Não foi sonho

Balões

        A rua em que eu moro é linda. Ao adentrar nela pela Avenida Nossa Senhora de Fátima, vê-se ao longe muito longe, dunas de areia branquinha misturada com uma vegetação verde ora bem escura ora mais clara. São os morros da Pedra do Sal, uma linda praia que está a mais ou menos dezessete quilômetros de distância. Em determinados locais enxerga-se também  torres eólicas ali instaladas.

Até há pouco tempo havia mais terra, cerca, mato, verde do que casas. Lembro não tinha asfalto e nem calçamento. A piçarra se misturava a areia permitindo sua viabilidade. A minha rua era bastante larga. Depois que a prefeitura resolveu passar o asfalto fez uma medição que eu, por exemplo, perdi a metade da minha calçada. E depois disso muitas outras residências veio somar com as poucas que existiam.

Acordava-se com o cantar dos pássaros, o cocorocó dos galos e o mugir das vacas. Em tempo de inverno o rio Cantagalo ameaça adentrar nos atalhos e veredas. Tudo isso fica a quatro quilômetros do centro da cidade. É um pedaço de céu que agora que está sendo explorado. Quando faço caminhada percebo que ainda tem muitos espaços para novos lares.

Pois bem, hoje ao acordar tomei café e por volta das nove horas da manhã ao abrir o portão da minha casa fiquei pasma. Belisquei-me para saber se estava realmente acordada. Uma nuvem de balões de todas as cores uns amarrados nos outros fazendo enormes cordões voavam em minha direção. Eu achei lindo, parecia um sonho mágico, mas ao mesmo tempo fiquei com medo de ser atropelada por tantas bolas coloridas. Temerosa mas deslumbrada com tanta beleza eu corria ao encontro daquelas bolas que voavam. Fiquei entre elas quase sufocada, eram muitas. Muitas mesmo. Lembro que  assisti um filme  parecido com esse quadro. Porém nunca imaginei que um dia no real presenciasse tal cena. E eu me misturava aos balões. Divertia – me com os ploc-ploc ao espocarem por força do vento ou das minhas próprias mãos tentando abraça-los. A quantidade não diminuía. Parecia algo mágico.

De onde vinham tantos balões?  Estaria eu realmente acordada ou tudo fazia parte de um divertido sonho? Era real. Esses balões vinham de um Buffet próximo que ornamentou uma festa no dia anterior com muitas bolas coloridas e agora precisa descarta-las.

Foi um lindo espetáculo!

 

Inédito -2012
Do livro “O Quinto” a ser publicado
Maria Dilma Ponte de Brito
Ocupante da Cadeira 28 da APAL
Patrono Lívio Lopes Castelo Branco
1º Ocupante Humberto Teles Machado de Sousa

 

 

 

 

 

 

 

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