VOTO DECLARADO OU NÃO

         O candidato saiu pedindo voto a amigos, conhecidos e até a inimigos. O importante era sair vitorioso. Nessa hora orgulho não conta. Ganhar a eleição é o foco e qualquer sacrifício vale a pena. Começar trabalhar cedo é também uma estratégia importante, dizia Bartolomeu. Por isso mesmo estava convicto que lograria êxito.

      Durante a campanha encontrou apoio de muitos amigos. Sua maior indignação foi quando pediu o voto de Jarbas seu colega de trabalho e este respondeu de pronto: desculpe, mas não vou votar em você. O cara deu um não de forma tão polida e educada, usando um tom de voz lamentável e com uma fisionomia tão lastimável que simplesmente o candidato aceitou a resposta sem retrucar, mas por dentro ficou uma fera.

        Chegou o dia da eleição. Bartolomeu tinha a cara de vitorioso e no bolso uma lista de todos que prometeram elege-lo. E dizia, não é por um voto que vou deixar de ganhar. Não esquecia o NÃO que levou.

     A votação aconteceu. Começaram a contar os votos e saiu o resultado. Bartolomeu perdeu feio. Foi uma grande decepção. Chegando no dia seguinte ao trabalho reuniu todos os colegas e disse: perdi a eleição, mas como tudo tem um lado positivo eu aprendi e descobri muitas coisas importantes nesse meu intento. Por exemplo,  que aqui só tenho um verdadeiro amigo, o Jarbas. Foi o único sincero e honesto. Não prometeu seu voto. Os outros foram falsos, não cumpriram com a palavra.

        Esse quadro é comum em período de eleição. São muitas as decepções.

      Outra história interessante nesse sentido aconteceu com Samuel. No seu período de campanha ele pedia voto a todos e dizia que se sentia eleito. Contava com o apoio da vizinhança, do pessoal do bairro inteiro, dos colegas de trabalho, do pessoal da igreja, dos clubes que pertencia, da família, dos amigos dos amigos e a vitória era certa.

      Resultado. Perdeu. Ele não deixou passar batido. Procurou cada um dos seus possíveis eleitores. E a resposta foi sempre parecida. Ora Samuel, você dizia que já estava eleito, então preferi ajudar quem estava precisando. Esse jeito de fazer campanha não deu certo. Talvez se tivesse sido mais humilde o resultado seria outro.

      Pois é, eleição é coisa séria. “Voto é a arma cidadã democrática que possibilita ao povo modificar a nação para cumprimento de seus deveres” – Mônika Christi

MARIA DILMA PONTE DE BRITO

Cadeira 28 da APAL

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