram esperados pela criançada com ansiedade. Hoje esses vendedores de alegria, estão mais presentes, nos circos, parques e alguns, na praia.

          Os lugares citados vendem felicidade até para os adultos. Eu amo um parque. Virei criança quando visitei o “Beto Carreiro World, o maior Parque Temático da América Latina”, com mais de cem maravilhosas atrações.

          Voltando ao algodão doce, fiquei a imaginar que a vida deveria ser como ele. Vida colorida, docinha, macia, gostosa e com o encanto que ele remete. Aí sonhei acordada. Imaginei que o algodão doce florescesse em árvore. Pensei em um pátio com vários pés. Alguns róseo, outros amarelos, brancos. A casa que tivesse um pé dessa doçura seria uma casa feliz, de paz e de harmonia. A colheita prazerosa, deveria ser como se tivesse colhendo um pedaço de nuvem colorida. E ali mesmo embaixo da árvore seria degustado, derretendo na boca, todos com o mesmo sabor não importando a cor que fosse.

Retornei a realidade e ri da minha fértil imaginação. Mas, acho que deveríamos adoçar a nossa vida de qualquer maneira. Embora sendo com atitudes, palavras, gestos e outras coisas assim. Esse tipo de alimento da alma não engorda, não tem contra indicação e como nos deixa bem.

          Olhando para o céu vi nuvens tal qual o algodão doce e fiquei fitando o firmamento. Será que lá em cima é tudo assim, docinho? Lembrei-me do pé de feijão de João que crescia, crescia até chegar nas nuvens. Gostaria que ele fosse real para eu chegar lá também. Na minha cabeça, nessa escalada, encontraria também a casa de doce da vovó. Com o telhado de açúcar, as portas de chocolate, o piso de biscoito e a água de mel.          

Belos devaneios, puro, singelo sonhos doces como deveria ser a Vida.

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