O SILÊNCIO

dilma vermelho

MARIA DILMA PONTE DE BRITO
ACADEMIA PARNAIBANA DE LETRAS – CADEIRA 28
PATRONO LÍVIO LOPES CASTELO BRANCO
1 º OCUPANTE HUMBERTO TELES MACHADO DE SOUSA
DO LIVRO “O QUINTO”  – INÉDITO

    No silêncio da noite eu procuro o barulho.
O vento sopra
As folhas das árvores sussurram
As estrelas estão caladas
Ao longe o cachorro late
É hora de meditar
De encontrar a paz.

             Difícil conseguir acalmar os nossos próprios barulhos. Mas todos dormem e precisamos calar respeitando o sono dos que sonham, dos que repousam. Corpo inerte, músculos inativos.

          Escuto o silêncio, a calmaria da noite. Ninguém fala, nenhum carro passa e nenhuma moto se atreve a quebrar o sossego.

          Os anjos estão guardando a noite, desceram do céu para velar aqueles que descansam, protegem os lares, as famílias.

          O silêncio me leva a conversar comigo mesma, inspira-me, ouço a voz calada da noite, que acalma qualquer alma e instiga qualquer poeta. Leio agora o silêncio na visão de Padre Fábio de Melo.

“Na palavra, a comunicação se realiza. No silêncio, ela se completa. Pois a compreensão se concretiza a partir do silêncio. Há poder em ambos e a sabedoria é usar bem esses dois tempos da comunicação.
Dentro de uma composição as pausas são tão importantes quanto os sons. Uma boa orquestra é aquela que executa bem as dinâmicas das pausas e das continuidades. Mesmo no silêncio da pausa a canção continua…”

            E eu escuto uma canção sem que ela exista de fato. Devaneio, fantasia, imaginação. Medito. A quietude faz com que eu me encontre com o meu eu. O silêncio é luxo e eu me usufruo dele nesse momento único. Desplugada da tecnologia, desconectada como o mundo aproveito esse instante e busco o equilíbrio, a calmaria.

          O sono chega. Pestano. É a minha vez de recolher. Calma, tranquila, equilibrada, pela paz do silêncio. Não tarda o sol aparecer, os pássaros despertarem alegrando com suas sinfonias. O dia, a vida voltando ao normal. O barulho retomando ao seu posto. Faz parte.

          Mas sempre é possível um contato com o silêncio em qualquer lugar que estivermos. Basta ter vontade e disciplina.

         11.08.2020

Um comentário sobre “O SILÊNCIO

  1. Caso você procure no Recanto das Letras, minha crônica DURMA-SE COM UM BARULHO DESSES, verá meu pensamento sobre o silêncio. O silêncio é tão importante quanto o barulho. O freio e o acelerador estão lado a lado. Eu não sei puxar conversa comigo mesmo, não domino essa técnica… aplausos!

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