O maestro Fabiano e duas tiradas tiranas

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DIÁRIO

[O maestro Fabiano e duas tiradas tiranas]

Elmar Carvalho

13/07/2020

            A Academia de Letras do Vale do Longá – ALVAL realizou na terça-feira passada, dia 7, a partir das 19 horas, uma reunião online, em que o confrade Antônio Pedro Almeida ministrou uma palestra sob o título “Manoel Fabiano: Vida e Obra”. Vários acadêmicos participaram, entre os quais os músicos Francis Monte, poeta, violonista e compositor barrense, Fábio Mesquita, militar do Exército, Regente da Banda Manoel Fabiano, de Batalha, Lima Neto, cantor e instrumentista,  integrante da Banda Manoel Fabiano. É neto do grande compositor, que dá nome à orquestra batalhense.

            Na parte destinada ao debate, fiz pequena intervenção, em que teci breves considerações sobre um compact disc (cd) organizado pelo maestro George Machado Tabatinga, através do qual ouvi belas composições do maestro Manoel Fabiano. Fiz sintética referência ao compositor Possidônio Queiroz, cujas magistrais valsas estão preservadas, graças a um cd e a um livro com suas partituras, ambos organizados pelo saudoso maestro Emmanoel Maciel, professor da UFPI, e também pela Orquestra de Bandolins de Oeiras, por meio de cd e de esporádicas apresentações.

            Também me referi ao major Honório Bona Neto, autor de belas valsas e multi-instrumentista, pois tocava flauta, violão, acordeão, saxofone e clarineta. Faz alguns anos sugeri que a prefeitura de Campo Maior resgatasse suas músicas, tanto através de cd como por meio de partituras. Tempos atrás o maestro, instrumentista e compositor Corinto Brasil reuniu as suas principais valsas em um compact disc mais ou menos “artesanal”, por iniciativa, creio, pessoal sua, com pouco ou nenhum incentivo do poder público municipal.

            Ainda com relação ao maestro Fabiano, sugeri fosse feito um documentário, em que poderiam ser inseridas as músicas já gravadas em cd’s ou fitas e outras que a “filarmônica” de Batalha pudesse executar especialmente para esse trabalho. Além disso poderiam ser colhidos depoimentos de músicos, de pessoas que o conheceram e de amigos e familiares, bem como poderiam ser aproveitadas imagens fotográficas de diferentes etapas da vida do maestro.

E sem dúvida o roteiro seria permeado por uma pequena narrativa biográfica. O documentário seria exibido em diferentes locais, em ocasiões apropriadas, e depois postado no You Tube, o que possibilitaria a preservação definitiva das belas valsas de Manoel Fabiano. Me referi ainda aos harmoniosos e melodiosos dobres dos sinos da vetusta igreja de São Gonçalo (da Batalha), que ouvi por meio do cd a que fiz referência. O escritor e advogado Antônio Pedro Almeida se entusiasmou, e disse que envidará todos os esforços para realizar o documentário sobre a vida e a música do inesquecível  maestro Manoel Fabiano.

A reunião foi conduzida com maestria, já que estamos a falar de música, pelo Prof. Dr. Raimundo Dutra de Araújo, presidente da ALVAL, que se houve muito bem na abertura dos trabalhos e na condução dos debates. Em dado momento, ele perguntou, brincando, a um dos participantes da reunião se não o estava reconhecendo, nem mesmo pelo brilho de sua careca.

Outrora, eu perdia um amigo, mas não a oportunidade de fazer uma blague. Porém, agora já não sou assim; hoje, prefiro fazer e conservar amigos. Tive imensa vontade de fazer a seguinte “tirada”, em resposta ao confrade  presidente Dutra: “Não o reconhece, porque a luminosidade intensa que emana de sua pessoa ofusca o brilho de sua careca”. Todavia, preferi ficar inerte e mudo.

Contudo, no dia seguinte, à tarde, participando de outra reunião online da Academia Parnaibana de Letras – APAL, em que estávamos a receber instruções para a eleição virtual, que acontecerá amanhã, em sua parte informal, tive a oportunidade de contar essa anedota que não chegou a acontecer em sua plenitude. A risada foi plenária.

O acadêmico, jornalista e escritor Antônio Gallas, aproveitando a deixa do brilho da careca e do careca, nos contou que estava levando muito a sério a quarentena, quase em regime espartano, e que, por isso mesmo, ele próprio fazia o seu cabelo, embora em cortes um tanto tortos e toscos, e não simétricos.

Desta feita não perdi a oportunidade de exercitar a minha verve, e disparei à queima-roupa: “Não tenha medo de cometer ‘barbeiragens’, pois até os legítimos e experientes barbeiros as cometem, e também fazem os seus ‘caminhos de rato’ e outras imperícias”.

As gargalhadas foram amplas, gerais e irrestritas, neste tempo de restrição e reclusão.

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