POEMITOS DA PARNAÍBA

POEMITOS DA PARNAÍBA

Texto: Elmar Carvalho

Charges: Gervásio Castro

lobaia

  1. Lobaia

 

Animal trípede da

família dos primatas.

Animal não monstruoso:

animal mastruoso.

Pé de mesa mais famoso

da Parnaíba, Lobaia

só cavalgava cobaia,

em única experiência,

através da armadilha

das lâmpadas apagadas.

parassi

 

  1. Parassi

 

Vai bola com Parassi.

Parassi pára. Parassi para

Moacir. Era o velho

Parnaíba de Parassi,

Irmãos & Futebol Clube.

Hoje é apenas Parnaíba Clube.

 

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  1. Mestre Ageu

 

Mestre Ageu

mago das artes escultóricas,

novo rei Midas do antigo mito

a transformar em estátuas

troncos toscos de madeira

com os toques de suas mãos.

Mestre Ageu

Pigmalião dos mágicos toques

faz mais uma escultura:

ninguém se espantaria

se ela gesticulando

lhe desse “bom dia”.

Mestre Ageu

de arte tão exata

que lhe força fabricar

o seu cinzel de cortar.

Mestre Ageu

em sua agrura

agora chora ora e deplora

afagando/abraçando/agarrando

a escultura, sua cria/tura:

o compra/dor a veio buscar.

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  1. Simplição

 

Não o Dias da Silva,

mas o Long John da Parnaíba,

o terror da mulherada,

pé de cana e pé de mesa,

concorrente de jumento e garanhão.

Só pegava mulher novata,

desconhecedora da fama de seu

alopramento descomunal.

A cama se transformava

no altar do sacrifício da mundana,

segura a pulso como uma potra bravia.

Processado pela noiva descartada

após quarenta anos de noivado.

(A noiva não sabe a sina

de que terá escapado.)

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