Discurso de Posse do Acadêmico Breno Ponte de Brito

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      Ilustríssimo presidente da Academia Parnaibana de Letras, Sr. Antônio de Pádua Ribeiro dos Santos, confrades, confreiras, autoridades presentes, meus familiares, amigos, minhas senhoras e meus senhores, boa noite.

      Chego nesta notável solenidade ciente da minha responsabilidade como educador – Mestre em Letras pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), publicitário – graduado em Comunicação Social pelo CEUT, servidor público do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) e, agora, membro da Academia Parnaibana de Letras. É com muita honra que ocupo a Cadeira de número 5, cujo patrono é o ilustre Alarico José da Cunha.

           Alarico José da Cunha nasceu em São José das Cajazeiras, arredores da atual cidade de Timon, no Maranhão, em 31 de dezembro de 1883. Estudou no Liceu Piauiense e, em 1903, veio para Parnaíba. Com inteligência de alto nível e muita leitura, Alarico José da Cunha logo se destacou na sociedade parnaibana como uma referência intelectual de alta grandeza e conhecimento voltado para muitas áreas. Trabalhou como comerciário, despachante aduaneiro e marítimo. Foi funcionário de companhias estrangeiras com escritório em Parnaíba. Fluente na língua inglesa e alemã, ia pessoalmente à Tutóia comandar o embarque de carga em grandes navios.

       Em 1918, Alarico juntou-se aos caixeiros que fundaram a União Caixeiral, tornando-se um dos sócios mais empenhados para a construção do prédio e para a instalação da escola que ali passaria a funcionar. Foi jornalista, pensador, poeta. Serviu-se da imprensa para difundir ensinamentos de sapiência. Colaborou com jornais locais e de outras cidades escrevendo artigos, crônicas, ensaios, poemas. Durante os anos 40 e 50, foi redator-chefe da Aljava, jornal de Benedito dos Santos Lima.

        Narrador primoroso, escrevia com graça, elegância e correção. Deixou uma ilustrada bagagem literária, integrada de conferências, poesias, narrativas, folclore, memórias, estudos filosóficos, sociológicos e teológicos. Publicou, entre outros, os seguintes trabalhos: “Discurso Maçônico”, “Ode à Mendiga”, “Cinema falado”, “Exaltação à Beleza”, “Nostalgia do Céu” e “Panegírico de um justo”. Pela transcendência das ideias, pelo equilíbrio harmonioso da cultura e pela consistência substancial, a sua obra representa uma forte e gloriosa expressão de inteligência. Alarico também foi um profundo conhecedor da doutrina espírita, o que lhe rendeu uma grande sensibilidade para enxergar e retratar a vida humana e o universo. Alarico José da Cunha exerceu ainda a função de vice-cônsul de Portugal e o cargo de presidente do Centro Espírita Perseverança do Bem. Faleceu em 29 de setembro de 1965, deixando um legado rico em conhecimento, sabedoria e honradez.

     Agora, passo a falar dos meus antecessores: inicialmente de Raimundo Fonseca Mendes (23/07/1918 – 11/08/1996), primeiro ocupante da cadeira de nº 5. Natural de São Luís (MA), Raimundo Fonseca foi poeta, radialista e jornalista. Também atuou como locutor da Rádio Educadora de Parnaíba e colaborou em várias áreas do serviço público e privado de nossa cidade.

        Por conseguinte apresento a escritora Aldenora Mendes Moreira que, com denodo e dignidade, ocupou a cadeira de nº 5 até setembro de 2012, quando da sua morte material, pois suas obras ficarão eternizadas na cultura parnaibana. Dentre sua produção literária destacam-se as publicações “Cartilha Sapoti”, “Conhecendo a História & Geografia do Piauí”, em parceria com Diderot Mavignier, e “Personalidades Atuantes da História da Parnaíba – ontem e hoje”, onde cita meu avô José Osmildo Ponte. Natural de Pedro II (PI), Aldenora formou-se em História, atuou como professora e era uma amante e conhecedora do folclore piauiense. São a esses Imortais que tenho a honra de suceder nesta nobre Academia.

     Entretanto, gostaria de destacar aqui a figura de dois outros acadêmicos cujas trajetórias tiveram uma importante influência na minha vida. Renato Castelo Branco, por sua brilhante carreira como publicitário, é um deles. Passou por esta academia sendo o primeiro ocupante da cadeira nº 15, que tem como Patrono Simplício Dias da Silva. Parnaibano de nascença, Renato Castelo Branco é considerado um dos mais importantes publicitários brasileiros de todos os tempos. Durante sua trajetória passou por renomadas agências de publicidade, participou da criação da atual Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) e da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP). Em 1951, participou ainda da criação da Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo, atual Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a primeira instituição voltada à formação de profissionais no campo da propaganda. Nesta instituição foi diretor, professor e conselheiro, dando atualmente nome ao “Prêmio Renato Castelo Branco de Responsabilidade Social na Propaganda”. Como escritor, deixou várias obras publicadas. Renato Castelo Branco foi, sem dúvida, como pessoa, como escritor e como publicitário, um dos parnaibanos mais notáveis da história.

        Também se torna inevitável falar da acadêmica Maria Dilma Ponte de Brito, afinal ela é a razão de eu estar aqui. Primeiro porque vim ao mundo gerado pelo seu ventre. Segundo porque devo a ela tudo o que sou, toda a formação que tive como homem e como escritor que me tornei. Maria Dilma, dispensa minha apresentação como acadêmica e escritora, por isso, venho apresentá-la aqui como mãe. Uma mãe que nunca hesitou em desprender esforços para investir na formação cultural, intelectual, social e humana de seus herdeiros. Com o mesmo esmero em que ela se dedica aos seus contos e crônicas ela se dedicou a educar seus dois filhos. Soube transmitir a mim e ao meu irmão os maiores valores e ensinamentos: a ética, a honradez, a coragem, a perseverança, o amor. Com ela aprendi as primeiras palavras e adquiri a paixão pelos livros. E se agora estou aqui, é essencialmente por causa dela. Tenho certeza que hoje ela está orgulhosa das sementes que plantou e floresceram, um filho imortal da Academia Parnaibana de Letras e o outro filho imortal da Academia de Ciências do Piauí. Portanto, para mim, torna-se uma honra maior ainda fazer parte desta Casa de João Cândido e dividir com ela agora dois lares.

     Meus senhores e minhas senhoras. Adentro à Academia Parnaibana de Letras conduzido primordialmente em decorrência da minha paixão pela leitura, pela escrita, pela comunicação e pelas ciências da linguagem. Desde jovem estudante, sempre tive predileção pelas disciplinas de línguas, português, gramática, literatura, redação. E ao ingressar na faculdade, almejei por um curso no qual tudo isso fosse presente. Aliar a paixão pela escrita com uma carreira profissional era um desejo. Confúcio já dizia: “Encontre um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um dia sequer em sua vida”.

     Graduei-me em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. O publicitário deve ser por natureza um amante das artes, das palavras e da escrita. Não foi à toa que nos primórdios da atividade publicitária, os criadores de anúncios eram consagrados escritores literatos como Fernando Pessoa, em Portugal, e, no Brasil, nomes como Casimiro de Abreu, Olavo Bilac e Monteiro Lobato são considerados os primeiros publicitários do país.

       Posteriormente ingressei no Mestrado Acadêmico em Letras da UFPI. Durante o curso tive a oportunidade de me aprofundar nas ciências da linguagem, apreendendo o ensinamento de célebres linguistas como Saussure, Chomsky, Jakobson, dentre outros. A compreensão dos mecanismos de produção do discurso e da importância da linguagem na sociedade contribuíram especialmente para o meu entendimento enquanto escritor.

      Como publicitário atuei como redator por vários anos. Compreendo que o publi-citário é, antes de tudo, um contador de histórias. Os anúncios publicitários nada mais são do que histórias, fictícias ou inspiradas em fatos reais. Quando alguém lê um anúncio, está inerentemente lendo uma história. E os artifícios que o redator publicitário aplica na escrita de um anúncio não diferem muito, por exemplo, dos utilizados por um contista em sua obra. O que ambos desejam é que o leitor mergulhe no seu enredo e se convença de sua história.

         Há de se ressaltar também que a publicidade é uma seara que emprega artifícios das mais variadas formas de arte, do cinema, da fotografia, da música, da literatura. Lembro-me que em um de meus primeiros trabalhos como publicitário, fui encarregado de criar uma campanha para o Dia Internacional da Mulher de uma conhecida loja de departamentos. Eis o texto da campanha veiculada em jornal e televisão:

O tempo passa e o mundo muda.
Mudam as pessoas, muda a sociedade.
O conceito de mulher também mudou.
Antes pura, frágil, submissa,
hoje é forte, audaz, competente.

Competência que se desdobra no lar e no trabalho.
Ela consegue ser mãe e profissional,
ser dócil e enérgica,
ser forte e sensível.

Quando uma mulher sorri,
tudo ao seu redor torna-se iluminado.
É um mistério próprio desse ser
que manifesta o belo com sua sensibilidade,
inspira poetas e dá melodia à canções.

O tempo passa,
a sociedade progride,
as pessoas evoluem,
a mulher se transforma.

Muita coisa muda,
mas uma coisa não mudou
e não é certo que mude.
A mulher sempre será a luz da fertilidade,
que gera alegria, que gera amor, que gera vida!

       Uma propaganda em forma de poema, ou seria um poema em forma de propaganda? O gênero publicitário é um gênero essencialmente híbrido. Mistura-se a outros gêneros, como o literário, o lírico, o jornalístico. Um anúncio se transfigura às vezes de poema, noutras vezes de fábula ou crônica e até de reportagem. De modo que o jogo intertextual é inerente a atividade propagandística e o redator publicitário pode ser ao mesmo tempo um poeta, um contista, um compositor e um jornalista. Ah, e também professor.

     Há 14 anos comecei a lecionar, atuando em um dos mais nobres ofícios do ser humano: educar. Ser professor é compartilhar conhecimento, propagar a informação, abrir mentes para novos horizontes e, também, aprender e reaprender. Outrossim, é papel do professor estimular a leitura. Como professor no curso de Publicidade e Propaganda, sempre recomendo aos meus alunos leituras além dos livros didáticos da área. Indico livros de literatura, história, sociologia, filosofia, enfim, todo tipo de leitura. Considero fundamental para qualquer estudante que deseja ser publicitário conhecer obras clássicas de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Érico Veríssimo, Jorge Amado e Gilberto Freyre, só para citar alguns.

      Como dito anteriormente, a publicidade bebe de várias fontes e o publicitário precisa ter conhecimento nas mais diversas áreas. Costumo dizer que a matéria-prima do trabalho publicitário é a informação. Ou seja, para criar anúncios, comerciais e propagandas, é preciso uma bagagem repleta de conhecimento e cultura. Afinal, só somos capazes de criar algo a partir do que possuímos de informação memorizada em nosso cérebro. Sem leitura, sem pesquisa, sem aprendizado não há informação, e sem informação o publicitário não é capaz de criar.

      Por isso, estimulo meus alunos a estarem constantemente adquirindo informação e cultura, que bebam das mais diversas fontes do conhecimento e que permaneçam sempre antenados e atualizados sobre o que se passa no mundo.

    Mundo este que parece girar cada vez mais rápido e evoluir em progressão geométrica. Ante a isso, não há como deixarmos de refletir sobre a transformação pela qual o universo da comunicação, da escrita e da leitura, vem passando com o advento das novas tecnologias e da internet. Cada meio de comunicação que surge gera mudanças na forma pela qual nos comunicamos e produzimos discursos. Foi assim com o surgimento do jornal, do rádio, da TV.

        Agora, com a internet, a comunicação passou a ser mais instantânea. O Twitter, uma plataforma de rede social lançada no ano de 2007, introduziu uma nova forma de comunicação através de textos curtos de, no máximo, 140 caracteres. Esse formato de linguagem prosperou de tal forma que já existem livros escolares de ensino fundamental sendo editados nesse estilo, passando as informações em pequenas doses, através de várias caixas de textos curtos em vez de um enorme bloco de texto corrido. O intuito é adequar-se as novas formas de linguagem dos jovens e fazê-los absorver a informação da maneira que lhes é mais comum no seu universo. Quando se fala na leitura de um livro ou artigo, a substituição da celulose do papel pela sílica da tela dos tablets e smartphones é uma realidade para essa geração. As crianças nascidas nesta década já crescem familiarizadas com os aparelhos celulares, com as publicações digitais e com a linguagem em forma de hipertexto.

        A sociedade atual está cada vez mais conectada e os jovens da “geração Z” possuem outro olhar sobre a linguagem e os seus mecanismos de produção e absorção. No meu tempo ginasial as adolescentes costumavam escrever os acontecimentos do dia e de sua vida em diários. Atualmente os jovens continuam a escrever sobre os seus pensamentos e acontecimentos do seu cotidiano, porém trocaram a agendinha datada e pautada pelos blogs e redes sociais. A diferença é que antigamente os adolescentes guardavam seus pensamentos para si próprios, os diários eram íntimos e pessoais. Hoje, os jovens sentem vontade de compartilhar o que pensam, o que fazem e o que acontece em suas vidas. As redes sociais são diários virtuais abertos para o mundo todo ler. Pode mudar a plataforma, pode mudar a superfície, pode mudar a condição de produção, mas a essência lá do diário de papel continua a mesma: expressar pensamentos e relatar fatos pessoais acontecidos no dia a dia.

        Isso nos obriga a uma reflexão sobre o nosso papel enquanto acadêmicos, operantes da língua, e também nos leva ao questionamento do quão preparados estamos para nos adaptarmos a esta nova era da comunicação digital. Temos como dever fomentar a leitura, a cultura e o conhecimento através da língua, seja qual for o suporte utilizado e independentemente se em forma de uma poesia de 8 estrofes, ou um conto de uma lauda, ou um livro de 400 páginas ou um “tweet” de 140 caracteres. Se novos meios surgem e possibilitam a promoção da leitura e do conhecimento, devemos aproveitá-los para perpetuarmos o que é essência da Academia: a valorização da nossa língua, a conscientização da importância da literatura para a cidadania, o reconhecimento dos nossos escritores, a produção literária que expõe sentimentos, que reflete um momento histórico da sociedade, que contribui culturalmente com a humanidade, seja proporcionando um momento de deleite para o leitor que aprecia uma poesia, seja proporcionando conhecimento através de uma obra biográfica ou de um livro técnico. Como disse o imortal da Academia Brasileira de Letras Merval Pereira em seu discurso de posse: “Não é o papel ou os chipes que importam, mas o mundo que os livros trazem consigo, seja em celulose ou em bytes.”

        É inegável que a tecnologia e as novas formas de interação têm mudado a nossa vida, a nossa rotina, a nossa forma de comunicação, a nossa forma de leitura. O simples ato de pedir um táxi que antes era feito através de um chamado telefônico para a central da cooperativa, hoje pode ser feito através de um aplicativo de celular. Noutra época para assistir a um filme em casa era necessário locar uma fita na locadora. Hoje podemos assistir a milhares de filmes através de sites na internet. Em tempos passados para se enviar uma correspondência à alguém de outra cidade era necessário postar uma carta nos Correios, que demorava dias para chegar ao destinatário. Atualmente podemos fazer isso sem sair de casa através de um e-mail, que chega ao destinatário em fração de segundos. Até poucos anos para realizar uma transferência de valores era preciso se deslocar até uma agência bancária. Hoje temos um banco na palma da mão através do celular. Antigamente para ter acesso a um livro teríamos que ir a uma livraria ou uma a biblioteca. Hoje podemos ter acesso a livros no formato digital em diversas bibliotecas virtuais. A comunicação interpessoal deixou de lado as ligações telefônicas para serem feitas através de chats no Whatsapp.

         Isso não quer dizer que sejamos reféns da tecnologia. Pelo contrário, ela sempre nos foi uma grande aliada. Afinal a literatura se desenvolveu com a evolução das pedras de argila para o papel, com a evolução das canetas tinteiro para as canetas esferográficas, com a evolução das máquinas de escrever para os teclados de computador, com a criação da imprensa por Gutemberg e posteriormente com a evolução para os atuais sistemas de impressão em offset, e, atualmente, tem se desenvolvido com as novas plataformas digitais de comunicação. Todos esses processos impulsionaram a produção da literatura, promovendo a facilidade na escrita, a reprodução em maior escala de publicações e elevando o alcance da leitura a muito mais pessoas.

        Essa (r)evolução pela qual estamos passando faz parte do progresso da humani-dade. E o homem é um ser adaptável, consegue ajustar-se prontamente a novas situações. Assim também é a nossa língua. Marcos Vilaça, ilustre membro e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, uma vez disse “A língua é um ser vivo. A língua não pode ser imobilizada. Ela está em permanente processo de mutação. (…) devemos aceitar a língua no seu processo de evolução.”

       Lembrando que evoluir não significa deixar o passado para trás. Não significa deixar morrer a nossa essência. Não significa abandonar as nossas tradições, e sim adaptá-las e posicioná-las frente aos novos tempos. Por que não transformar livros em blogs ou blogs em livros? Desta forma, conclamo todos nós acadêmicos a juntos desbravarmos as (não) fronteiras desse universo digital e levarmos a nossa estimada Academia aos mais longínquos rincões cibernéticos.

        Para finalizar, agradeço pela oportunidade de congregar junto deste ilustre e seleto corpo acadêmico, e reafirmo a honra que sinto em fazer parte desta Augusta Academia da minha Parnaíba. Ingresso hoje e inicio minha caminhada aqui como um humilde aprendiz. Mas acredito que estamos sempre aprendendo ao longo da vida e que a sabedoria vem com o tempo. Chego como o caçula da turma, mas sei que como os anos passam de forma acelerada, aproveitarei o máximo de convivência com as senhoras confreiras e senhores confrades, enquanto amadureço. Recorro a Guimarães Rosa, um bom guia quando se trata de caminhadas, para entender que, tal e qual nas caminhadas pelas veredas do grande sertão, o real não está na saída nem na chegada; ele se dispõe para a gente é no meio do caminho.

Obrigado!

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