Gansos.

 

 

Quando comecei a me interessar por poesia, certa vez me chegou às mãos um destes livros raros e maravilhosos, mas que hoje não lembro o título. E nele, perdida entre tantas e tantas estava, “Os cisnes”, de Júlio Salusse.

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Pra mim uma das mais lindas poesias. Toda vez que lembro fico profundamente comovido.

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Agora com a praça da Graça ornamentada com gansos me veio a lembrança da poesia refinada daquele filho de Nova Friburgo.

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As aves da praça da Graça são gansos, mas pra mim são e continuarão sendo como se fossem cisnes.

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Os cisnes

A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!

 

(Júlio Salusse)

 

Por Pádua Marques, cadeira 24 da APAL.

 

 

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