Zé Maria: sinônimo de positividade e trabalho!

“Escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.”(Confúcio – pensador e filósofo chinês que nascido no século VI antes de Cristo)

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            É raro eu me utilizar de citações quando se trata de meus textos sobre a trajetória daqueles que também fazem por Parnaíba, mas desta vez não houve como não lembrar do pensamento de Confúcio, quando do mergulhar no histórico profissional e de vida de José Maria Alves das Chagas Silvestre, originário da cidade de Caxingó, nascido em 15 de março de 1974 e filho de José Batista Silvestre e Bernarda Alves das Chagas Silvestre.

            Zé Maria, como as pessoas costumam chamá-lo, é um dos maiores exemplos de amor à profissão com quem já me deparei nesses anos em que entrevisto pessoas que dão sua parcela de contribuição para a manutenção e a melhoria da cidade. Sua história em Parnaíba tem início no ano de 1982, quando, com oito anos, mudou-se com a família para a cidade, no que comenta: Sou o mais velho dos homens, numa família de nove irmãos, porém um veio a falecer ainda pequeno antes de nos mudarmos para Parnaíba…  Meus pais vieram na busca de mais oportunidades, na época o Sr. Deucrides Neves Machado tinha uma padaria e trouxe meu pai para trabalhar com ele.

            Zé Maria fala da dificuldade que foi quando chegaram a Parnaíba: nos deparamos com muita dificuldade financeira, e isso fez com que eu entrasse muito cedo no campo de trabalho. Com nove anos de idade, começou a trabalhar numa marcenaria: fazendo de tudo, desde varrer, limpar o chão, até chegar aos trabalhos com madeira, foi na marcenaria do Seu Joca, hoje já falecido. Do qual não tenho palavras para agradecer! E relata: Trabalhei dos nove aos doze anos, no início, de forma não remunerada, mas depois, já com dez anos, passei a receber pelo trabalho, ao mesmo tempo em que fui aprendendo a fazer cadeiras, camas, guarda roupas, portas, ou seja, tudo que o marceneiro faz…

            Chega o ano de 1986, e com doze anos, Zé Maria recebeu o convite para trabalhar numa oficina mecânica de automóveis, no que ficou por um ano, portanto, até os 13 de idade: passei um ano tendo essa experiência e aprendi um pouco desse campo, mas aí voltei a trabalhar para Seu Joca, convidado de novo por ele, pois na época, o filho dele havia deixado o trabalho para se profissionalizar e ele me convidou, já estabelecendo um salário para mim, no que trabalhei até os 14, pois houve um teste seletivo no Banco do Brasil para acessorista através de uma empresa chamada Tecnicar.

            O bom trabalho, empenho e a simpatia, somados ao grande caráter, fizeram com que, desde muito cedo, Zé Maria conquistasse a admiração e a confiança de todos que iam tendo contato com ele. Seu Joca foi um dos primeiros, chegando até mesmo a incentivar Zé Maria a fazer o teste seletivo já mencionado: Seu Joca me deu o dinheiro para fazer o teste, me dizendo que se eu não passasse, não teria problema, pois meu emprego estaria garantido! O fato é que Zé Maria acabou passando no teste, em segundo lugar, no que logo assumiu, pois quem havia ficado em primeiro, acabou não podendo. Passado um ano e meio, Seu Álvaro Neto, dono da empresa Tecnicar, perdeu o contrato com o Banco do Brasil e trouxe Zé Maria para o escritório da empresa: eu passei a cuidar do escritório da Tecnicar, e cinco meses depois que eu estava no escritório, ele me botou como supervisor. Zé Maria passou a supervisionar toda a equipe de profissionais da empresa terceirizada no Banco do Brasil Sede e Banco do Brasil da Pires Ferreira, no centro, que logo mudaria  para Guarita, e depois comecei a ir também para Teresina, pois ele também tinha muito contrato no Banco do Brasil por lá. Eu passei a supervisionar toda a empresa dele “Álvaro Neto”, distribuindo material de limpeza, vendo se a limpeza estava correta, pois a linha era limpeza e manutenção. Zé Maria ficou seis anos trabalhando para a empresa Álvaro Neto. Nesse período, ele começa a trabalhar também como eletricista.

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            No ano de 1996, com apenas 22 anos, mas já com um vasto e diversificado currículo, Zé Maria fez um teste para trabalhar no Sesc, no que comenta: quando abriu a Colônia de Férias do SESC Praia, em 96, eu fui convidado pela Dona Zilda Martins, diretora regional e por Dona Toinha, sua assessora. Eu fiz o teste, fui selecionado para ser funcionário do SESC, onde até hoje me encontro, atuando na área de manutenção do Sesc Praia até o ano de 2013, onde passei a trabalhar no Sesc Parnaíba, no setor de cultura, sendo na parte de iluminador cênico e sonoplasta. Um tempo depois, o Doutor Valdecir (Cavalcanti) e a equipe de direção do SESC me apresentaram uma proposta de fazer a manutenção no Estado do Piauí, onde passei a andar em todos os prédios do Sesc no Estado, realizando a manutenção e orientando os técnicos que estavam nessas unidades.

            Antes mesmo que Zé Maria fizesse o teste para o Sesc Praia, ele se uniu em matrimônio no ano de 1995 com Francisca das Chagas da Silva Veras, seu amor e sua companheira nos desafios da vida, como também a mãe de seus dois filhos Zé Maria Júnior (20 anos) e Ilde Vitória (10 anos), no que desabafa: eu tive mais dois filhos, mas infelizmente Deus levou.

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      Uma de suas fortes características é sempre conseguir enxergar o lado positivo das coisas, mesmo em meio às tragédias. A outra é de estar constantemente disposto a compartilhar o seu conhecimento a todos que precisam e que estejam abertos a aprender, tirando duvidas e incentivando quem trabalha na área, generosidade que infelizmente nem todos possuem, no que relata: meu conhecimento é para ser expandido, não é só para mim, é para expandir para quem está próximo de mim, quem quiser aprender e eu tiver condição de ensinar o pouco que eu sei, sem dúvida eu vou fazer com muito amor e com muito carinho. Porém seu lado humano fica ainda mais perceptível quando dos projetos sociais em que participa, como o Odonto Sesc, que desenvolve ações de saúde integradas para prevenir doenças da boca, onde carretas circulam em quase todos os municípios do Piauí; outro projeto que Zé Maria faz parte é o Sesc Saúde Mulher, composto por unidades móveis que realizam exames para prevenção de câncer de mama e colo de útero, além de ações educativas para a promoção da saúde, no que Zé Maria comenta: projetos para mim de altíssimo valor que o Sesc realiza, principalmente o de Câncer, pois tive perda de pai e mãe justamente por problema de câncer. Então para mim é um prazer muito grande trabalhar num projeto que leva a capacidade de identificar ainda de forma precoce esse tipo de doença, evitando assim que tenhamos percas de vida.  Zé Maria acabou por me relatar o sofrimento pelo qual os pais passaram em razão da doença e uma fala de sua mãe, pouco antes de morrer, fato que se deu há 20 anos,afetaria bastante Zé Maria: Minha mãe, na morte, me pediu para não deixar os meus irmãos sofrerem ou passarem necessidade e eu busco, no que posso. ajuda-los. Tanto que eles me têm hoje como um pai e temos uma ótima relação. Na ordem, os meus irmãos são: Maria da Graça, Francisco, Maria de Fátima, Antônio, Domingos, José Gracia e Graciana.

            O reconhecimento de seu trabalho, para além das promoções e oportunidades que surgiram no decorrer destes 46 anos de vida e 37 anos de trabalho, veio em premiações, como a de 2017, quando ele foi escolhido como segundo melhor iluminador dos Estados do Piauí, Maranhão e Ceará; como também a medalha de honra ao mérito que recebeu em 2019 devido ao seu trabalho como iluminador cênico do Grupo Raízes do Nordeste. Zé Maria dá a receita para tal conquista: Amor ao trabalho! Além de sempre estar se atualizando através de cursos oferecidos pela instituição ou em outros lugares. Zé Maria confessa que o amor e dedicação ao trabalho, fatores que o conduziram a um relativo progresso financeiro, algumas vezes chegaram a ser alvo de criticas: o meu maior lazer é meu trabalho, embora alguns da minha família e amigos possam dizer que sou doido, por muitas vezes deixar de se divertir e de estar com esposa e filhos para trabalhar, alguns dizem até que faço isso por ganância, o que não condiz de forma nenhuma, pois muitas vezes em que eu ajudo, é em minhas horas de folga, pelo prazer do que faço, além da vontade de sempre ajudar quando é preciso. No que completa: qualquer que seja a coisa que a gente faz se grande ou pequena, quando se faz por amor, se sentindo bem, não se cansa e nem se fica estressado! Eu não me estresso no meu trabalho, nunca me estressei, se algum dia já me viram estressado foi por outros motivos, não o trabalho. Confessa que tem o sonho de acompanhar a formação dos filhos, o mais velho já está entrando agora na universidade de arquitetura; também pretende um dia se mudar para interior, para uma chácara que pretendo construir, isso, caso, minha esposa queira, e quanto na vida profissional, gostaria de montar uma ONG aqui em Parnaíba, para ensinar gratuitamente manutenção preventiva predial para pessoas de baixa renda.

            Por várias vezes a vida deu a Zé Maria motivos para se tornar amargo ou negativo, mas sua fé e seu poder de resiliência o fizeram seguir, com o costumeiro bom humor, o sorriso largo, sempre disposto a ajudar quem está a sua volta, buscando vencer, mesmo em meio às tormentas e decepções, e conseguindo encontrar a coragem para acordar, todos os dias… No que busca fazer, de cada um destes dias, o melhor.

Claucio Ciarlini (2020)

Um comentário sobre “Zé Maria: sinônimo de positividade e trabalho!

  1. Conheço Zé Maria há muito. Não posso precisar tempo. O suficiente para informar o excelso caráter e a humildade, levando-se em consideração os conhecimentos, a dedicação, a riqueza espiritual, a elevação humanitária, que lhe é forte. O conheci, em primeira mão, trabalhando no Centro Espírita “Humberto de Campos”, por que, se não me falha a memória, a esposa dele tem parentesco com o fundador daquela casa. Zé Maria nunca deixou de ser um “faz-tudo”, graças ao cabedal de conhecimento que ele granjeou. Acima de tudo, o víamos entre fios, alicates, lâmpadas… Muito gentil, sorriso largo e comunicativo: “Olá, Professor!…” Se tinha um tempinho, parava para alongar um pouco mais o papo e mostrar o seu valor de homem zeloso e amigo. Depois, quando eu aparticipava de algum evento no Sesc da Avenida, lá estava ele entre fios, alicate, resolvendo, averiguando os últimos detalhes. Percebia-nos e… “Olá, Professor!…” Eu não conhecia toda a trajetória de vida dele. Muito bela e rica. Ele é elétrico – incansável. A bondade é nata. E os que se entregam ao bem do próximo, são doces e maravilhados, quando fazem algo pelo próximo. Zé Maria se eleva em felicidade, quando está diante de algo que traz sorriso nos lábios das pessoas. Valeu, Cláucio!
    Aplausos!!
    Paz e bem!
    Wilton Porto

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